Brasileirão Série A

Hulk, Paulinho, Arena MRV e a nova chance do Atlético-MG de afundar o Cruzeiro

No primeiro clássico da casa nova, o Atlético-MG tem a chance de botar o dedo na ferida e piorar a crise vivida pelo Cruzeiro

Embalado com uma grande vitória contra o Palmeiras em pleno Allianz Parque, o Atlético-MG vai receber o Cruzeiro no próximo domingo (22), na Arena MRV, para o primeiro clássico da história do estádio. O Galo, mais uma vez, vai encarar um rival muito frágil em todos os aspectos, podendo afundá-lo de vez em uma grande crise.

Historicamente o Atlético teve algumas oportunidades de afundar o Cruzeiro ou “passar o carro” no maior rival, mas quase nunca conseguiu concretizá-la. A mais famosa das oportunidades aconteceu em 2011, na última rodada do Campeonato Brasileiro, quando o Galo só precisava vencer para rebaixar a Raposa pela primeira vez. Ao invés disso, saiu de campo com um sonoro 6 a 1 na cabeça. Anos depois, em 2018, o Alvinegro pareceu ter a chance de devolver esse placar histórico ao abrir 3 a 0 no primeiro jogo da final do Mineiro. Avassalador, o Galo tirou o pé e ainda viu Arrascaeta marcar um gol que, no jogo seguinte, fez a diferença para dar o título ao rival.

No ano seguinte, o pior da história do Cruzeiro, os times se enfrentaram nas oitavas da Copa do Brasil e, mesmo em melhor fase, o Atlético levou 3 a 0 no primeiro jogo e só conseguiu diminuir a diferença com um 2 a 0 na volta, sendo eliminado. Mas, no Brasileiro, o Galo cumpriu seu papel e venceu um jogo e empatou o outro, finalmente ajudando a rebaixar o arquirrival. Já em 2021, o Alvinegro teve pela frente um dos piores times da história da Raposa, enquanto tinha um “supertime”. Resultado final? 1 a 0 para os celestes.

São vários os casos que o Atlético teve de implantar crise no Cruzeiro, afundá-lo ainda mais ou aplicar uma goleada histórica, mas que o time atleticano sempre falhou na hora H. Agora, a oportunidade surge de novo, e o Galo tem muito material para, quem sabe, aplicar isso tudo junto.

Cruzeiro em crise e Atlético evoluindo

Apesar da derrota em casa para o Coritiba, o Atlético tem uma ótima sequência na competição e incluiu nela uma importante vitória contra o Palmeiras fora de casa, algo que não acontecia há seis anos. Com moral, o time de Felipão tem nas mãos a chance de afundar o Cruzeiro na crise que já vive, pois só venceu dois dos últimos 15 jogos e está na beira do Z4. É claro que, “clássico é clássico” e tudo pode acontecer, fora de campo é uma coisa, em campo pode ser outra, e Scolari sabe disso:

– O Atlético ganhou do Palmeiras em São Paulo e perdeu em casa para o Coritiba, que era o último, e que perdeu para o Cuiabá em casa ontem. Temos que nos preparar, pois todos os jogos são difíceis. O Cruzeiro perdeu, mas domingo vai estar motivadíssimo para o jogo. É um jogo horrível, difícil. Se eles ou nós entendermos que vai ser simples, esqueçam. Vai ser muito difícil vencer o Cruzeiro, mas vamos nos preparar para a vitória e quem sabe dar um grande passo que nos passa para firmar a equipe.

Mas os fatores favoráveis ao Atlético para esse clássico não são poucos – assim como eram muitos nos casos citados acima -, e a Trivela te conta as armas que podem ajudar o Galo a piorar a situação do Cruzeiro.

A dupla Hulk e Paulinho

Melhor dupla do Brasil em 2023, Hulk e Paulinho vivem uma fase espetacular. O camisa 7 participou de sete gols nos últimos jogos em que atuou, tendo balançado as redes nas últimas três partidas. Ao todo, são 25 gols na temporada para o super-herói atleticano, sendo dois deles contra o Cruzeiro, incluindo o da vitória no clássico do primeiro turno.

