Coudet já comparou Ramón Diaz a Satanás, mas hoje admira e até se inspira no técnico do Vasco
Com o passar do tempo, Eduardo Coudet mudou o conceito que tinha sobre Ramón Diaz, que o treinou no River Plate; ambos se enfrentam hoje à noite no duelo entre Vasco da Gama e Internacional pelo Brasileirão
O confronto entre Vasco e Internacional, nesta quinta-feira (26), às 19h, em São Januário, pelo Campeonato Brasileiro, reservará um duelo de “criador” e “criatura” na beira do campo. Ramón Diaz e Eduardo Coudet trabalharam juntos há mais de 20 anos. No River Plate, no começo dos anos 2000, o experiente treinador comandou o então meia e hoje técnico colorado. Mas a relação dos dois, na época, não era das melhores.
Já com alguma experiência, Coudet chegou ao River Plate em 1999, quando Ramón Diaz, mesmo em começo de carreira, já estava consagrado com um título da Copa Libertadores e três do Campeonato Argentino. Ainda assim, a relação com os jogadores era um pouco conturbada, principalmente com os mais jovens.

Coudet comparou Ramón Diaz a Satanás
Em entrevista concedida à “ESPN” da Argentina em 2012, e que voltou à tona nesta semana, Coudet, recém aposentado como jogador, falou sobre como era trabalhar com Ramón Diaz. E foi muito sincero sobre o atual técnico do Vasco.
— Com o Ramón, agora, tenho uma relação sensacional. Já nos encontramos e tal. Mas era o mais parecido a Satanás naquele momento. Era o pior que existia, o Ramón. Era um filho da p***, com todas as letras. Mas ele tirava o melhor de você — afirmou Coudet sobre Ramón Diaz, em 2012.
'Chacho' Coudet, o ideólogo do cabelo tingido do River Plate campeão 2002.
[?️River Play] pic.twitter.com/PunEwBmCRw— Hermanos Arg. (@hermanos_arg) September 14, 2023
— Exemplo, você arrebentou, marcou três gols, mas não sabe se vai jogar o próximo jogo com ele. Você não sabia. Então estava sempre com a exigência em 100% — completou o técnico do Inter.
Apesar das críticas, o próprio Coudet reconheceu os méritos do trabalho de Ramón Diaz em gerenciar um vestiário estrelado como era o do River Plate naquele momento. O elenco tinha nomes como D’Alessandro, Ortega, Ayala, Cambiasso e Cavenaghi. Além disso, também falou sobre a mudança de comportamento do treinador com o passar do tempo.
— Agora ele fez um ‘click’ e está muito mais tranquilo. Mas se ele te chamasse para falar era duríssimo. Eu tenho a minha teoria que no momento você quer matar a pessoa e depois você assimila e quer aprender um monte de coisas. Ele tinha um vestiário complicado, em toda a sua trajetória como técnico do River. E não é fácil gerenciar um vestiário dessa magnitude. Ele gerenciava muito bem — finalizou Coudet sobre Ramón Diaz.
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Elogioso, hoje Coudet admira e até se inspira em Ramón Díaz
Essa visão positiva sobre Ramon Díaz, que Coudet desenvolveu com o tempo, se mantém atualmente. O treinador do Internacional elogiou muito o do Vasco ao projetar o duelo desta quinta-feira (26), em São Januário.
— Vamos enfrentar um time que melhorou muito. Conheço a comissão, trabalham muito bem, e fizeram um time que vai tornar as coisas muito difíceis para nós — disse Coudet na entrevista coletiva após a goleada por 7 a 1 sobre o Santos.
Mais do que esse respeito e admiração, não seria absurdo dizer que Coudet se inspirou e hoje aplica em seus times muitos dos ensinamentos recebidos de Ramon Diaz. A exigência, referida pelo treinador do Inter na entrevista de 2012, é facilmente percebida no dia a dia de treinamentos no CT Parque Gigante, em Porto Alegre.
Intensidade é a palavra-chave do trabalho de Coudet. O lema “o Inter não anda, o Inter corre”, foi citado mais de uma vez pelo treinador em entrevistas desde seu retorno ao clube.
Na parte da gestão de grupo, o treinador do Inter talvez não tenha um vestiário tão difícil quanto aquele estrelado do River Plate no início dos anos 2000. Entretanto, liderar jogadores de hierarquia como Rochet, Aránguiz e Enner Valencia demanda algumas habilidades que certamente Coudet apreendeu de Ramon Diaz há pouco mais de 20 anos.
Ramón Diaz tem outros “pupilos” trabalhando como treinadores
O técnico do Inter está entre os muitos “aprendizes” que passaram pelas mãos do treinador do Vasco. Vários jogadores que trabalharam com Ramón hoje brilham como treinadores ou estão buscando seu espaço na nova profissão. O principal nome, é claro, é Marcelo Gallardo.
Campeão da Libertadores de 1996, comandado por Ramón Diaz, Gallardo se tornou o maior treinador da história do River Plate, ultrapassando justamente o “professor” em número de conquistas. Pelos Millonarios, Gallardo conquistou duas Libertadores, uma Sul-Americana e um Campeonato Argentino, além de outros troféus de menor expressão.
Outro campeão da Libertadores que hoje começa a ganhar espaço como treinado é Hernán Crespo. O argentino conquistou a Sul-Americana de 2020 pelo modesto Defensa y Justicia. No ano seguinte, fez o São Paulo voltar a levantar a taça do Campeonato Paulista depois de 16 anos.
Mais um jogador que passou pelas mãos de Ramón Diaz como jogador e hoje tem carreira como treinador é Eduardo Berizzo. Com um Campeonato Chileno no currículo pelo O’Higgins, ele também já passou por Celta de Vigo, onde viveu uma boa temporada em 2016/17, chegando na semifinal da Liga Europa, Sevilla e Athletic Bilbao, mas sem tanto brilho nos últimos dois. Atualmente, comanda a seleção do Chile.



