Brasileirão Série A

Gómez, Luan e Murilo: como trio de 100% de aproveitamento mudou rumo do Palmeiras no Brasileiro

Palmeiras subiu muito de produção, inclusive no ataque, com a entrada de um terceiro zagueiro. Mas por quê?

Para o jogo decisivo contra o Flamengo amanhã (8), no Maracanã, Abel Ferreira terá de volta talvez os dois dos melhores zagueiros do Brasil. Não por acaso, Murilo e Gustavo Gómez ganharam tanto a Bola de Prata da ESPN quanto o Prêmio Brasileirão da CBF em 2022. Ao lado deles – na verdade, entre os dois – estará Luan.

Escalar os três zagueiros em campo ao mesmo tempo foi o que recolocou o Palmeiras de volta na briga pelo título e, enfim, deixou o time novamente equilibrado – algo que não acontecia desde a lesão de Dudu, em 27 de agosto. O Palmeiras passou a jogar no 3-5-2, mudou completamente seu jeito de atuar e reencontrou as vitórias.

Junto, o trio tem o assustador rendimento de 100% em quatro jogos neste Campeonato Brasileiro: venceu todos (Coritiba, São Paulo, Bahia e Botafogo) e sofreu apenas três gols – na já inesquecível virada de 4 a 3 sobre o Botafogo.

Ao longo da história, desde 2022, em oito jogos, eles conquistaram seis vitórias, um empate e apenas uma derrota, somando 79,16% de aproveitamento.

Mas por que a escalação do trio deu tão certo?

Um terceiro zagueiro para melhorar o ataque

Parece um contrassenso, mas como Abel Ferreira explicou, qualquer esquema faz o que você quiser dele. Tanto um 4-3-3 pode ficar defensivo, quanto um 3-5-2 pode se tornar ofensivo. É o caso do Palmeiras.

A entrada de Luan permitiu ao Palmeiras liberar para atacar, ao mesmo tempo, os dois laterais. E atacar é o que tanto Mayke quanto Piquerez fazem de melhor.

Desde a adoção do novo esquema, Piquerez já fez três gols e uma assistência. E Marcos Rocha, que também se aproveitou do novo formato ao entrar no jogo contra o São Paulo, também fez um – justamente com assistência de Piquerez.

Encerrou a busca de um novo ponta para o lugar de Dudu

Luan em jogo contra a equipe do EC Bahiano Allianz Parque (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

Abel tentou com Mayke na direita e Artur invertido, na esquerda. Tentou com Breno Lopes e até com Kevin, o que foi melhor entre os candidatos. Mas ninguém conseguiu algo parecido com o que Dudu entregava ao time como ponta-esquerda.

A formação com três zagueiros cessou a necessidade de encontrar essa peça. Hoje, o Palmeiras atua com Endrick e Breno Lopes afunilando, com os laterais passando e indo ao fundo e com os volantes mais próximos da criação.

Zé Rafael e Ríos ajudando mais na frente

Luan, que também sabe atuar como cabeça-de-área, dá “um passo à frente” depois que o time sai para o jogo e se posiciona como um volante. Isso faz com que Zé Rafael, pela esquerda, e Ríos, pela direita, se aproximem de Mayke ou Piquerez, e de Endrick ou Breno, sempre com a supervisão de Raphael Veiga.

Ter dois jogadores fortes na retomada e habilidosos para romper linhas e entrar na área aumentou muito o poder de fogo do Alviverde. Contra o São Paulo, por exemplo, Zé Rafael sofre o pênalti que dá origem ao terceiro do Palmeiras no humilhante 5 a 0.

Sem contar que diminuiu o fardo de Raphael Veiga, que foi o único homem de criação do Palmeiras por alguns jogos – não por acaso, os piores do time no ano. Com essa formação, Veiga retomou seu ótimo futebol.

Possibilidade de mais mudanças táticas sem substituir

Mayke é um dos jogadores mais utilizados por Abel Ferreira em outra posição (Foto: Icon Sport)

O trio de zagueiros também aumentou o leque de opções de Abel para mudar o time com a bola rolando, sem recorrer a substituições.

Como dito acima, Luan sabe jogar como volante. E Gómez, como foi no segundo tempo com o Botafogo, sabe atuar como lateral pela direita, se Abel precisar trazer Mayke mais para dentro e aumentar a superioridade numérica em cima da última linha do adversário, por exemplo.

Sem mexer muito na tática formalmente, mas permitindo menos preocupação defensiva, atuar com três zagueiros dá ainda mais mobilidade ofensiva para Murilo e Gómez, que já são muito fortes na frente, jogarem ainda mais soltos em lances esporádicos.

Mais senioridade para o time

Luan trouxe também um reequilíbrio na parte da experiência. Rodado, vencedor e conhecedor como poucos das dificuldades de se jogar no Palmeiras, o camisa 13 trouxe de voltta um pouco do “peso institucional” que Dudu agregava.

E como Mayke roubou a posição de Rocha, Abel voltou a ter três dos seus quatro capitães em campo ao mesmo tempo: Gómez, Luan e Weverton.

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Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023
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