Mas não só na temporada Hulk vive grande fase, ele também não cansa de quebrar recordes no Atlético e vai em busca de mais. Contra o Palmeiras, ele marcou seu gol de número 90 pelo clube, sendo o 41° no Brasileirão – artilheiro desde que estreou na competição. Atualmente 24°no ranking de artilheiro do Galo, ele está há 10 gols de entrar no top 20. Além disso, é o vice-artilheiro do Alvinegro no século, 22 gols atrás de Diego Tardelli

– Por onde passei, sai pelas portas da frente com grandes números, tanto coletivo quanto individual. Muito feliz em entrar na história de um clube tão grande, com uma torcida tão apaixonada como o Atlético. Espero contribuir por muitos e muitos anos ainda.

Parceiro de Hulk, Paulinho chegou ao Atlético apenas nesta temporada, mas já é dono de marcas expressivas e conquistou um grande carinho do torcedor. Ele completou 50 jogos com a camisa alvinegra contra o Palmeiras, celebrando com um gol e uma assistências, que deixam ele com 22 gols e sete assistências na temporada, números abaixo apenas dos que o camisa 7 tem.

– Fico feliz de marcar um gol nos meus 50 jogos pelo Galo, onde estou me sentindo muito feliz, muito realizado. É o clube que me acolheu neste ano de 2023, que depositou toda confiança em mim – disse Paulinho, que é o artilheiro do Atlético no Brasileirão, com 11 gols.

A Arena MRV, a casa do Atlético

O clássico do domingo será o primeiro da história da Arena MRV, nova casa atleticana. É um fator que, sem dúvida, vai pesar muito em campo. O Atlético não quer perder de jeito nenhum, e nem é tanto pela questão de afundar o Cruzeiro, mas sim, pois sempre ficará nos registros que o primeiro duelo entre os times no estádio teve vitória cruzeirense. Isso, para o Galo e para o atleticano, é pior ainda que ajudar o rival a respirar em meio a crise.

Do outro lado, o Cruzeiro vai para o jogo como se fosse o último prato de comida. Diferente do Atlético, o clube não pode pensar mais nos registros de história, mas sim no momento atual, de sair da fase que está. É claro, vencer agora e daqui 10/50/100 anos relembrarem essa vitória, será incrível, mas mais que isso, ela pode significar a retomada do time no campeonato, um respiro contra o rebaixamento, que seria um desastre se vier.

No fim, o jogo vale muito para os dois. Não vai ser um simples clássico. Vai ser O clássico dos últimos anos. Mas, como citado, o Atlético tem suas vantagens, como o momento e os jogadores que podem fazer muita diferença. Além disso, terá quase 40 mil vozes a seu favor. Pelo contexto atual, de fase técnica e mental bem ruim da Raposa, pode ser a partida perfeita para devolver uma goleada. Mas isso só pode passar pela cabeça dos jogadores se a partida se desenhar para isso. E para esse desenho aparecer, os jogadores vão ter que dar seu máximo e entrar com a mesma fome que o rival está passando por pontos.

O Felipão

Felipão não é necessariamente um dos pontos de grande desequilíbrio do clássico de domingo. Mas pode vir a ser. Isso porque, contra o Palmeiras, o treinador montou um time que fez a melhor exibição sob o seu comando até aqui. A diferença foi a postura. Nos outros jogos, o Atlético fazia um gol e recuava. Com uma defesa sólida, era difícil sofrer um gol e, assim, ele conquistou muitas vitórias na atual sequência. Mas contra o Palmeiras, com um gol logo no primeiro minuto, o time atleticano seguiu em cima e criou pelo menos três ou quatro chances claras de gols.

Essa atitude, a exibição e o resultado contra o Palmeiras, mostram que o Atlético tem sim muito potencial para ser protagonista de um jogo. Por mais que a estratégia de recuar tenha funcionado no segundo tempo, com o segundo gol saindo em um dos contra-ataques que o Galo teve, ficou claro que o time pode mais. Cabe a Felipão impor isso, um time mais criativo, mais ofensivo. Não é a característica principal do treinador, mas ele pode soltar o time às vezes, e o clássico contra o Cruzeiro parece perfeito para isso. Amassar o adversário, que já é frágil técnica e mentalmente, pode trazer ao Galo um grande resultado.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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