Por que James disse ‘não’ ao Botafogo antes de virar reforço de peso no São Paulo
James faz estreia como titular do São Paulo justo contra o líder do Brasileirão, que tentou duas vezes a sua contratação

O São Paulo de 2023 é o São Paulo das copas. Sob o comando de Dorival Júnior, um especialista em mata-matas, a equipe está na final da Copa do Brasil após 23 anos e se prepara para disputar as quartas de final da Sul-Americana. Mas neste sábado (19), às 16h (horário de Brasília), os são-paulinos têm um bom motivo para lotar – de novo – o Morumbi: a muito provável estreia de James Rodríguez em casa e como titular do Tricolor.
Quis o destino que uma partida tão emblemática assim fosse não apenas contra o Botafogo líder disparado do Brasileirão. Mas contra o mesmo Botafogo que sonhou e tentou duas vezes a contratação do colombiano antes de ele fechar com o São Paulo.
James foi anunciado pelo Tricolor como reforço digno de lotar aeroporto – o que de fato ocorreu – em 29 de julho. O clube, aliás, fez a melhor janela de transferências do país, ao oficializar dias mais tarde o retorno de Lucas Moura. Dois nomes para mudar o patamar da equipe na briga por títulos.
O anúncio do acordo por duas temporadas foi o desfecho de longos 30 dias de negociações, desde a conversa inicial da diretoria com o atleta e seus representantes. Muito antes disso tudo acontecer, o Botafogo tentou por duas vezes a contratação do colombiano. Ambas tentativas frustradas pelo mesmo motivo: a (falta de) vontade do atleta.
Por que James disse não duas vezes ao Botafogo?
Ver James Rodríguez com a camisa do Botafogo era um sonho antigo de John Textor, dono da SAF do clube. O empresário norte-americano fez uma primeira investida para contratar o colombiano em junho de 2022, quando o meia defendia o Al-Rayyan, do Catar.
O clube catari chegou a aceitar a proposta de 5 milhões de euros (cerca de R$ 27,7 milhões) sinalizada pelo Botafogo pelo atleta. Mas James não estava convencido a voltar à América do Sul, e sua prioridade de voltar para a Europa falou mais alto. Foi o primeiro não.
Depois disso, James assinou com o Olympiacos, da Grécia, seu último clube antes do São Paulo. Em uma temporada por lá, o meia fez antes de encerrar seu contrato e ficar livre no mercado, em abril.

Foi então que o Botafogo fez uma segunda investida pelo colombiano. Textor chegou a admitir publicamente a tratativa para contratar James e que a negociação dependia de um fator: ouvir da boca do atleta que ele queria vestir a camisa do clube.
– Gosto de olhar esses grandes jogadores, é um caso parecido com Cavani, Zahari… Venho olhando o James há muitos anos, meus filhos também. Esses jogadores precisam querer ser escolhidos, querer estar aqui, precisam querer jogar. É verdade que falamos com o representante. Mas até ele dizer que quer jogar aqui, esse é o momento-chave para mim. Ele precisa pegar o telefone e dizer que quer jogar no Botafogo. Isso ainda não aconteceu. Vamos continuar olhando, mas nada aconteceu até o momento – disse Textor.
O clube carioca teve até uma proposta recusada pelo atleta por considerar os valores baixos. Textor insistiu com uma nova oferta. Mas o problema é que, de novo, a conversa emperrou na vontade do jogador. James nunca disse as palavras que o norte-americano tanto queria ouvir. Sua prioridade sempre foi voltar à Europa, onde defendeu gigantes como Real Madrid e Bayern de Munique, além do Porto e do Everton. Uma entrevista do meia à Win Sport, da Colômbia, em maio, deixa isso bem claro.
– Vai aparecer algo bom. Na Europa, as coisas vão começar a se mexer em junho e julho, e vamos buscar quem queira um 10. Tenho talento, qualidade e sou uma pessoa que gosta de trabalhar, muito profissional. Sei que muitos duvidam, mas não me importa o que digam aí fora, sei o que sou e o que posso entregar – afirmou o jogador.
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E por que James disse “sim” ao São Paulo?
Para a sorte do São Paulo, a previsão de James estava errada. Passou junho, chegou julho, e as propostas europeias esperadas pelo craque nunca apareceram. Quem surgiu foi o São Paulo. E logo de cara, veio o sinal positivo do colombiano. O lateral Rafinha, companheiro do meia no Bayern, também participou das conversas e insistiu para que James viesse ao Brasil.
– Quando disseram que o clube queria me contratar, pensei dois ou três dias, mas foi rápido. Clube estava fazendo esforço grande, eu também. Foram muitos fatores. O clube é muito grande, todos sabem, gosto de ganhar títulos. É perfeito. Estou feliz, falei com o Rafinha quatro dias seguidos. Foi um fator importante – disse o meia, em sua entrevista de apresentação.
Foi o ponto de partida para uma longa negociação, sempre sob o aval do “sim” quase imediato ouvido da diretoria por James. O colombiano gostou dos valores propostos pelo clube e do projeto apresentado pelo clube, que aliou tanto a parte esportiva quanto o que está fora do campo: o meia chegou para ser a referência da equipe e também o “rosto” do São Paulo nos dois anos de contrato. Tanto que há uma vasta linha de produtos que serão comercializados com as marcas do Tricolor e do atleta.
#Brasileirão ??
James Rodríguez em sua estreia pelo São Paulo:
⏰ 24 mins jogados
?️ 1 grande chance criada
✅ 17/19 passes certos (!)
↗️ 2/2 bolas longas certas (!)
? 1/3 chutes no gol
? 1/1 drible certo
? 2/3 duelos ganhos
? 4 bolas recuperadas (!)
? Nota Sofascore 7.0 pic.twitter.com/1ZXhRgzk6W— Sofascore Brazil (@SofascoreBR) August 14, 2023
Dorival indica James titular contra o Botafogo
Minutos após festejar muito a vitória sobre o Corinthians e a vaga na final da Copa do Brasil, na última quarta-feira, Dorival Júnior afirmou que a ideia é que James seja titular neste sábado. A expectativa é de que ele atue ao menos 45 minutos, parte do plano desenhado pela comissão técnica para o colombiano.
Como James vem de um longo período sem atuar desde que ele rescindiu com o Olympiakos, Dorival e seus auxiliares tratam o seu aproveitamento com cautela. O colombiano estreou e jogou alguns minutos contra o Flamengo, no último domingo. O tempo em campo faz parte do planejamento para que ele acelere a retomada da condição física e de ritmo de jogo.
– O James tem o lado técnico e quando tem a técnica, ele talvez não precise do seu melhor fisicamente falando. Logicamente temos um pouco mais de paciência. Daqui a pouco, o James vai estar numa condição melhor. Pode até iniciar nessa partida seguinte para que possamos ir acompanhando a sua evolução e vendo a sua melhora até se sentir confortável e recuperado – disse Dorival.
Com James entre os titulares, o treinador deve armar o São Paulo com uma escalação alternativa na partida deste sábado. A ideia é preservar forças depois da classificação na Copa do Brasil e já de olho no duelo com a LDU, na próxima quinta-feira (24), às 19h (horário de Brasília), no Estádio Casa Blanca, em Quito, pelo jogo de ida das quartas de final da Sul-Americana.



