Brasileirão Série A

Dorival quer ‘no mínimo’ dois reforços para fazer São Paulo brigar por títulos em 2024

Comandante do São Paulo dá prioridade à manutenção dos principais jogadores para a próxima temporada, mas também mira reforços do nível de Lucas e James

O São Paulo aproveitou esta rara semana sem jogos para reunir elenco, comissão técnica e dirigentes em uma festa para comemorar o título inédito da Copa do Brasil, em evento na última terça-feira (3). Mas além de celebrar o passado recente, o período livre no calendário também serve para que Dorival Júnior e a diretoria acelerem as discussões sobre o planejamento do clube para 2024.

Um ano que desde já começa ambicioso. O Tricolor voltará a disputar a Libertadores e pretende montar um elenco à altura  para brigar pelo título da competição continental. Por isso, o treinador já manifestou a necessidade de buscar “no mínimo” dois ou três reforços do nível das duas últimas contratações feitas pelo clube: Lucas Moura e James Rodríguez.

O pedido expresso por Dorival em entrevista recente tem a ver com o calendário que espera o São Paulo em 2024. O Tricolor tem Libertadores, Brasileirão, Copa do Brasil e Paulistão pela frente, além da Supercopa do Brasil. E pretende brigar em todas as frentes. Isso, inclusive, faz parte do projeto que o clube prepara para manter Lucas Moura para 2024. O atacante já disse que tem “muita chance de ficar”, e hoje, a renovação é considerada “muito provável” pelo clube.

– Temos que fazer todas as avaliações possíveis. E temos que trazer no mínimo dois ou três nomes do nível desses que chegaram. Todos estão sendo avaliados, para que erremos menos possível no ano que vem – ressaltou Dorival.

Até o momento, não houve qualquer discussão mais definitiva sobre as carências do elenco e necessidades para a próxima temporada. Mas o Tricolor pode buscar opções para os lados do campo e também um substituto para Calleri. O centroavante teve de atuar no sacrifício ao longo de boa parte da temporada. O Tricolor também deve se movimentar no mercado de forma preventiva, como preparação para as possíveis saídas de Lucas Beraldo, Pablo Maia e Rodrigo Nestor.

– Sinceramente não deu tempo (do planejamento). Agora as atividades voltam, mas claro que no planejamento queremos muito que o Lucas continue, que o plantel continue, e também buscar a contratação do Caio Paulista, olhar o elenco para 2024 como fizemos para 2023, com cautela, pontualmente trazer um jogador ou outro, se tiver eventual saída é questão de mercado – afirmou o presidente Julio Casares, em sintonia com Dorival.

Clube já tem um reforço para 2024

Muito antes de Lucas Moura e James Rodríguez chegarem para mudar o patamar da equipe e também de reforços pretendidos por Dorival, o São Paulo já havia acertado a primeira contratação para 2024. Foi ainda no mês de julho. O clube assinou um pré-contrato com o atacante Erick, do Ceará, por três temporadas ,até o final de 2027.

À época, o Tricolor ainda buscava um jogador de velocidade para atuar pelos lados do campo – exatamente como Erick – para chegar de imediato à equipe. Não houve, porém, acerto com o clube cearense para antecipar a sua liberação. Velho conhecido de Dorival, o atacante é o grande destaque do Vozão em 2023. São 18 gols e 13 assistências em 49 jogos. E vale deixar claro: o São Paulo pretende contratar “dois ou três nomes” além de Erick para a próxima temporada.

Erick será o primeiro reforço do São Paulo para 2024 (Iconsport)

Reforços não são prioridade para 2024

Apesar do pedido ambicioso por contratações, os reforços não são a prioridade do São Paulo para 2024. O Tricolor repete para a próxima temporada a postura que deu certo em 2023 e pretende segurar os principais nomes do elenco. A promessa da diretoria é de jogo duro em negociações pelos destaques da equipe. Trata-se, inclusive, de uma mudança nas diretrizes do clube, impulsionada pela premiação de R$ 88,7 milhões na Copa do Brasil.

Hoje, o Tricolor só vende seus atletas pelo preço que quiser. E não pela necessidade/obrigação de fazer dinheiro para fechar as contas. E Lucas Beraldo, de contrato renovado, é o jogador que simboliza esta mudança. O São Paulo já recusou uma proposta de 10 milhões de libras pelo zagueiro, alvo  de clubes da Premier League como o Wolverhampton. O clube pretende fazer a maior venda de um defensor da história no futebol brasileiro.

São Paulo quer transformar Beraldo em maior venda de um zagueiro na história do Brasil (Foto: Iconsport)

Esta postura vai ao encontro com uma ideia ventilada por Dorival. O treinador entende que às vezes buscar uma reposição sai mais caro do que a venda de um atleta promissor. Além disso, “segurar” os jogadores fez com que o elenco do São Paulo se valorizasse com o título da Copa do Brasil.

– Às vezes a reposição é mais cara que a venda. Porque você não atinge o ponto ideal, passa a ter que contratar um, dois, três, quatro elementos. As contratações ficaram mais caras do que a própria venda. Será que a permanência não foi importante para o São Paulo? O que a diretoria conseguiu alcançar de retorno imediato com a conquista da Copa do Brasil, bilheteria que melhorou, sócio torcedor que aumentou. Alcançamos algumas entradas por outro caminho que não fosse a retaliação da equipe – sustenta Dorival.

Um exemplo perfeito de comparação para esta mudança de postura é Gabriel Sara. Em julho de 2022, o meio-campista foi vendido pelo São Paulo ao Norwich, da Inglaterra, por 9 milhões de libras (R$ 60 milhões na cotação da época). Um valor próximo ao da proposta recebida por Beraldo na última janela.

Pouco mais de um ano atrás, o Tricolor não teve como recusar a oferta pelo jogador, mesmo entendendo que poderia faturar ainda mais se o vendesse em outro momento. Hoje, o São Paulo consegue segurar seus atletas – como foi o caso de Beraldo – e só vendê-los pelo valor que entender ser o correto (ou irrecusável).

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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