Brasileirão Série A

‘De outro planeta’: São Paulo fará jogo duro para vender Beraldo e outros jovens após título

São Paulo acaba com obrigação de negociar atletas e cobrará alto por campeões da Copa do Brasil

O São Paulo ainda vive sob os efeitos da conquista da Copa do Brasil e assim será por um bom tempo. Mas aqui não estamos falando do lado afetivo e histórico de erguer uma taça inédita diante da torcida depois de tanto tempo. E sim, dos reflexos práticos que o título traz para o clube e de ser campeão permite que o Tricolor mude sua postura no mercado e seu projeto para 2024.

O salto de patamar faz com que o São Paulo se permita pensar grande para a próxima temporada, em que voltará a disputar a Libertadores. E mais do que isso. Os R$ 88,7 milhões em premiações recebidas da CBF pelo título mudam as diretrizes do clube na hora de negociar seus jogadores. Hoje, o Tricolor só vende seus atletas pelo preço que quiser. E não pela necessidade/obrigação de fazer dinheiro para fechar as contas.

Por isso, a diretoria pode jogar duro a partir da reabertura da janela de transferências na Europa, em janeiro. A avaliação é de que jogadores como Lucas Beraldo (especialmente), Pablo Maia e Rodrigo Nestor estão ainda mais valorizados após o título e só sairão em caso de propostas irrecusáveis. O investimento necessário para buscar uma reposição no mercado também será levado em conta.

– Esses jogadores não ganharam uma valorização, e com isso ganhamos preço em negociações futuras? Ele vai vender com preço que lhe satisfaz. O São Paulo tem elenco valorizado muito em razão das conquistas que teve. Se for uma venda com valores que extrapolaram e que seria impossível o clube manter, ótimo. Aí, sim. Do contrário, eu sou muito sincero. Temos que segurar o máximo possível nossos atletas. Para se estabilizar, precisamos ter um grande time, um grande elenco. Se estabilizar, o retorno virá por outros caminhos – indagou o técnico Dorival Júnior em entrevista coletiva.

O clube, aliás, já adotou postura semelhante antes de ser campeão da Copa do Brasil, mas em uma aposta ousada para atender ao pedido de Dorival para não vender jogadores até o final da temporada. A diretoria correu um grande risco. Mesmo diante da necessidade de negociar atletas para fazer dinheiro, os dirigentes optaram por recusar ofertas e manter o grupo. A recompensa só viria em caso de título.

E ela veio. Além da premiação, as bilheterias de um Morumbi quase sempre lotado foram as salvadoras do orçamento do clube em 2023. Com essas receitas, o São Paulo não precisa mais vender atletas para cumprir as metas do planejamento orçamentário.

– Será que a permanência não foi importante para o São Paulo? O que a diretoria conseguiu alcançar de retorno imediato com a conquista da Copa do Brasil, bilheteria que melhorou, sócio torcedor que aumentou. Alcançamos algumas entradas por outro caminho que não fosse a retaliação da equipe – ressalta Dorival.

“De outro planeta”, Beraldo é exemplo de nova postura

Não que tenha sido fácil. O São Paulo resistiu ao interesse de clubes da Europa em alguns de seus principais jogadores. Especialmente Lucas Beraldo. O zagueiro esteve na mira de clubes da Premier League, e o Wolverhampton acenou com uma proposta de 10 milhões de libras (R$ 63,3 milhões) pelo defensor, recusada pelo clube.

“O que o Beraldo joga é de outro planeta, já está na hora de se pensar em convocação para seleção principal. Já chegou proposta e proposta alta, mas alta para aquele momento. Agora, vão ter que pagar o que ele vale. Quando o Miranda estava conosco ainda, o Beraldo ainda não tinha jogado no profissional, ele falou ‘esse moleque vai ser melhor que eu'”. (Carlos Belmonte, diretor de futebol do São Paulo)

Um exemplo perfeito de comparação para esta mudança de postura é Gabriel Sara. Em julho de 2022, o meio-campista foi vendido pelo São Paulo ao Norwich, da Inglaterra, por 9 milhões de libras (R$ 60 milhões na cotação da época). Um valor próximo ao da proposta recebida por Beraldo na última janela.

Pouco mais de um ano atrás, o Tricolor não teve como recusar a oferta pelo jogador, mesmo entendendo que poderia faturar ainda mais se o vendesse em outro momento. Hoje, o São Paulo consegue segurar seus atletas – como foi o caso de Beraldo – e só vendê-los pelo valor que entender ser o correto (ou irrecusável).

São Paulo irá fazer jogo duro para vender atletas como Beraldo e Nestor (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Clube também pesa reposição na hora da venda

Outro fator que passa a ser levado em conta na hora de negociar atletas é a necessidade de reposição. O técnico Dorival Júnior é um defensor da tese de que é melhor manter um jogador em alto nível que dê resultado em campo, do que vendê-lo para tentar reposições. Em sua análise, às vezes buscar alternativas no mercado acaba saindo mais caro do que a venda, em si.

– Às vezes a reposição é mais cara que a venda. Porque você não atinge o ponto ideal, passa a ter que contratar um, dois, três, quatro elementos. As contratações ficaram mais caras do que a própria venda – ressalta o treinador.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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