Brasileirão Série A

Juiz explicar decisão do VAR ao vivo fará bem ou mal ao futebol brasileiro?

Em decisão aprovada pelos clubes que disputarão o Brasileirão 2024, a CBF definiu que os árbitros explicarão suas revisões no VAR nos alto-falantes dos estádios

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e representantes dos 20 clubes participantes da Série A do Campeonato Brasileiro 2024, incluindo capitães das equipes, aprovaram, em reunião realizada nessa terça-feira (5) na sede da entidade, novidades para esta edição da competição. Entre as mudanças, que englobam novo limite de jogadores estrangeiros, que foi de sete para nove, e pausa durante Datas Fifa, uma decisão, em especial, chamou a atenção: Os árbitros vão explicar as decisões revisadas pelo VAR ao público durante os jogos.

Conforme divulgou a CBF, os anúncios serão feitos pelos microfones que os árbitros já utilizam durante os jogos. A iniciativa foi testada durante a final da Supercopa Feminina, disputada no dia 18 de fevereiro, entre Corinthians e Cruzeiro, na Neo Química Arena, e vencida pelas Brabas. Na ocasião, a árbitra Deborah Cecília Cruz Correia anunciou para os torcedores presentes a anulação do gol da atacante Byanca Brasil, das Cabulosas, marcado na reta final da partida após um toque no braço durante rebatida de bola.

A mudança gerou muita discussão entre os torcedores, que se dividiram entre apoiar a iniciativa e achar que se trata de mais uma forma de tapar o sol com a peneira e focar nos verdadeiros problemas da arbitragem brasileira. A Trivela, então, pediu para seus setoristas opinarem sobre a decisão da CBF. Confira:

Alecsander Heinrick Atlético-MG

— Acho ótimo, desde que a comunicação seja bem feita. O árbitro precisa explicar exatamente o que viu e como chegou a decisão que teve. Não pode ser só: “Decisão: pênalti”, por exemplo. Se não fizer certo, pode ser algo que, ao invés de ajudar e deixar mais claro, pode complicar e ficar mais confuso, o que pode acarretar mais revolta das torcidas. Outro ponto que pode contribuir para deixar mais claro é o lance passar no telão enquanto o árbitro fala. Mas, acima disso, o que precisa mesmo é de um padrão na arbitragem brasileira. Não adianta o árbitro X achar pênalti um lance e, no jogo seguinte, o árbitro Y achar que um lance extremamente parecido não é pênalti, por exemplo.

Bruno Lima Santos

— Aparentemente a intenção é boa. É mais uma tentativa da CBF de mostrar aos torcedores presentes no estádio a honestidade dos árbitros. Vai mudar em alguma coisa? Provavelmente não, porque o problema da arbitragem no Brasil não é de comunicação com quem assiste aos jogos. É de qualidade mesmo. Com essa iniciativa, a CBF e a comissão de arbitragem precisam profissionalizar os árbitros. Enquanto isso não ocorrer, teremos outros campeonatos organizados pela entidade com seguidos erros, uns mais graves do que os outros, além de dirigentes e técnicos se revezando a cada rodada com acusações de que o sistema quer prejudicar suas respectivas equipes.

Caio Blois — Fluminense

— A novidade soa como positiva por denotar mais transparência. Teoricamente, as grandes pausas para as checagens do VAR agora terão certa dose de entretenimento. De todo jeito, temo que as paralisações fiquem ainda maiores e quebrem o ritmo do jogo. Embora não seja ruim, a medida tampouco resolve os problemas da arbitragem brasileira, que precisa de profissionalização e padronização de critérios. A comunicação vai melhorar, mas está longe de ser o grande problema.

Diego Iwata Lima — Palmeiras

— É uma medida interessante do ponto de vista informativo e educativo. Também adiciona uma camada de entretenimento. Mas nem de longe é algo fundamental para o andamento do jogo, tampouco vai melhorar os grandes problemas: a qualidade dos profissionais e o desrespeito de técnicos e jogadores com a equipe de arbitragem.

Eduardo Deconto — São Paulo e Seleção Brasileira

— A divulgação das decisões em áudio para todo o estádio é um passo a mais no caminho da transparência sobre o uso do VAR. Vai ajudar a entender as decisões e, quem sabe, até a reduzir as polêmicas com a arbitragem. O ponto de questionamento válido seria o quanto isso afetará o andamento das partidas, mas convenhamos: o VAR no Brasil já demora tanto, que o impacto de esclarecer a decisão no sistema de som para que todos entendam não fará lá muita diferença. Acho uma inovação benéfica para o jogo.

Gabriel Rodrigues — Botafogo e Vasco

— Ao mesmo tempo em dá mais transparência para as decisões dos árbitros, o anúncio ao vivo para o público e para os jogadores pode aumentar ainda mais a pressão nos juízes. Uma decisão polêmica também pode acirrar os ânimos no estádio, tanto no gramado como nas arquibancadas. Acredito que o anúncio das decisões no telão, como já vem sendo feito, estava de bom tamanho. A CBF poderia se preocupar em qualificar os árbitros, o que certamente ajudaria mais na qualidade e no andamento das partidas.

Guilherme Xavier — Flamengo

— A nova medida divide opiniões na minha cabeça. Pelo lado positivo, a transparência se destacaria como um novo aspecto da partida. A arbitragem jamais precisou dar declarações públicas, antes, durante ou depois do jogo. Ou seja, pode aumentar a credibilidade das decisões. A questão é que, como tudo no futebol brasileiro, isso pode criar ainda mais polêmicas. Uma decisão errada, citada ao público, pode fazer com que o árbitro perca de vez o controle da partida. Vai depender do nível da arbitragem, que, infelizmente, é péssimo no Brasil.

Maic Costa Cruzeiro

— Enxergo como uma decisão acertada, afinal, na grande maioria das vezes o torcedor do estádio e o de casa não entende ou fica sem saber que critérios o árbitro utilizou na interpretação de lances no VAR. Como a CBF jamais conseguiu disponibilizar as gravações de todos os lances revisados na íntegra e o “Papo de Arbitragem”, quadro da entidade que comenta as polêmicas do apito após cada rodada, servir para Wilson Seneme, Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, defender basicamente todas as decisões dos apitadores, esta se torna uma forma de dar mais transparência aos processos decisórios nas partidas.

Fica apenas a interrogação acerca do tempo de duração dessa comunicação e se ela será feita com clareza, levando-se em conta que a operação do VAR brasileiro costuma ser bem lenta.

Nícolas Wagner — Grêmio e Internacional

— Creio que a novidade é positiva, porque agregará transparência a um processo que tem sido muito nebuloso nos últimos anos e, assim, gerado muitas polêmicas. A explicação da decisão tomada com auxílio do VAR aproxima o futebol de outros esportes nos quais o vídeo funciona com êxito há muito tempo, como no futebol americano e no basquete.

Foto de Maic Costa

Maic CostaSetorista

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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