Brasileirão Série A

Quatro pontos que explicam o Cruzeiro no Z4 após momento de tranquilidade no Brasileirão

O Cruzeiro viveu bom momento recente ao vencer Atlético-MG e Bahia, mas após perder dois jogos seguidos entrou na zona de rebaixamento do Brasileirão

O Cruzeiro está na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e lá ficará até pelo menos o próximo sábado (11), quando enfrenta o Coritiba na Vila Capanema, às 16h, pela 34ª rodada. A entrada celeste no Z4 acontece poucos dias após o time mineiro conseguir duas vitórias consecutivas que pareciam dar a tranquilidade necessária para um término tranquilo de competição.

Depois de bater Atlético-MG e Bahia, o Cruzeiro se distanciou da zona de rebaixamento, mas a gordura feita logo foi queimada, pois o time de Zé Ricardo foi derrotado nas duas rodadas seguintes, por São Paulo, no Morumbi, e Internacional, no Mineirão. Estes resultados, somados aos adiamentos de jogos do clube celeste feitos pela CBF e a vitórias de concorrentes diretos, fizeram com que a equipe mineira, outrora em recuperação, passasse a ocupar uma das quatro posições mais temidas na tabela.

Alguns pontos, internos e externos ao Cruzeiro, explicam a entrada do time na zona de rebaixamento pela primeira vez desde que o Campeonato Brasileiro começou a se desenrolar e tomar forma, ou seja, após as primeiras rodadas, que não costumam definir muita coisa. A Trivela listou quais foram eles. Veja:

Adiamento de jogos do Cruzeiro

Mesmo que jogos atrasados só definam algo depois de realizados, é impossível dissociar a entrada do Cruzeiro na zona de rebaixamento do adiamento de partidas da equipe celeste. Primeiro, a CBF alterou a data da partida contra o Fortaleza, que deveria ter acontecido no dia 28 de outubro, data em que o Leão disputou a final da Copa Sul-Americana. O jogo foi movido para o dia 18 de novembro, o que causou uma distorção da tabela celeste em relação a dos adversários.

Como se já não bastasse um jogo atrasado, o Cruzeiro passa a ter dois a partir da semana atual, já que a partida contra o Vasco, que deveria acontecer nesta quarta-feira (8), foi remarcada. O motivo da mudança é o show do cantor inglês Roger Waters, que acontece no Mineirão, no mesmo dia. Com isso, a Raposa tentou levar o confronto direto contra o rebaixamento para o Independência, mas o América-MG, proprietário do estádio, atuará no local no mesmo dia, onde enfrentará o Coritiba.

A CBF, então, decidiu adiar o final do Brasileirão, do dia 3 de dezembro para o dia 6 de dezembro, criando mais uma data para alocar jogos atrasados. Sendo assim, Cruzeiro e Vasco será jogado no dia 22/11, no Mineirão. Por isso, o time celeste não tem chances de sair da zona até o próximo sábado. Nesse caso, pelo menos o cruz-maltino também não joga, o que impede a equipe carioca de abrir mais distância e aumentar a pressão sobe a Raposa.

Ineficiência ofensiva

Passando para dentro de campo, o Cruzeiro durante todo o ano peca ofensivamente, sendo o pior ataque do país em 2023. No Brasileirão, a Raposa é a única equipe que não chegou aos 30 gols marcados. Após vencer o Atlético-MG, com um gol contra, e o Bahia, após um outro gol contra abrir o placar, o time celeste pegou São Paulo e Inter e, apesar de criar algumas oportunidades, não conseguiu marcar.

Sem fazer gol, sem vitórias. A premissa básica do esporte puniu o Cruzeiro, que só pôde lamentar a impossibilidade de balançar as redes adversárias e levar três pontos para casa.

Lucas Silva e William lamentam gol sofrido pelo Cruzeiro contra o Internacional
Lucas Silva e William lamentam gol sofrido pelo Cruzeiro contra o Internacional – Foto: Fernando Moreno/Icon Sport

Falhas defensivas

Se não marcar gols impossibilita vitórias, ainda é possível levar pontos para casa caso não sofra. Mas este também não tem sido o caso do Cruzeiro. Nos últimos dois jogos, a Raposa sofreu gols em ambos, todos com falhas defensivas grotescas.

Contra o São Paulo, Wesley e Palacios viram Alisson passar como quis por eles e cruzar para Luciano, sozinho, dentro da área celeste, vencer Rafael Cabral. Já contra o Inter, primeiro Enner Valencia, Bustos e Maurício tiveram total liberdade para trocar passes dentro da área da Raposa até o meia ex-Cruzeiro abrir o placar. Depois, Wanderson carregou a bola entre três defensores mineiros, sem ser apertado, e bateu no canto do goleiro estrelado.

Se o ataque não ajuda, a defesa, que vinha com bons números no Brasileirão, teve papel crucial para que o Cruzeiro não conseguisse nem um pontinho sequer nas duas últimas rodadas.

Insistência em peças improdutivas

O Cruzeiro tem um elenco fraco e isso tem cobrado seu preço no Brasileirão. Apesar disso, o treinador Zé Ricardo, assim como Pepa, tem se complicado ao insistir com nomes que não tem rendido, utilizando-os em detrimento de jogadores que trazem mais esperanças ao torcedor. Neris, Palacios, Mateus Vital, Wesley e Arthur Gomes são alguns dos jogadores que sempre são escalados na Raposa, mas que entregam pouco futebol.

Nas últimas semanas, a cobrança para jogadores da base serem mais utilizados têm crescido, já que sempre que entram, na maioria das vezes por poucos minutos, se apresentam bem. Além disso, Zé Ricardo tem constantemente tirado alguns nomes que costumam entregar mais, como William e Matheus Pereira, durante os jogos, colocando peças que não conseguem entregar desde que chegaram, o que, na maioria das vezes, enfraquece o time.

Outro ponto que tem pesado contra o Cruzeiro dentro desse assunto é o fato de alguns dos principais jogadores do time, como Bruno Rodrigues e Matheus Pereira, serem retirados de suas posições principais para acomodarem nomes que não rendem tanto. Matheus tem jogado aberto pela direita, quando atua melhor centralizado, mais perto do gol. Já Bruno constantemente é escalado como um falso 9, para que Arthur Gomes, que não tem entregado bons jogos desde sua estreia, quando fez dois gols, atue na ponta esquerda, posição favorita do camisa 9 celeste, que é o mais efetivo jogador do elenco azul em 2023.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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