Libertadores

Contratações de hierarquia recolocam Internacional entre os quatro da América

Depois de oito anos, o Internacional está de volta a uma semifinal de Libertadores. Desde 2015, quando foi eliminado pelo Tigres, do México, o Colorado não chegava entre os quatro melhores da América. E a campanha até aqui tem tido participações decisivas dos reforços de hierarquia buscados pela direção para o segundo semestre.

Se o Inter passou por River Plate, nas oitavas de final, e Bolívar, nas quartas, muito disso se deve especialmente a duas figuras: Sergio Rochet e Enner Valencia. Um tem feito a diferença atrás. O outro, na frente. E fazem a torcida colorada acreditar que o Tricampeonato da América é possível.

Rochet demonstra potencial de ídolo do Internacional

O curioso é que, diferentemente do atacante equatoriano, o goleiro uruguaio não teve sua contratação exaltada pela torcida no início. Não tanto por ele em si, mas sim pelo momento vivido por John. Titular àquela altura, o goleiro formado no Santos vivia grande fase. Fazia defesas milagrosas. Não seria absurdo dizer que garantiu a classificação do Inter às oitavas de final da Libertadores, especialmente pela atuação contra o Metropolitanos, na Venezuela.

A opinião pública era de que haviam outras posições mais carentes para o Inter reforçar. E que, se Rochet desembarcasse em Porto Alegre titular, seria no ‘carteiraço'. Mas foi o que Eduardo Coudet fez logo que chegou. Mesmo que tenha originado a saída de John para o Valladolid, da Espanha, a decisão se mostrou acertada.

Rochet brilhou nos confrontos com o River Plate, nas oitavas de final. Foram pelo menos três defesas de alto grau de dificuldade que deixaram o Inter vivo depois da pressão sofrida no Monumental de Nuñez. No Beira-Rio, mais do que com as mãos, se destacou com o pé. Na interminável disputa de pênaltis, chamou a responsabilidade para converter a última cobrança e eliminar um dos favoritos ao título.

Nas quartas, fez importantes defesas para garantir a vitória histórica sobre o Bolívar em La Paz. Já com a classificação encaminhada no Beira-Rio, ainda pegou um pênalti. Aos gritos de ‘Rochet, Rochet', a torcida colorada vibrou pela passagem de fase, em festa que seguiu após o apito final.

Para além das defesas, a liderança e a personalidade de Rochet lhe dão credenciais para se tornar ídolo do Inter, tal qual é do Nacional. Frio, experiente, malandro, sabe lidar com momentos de pressão, algo que faltou para o elenco colorado nos duelos eliminatórios dos últimos anos. Era o goleiro que a equipe precisava para as noites de copas.

Enner Valencia justifica investimento

A experiência como titular da Seleção Uruguaia na Copa do Mundo do Catar também é causa e consequência dessa maturidade de Rochet. E foi justamente o currículo no principal torneio do futebol mundial um dos grandes diferenciais para que o Inter fizesse seu principal investimento na temporada.

Os seis gols em Copas, mais os 33 na última temporada europeia, geraram grande expectativa na torcida em relação a Enner Valencia. 10 mil colorados foram ao Gigantinho na festa de apresentação do centroavante equatoriano.

Centroavante? Essa foi a discussão que permeou as primeiras partidas do ex-jogador do Fenerbaçhe, em que o posicionamento dado por Mano Menezes ao capitão da Seleção Equatoriana gerou críticas. Os mais precoces chegaram a cravar que ele ‘não era tudo isso', já que o primeiro gol pelo Inter demorou a sair.

Mas com a vinda de Eduardo Coudet, que aproximou Alan Patrick e o resto do time de Valencia, a bola começou a chegar. O equatoriano foi se soltando, e os gols tão esperados pela torcida vieram justamente nos momentos mais importantes.

A cabeçada na Argentina, o chute cruzado em La Paz, e as finalizações fortes, uma com cada perna, no Beira-Rio, renderam a Valencia a impressionante marca de quatro gols em quatro jogos na Libertadores. Isso tudo em confrontos de mata-mata.

Até mesmo o desentendimento com Luiz Adriano e Magrão, depois do empate com o Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, parece ter ficado para trás. Os mais otimistas poderiam argumentar que mostrou indignação e gana de quem quer vencer.

Coadjuvantes com mesmo perfil

Além de Rochet e Valencia, o Inter buscou outras peças com experiência e hierarquia para lidar com os momentos de pressão. É preciso lembrar de Aránguiz, que estava na campanha da semifinal de 2015. Mesmo aos 34 anos, sem a mesma mobilidade de outrora, a inteligência do chileno tem sido fundamental no meio-campo do Inter.

Meio-campo este em que o Colorado se dá ao luxo de ter um reserva da relevância de Bruno Henrique. Campeão por Corinthians e Palmeiras, onde também foi capitão, o volante de 33 anos demonstra não ter perdido a competitividade após três temporadas no futebol da Arábia Saudita.

Por fim, também entra nesta lista Hugo Mallo. Aos 32 anos, o lateral-direito trouxe na bagagem da Espanha a experiência de 14 temporadas pelo Celta de Vigo, em que era capitão e por quem enfrentou gigantes do futebol mundial como Real Madrid,  Barcelona e Atlético de Madrid. Homem de confiança de Coudet, com quem já havia trabalhado, mostrou poder ser útil também como zagueiro.

Depois de dois anos e meio turbulentos, a gestão de Alessandro Barcellos parece ter entendido o que precisava para voltar a sonhar com um título continental. Ao elenco vice-campeão brasileiro, que vinha cambaleante em 2023, somaram-se peças que impõem respeito nos adversários. Se o Inter será campeão, só o tempo dirá. Mas se reforçou para isso.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho e formado em Jornalismo pela PUC-RS, já passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. É, também, coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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