Brasileirão Série A

Cruzeiro: Noite mágica de Nikão o coloca de vez em briga por titularidade

Torcedor celeste, Nikão, de 30 anos, esteve próximo de deixar o Cruzeiro, mas chegada de Zé Ricardo ajudou meia a dar volta por cima

Desacreditado no Cruzeiro, o meia Nikão, de 30 anos, viveu meses difíceis no âmbito profissional e esteve perto de deixar seu clube de coração. O jogador perdeu espaço com o treinador Pepa durante o Campeonato Brasileiro, chegando a parar de ser relacionado, para que o número de jogos disputados não atrapalhasse sua busca por um novo destino. Mas o destino, outro, quis que o camisa 10 se mantivesse na Raposa e vivesse uma noite mágica, nessa quinta-feira (14), na Vila Belmiro, estádio marcado pela consagração de alguns “dez”.

Nikão entrou no segundo tempo da vitória importantíssima de 3 a 0 sobre o Santos, em partida válida pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, e fez o que se espera de um jogador que veste a camisa mais icônica do Cruzeiro. O meia infernizou a defesa santista com bons passes e uma visão de jogo privilegiada, terminando o encontro com um gol marcado e uma assistência concedida. Poderiam ser duas, se Filipe Machado não tivesse perdido chance clara após passe milimétrico do camisa 10.

Há de se fazer justiça, também, pois em outras partidas em que entrou, Nikão deixou seus companheiros na cara do gol, mas estes acabaram desperdiçando as oportunidades criadas pelo meia. Se seus colegas ajudassem, os números do mineiro de Montes Claros seriam melhores no Brasileirão.

Mas o que passou, passou, e Nikão, hoje, olha para a frente. Com a atuação na última partida e o mau momento de Mateus Vital, que voltou a fazer partida apagada, e ainda sem a presença de Mateus Pereira, em fase final de recuperação de lesão, o camisa 10 do Cruzeiro entrou de vez na briga por uma vaga no time titular de Zé Ricardo, algo que parecia extremamente distante desde as primeiras rodadas do Brasileirão.

Confira alguns números de Nikão em Santos 0 x 3 Cruzeiro:

  • Minutos jogados: 27
  • Gols: 1
  • Assistências: 1
  • Toques na bola: 11
  • Acerto no passe: 100% (6/6)
  • Passes-chave: 2
  • Grandes chances criadas: 2
  • Finalizações (no alvo): 1 (1)

Reviravolta após demissão de Pepa

Era de se esperar que com a troca de treinador, alguns jogadores em baixa tivessem sobrevida no Cruzeiro. Esse foi o discurso público de Zé Ricardo em sua chegada ao clube e Nikão parece ter reagido bem. O jogador, inclusive, deu uma declaração de pós-jogo onde elogiou o trato do novo comandante com os jogadores, o que foi visto por muitos como uma indireta para Pepa.

— Para mim é uma mistura de sentimentos. Só Deus e minha família, minha esposa, meus dois filhos, João e Thiago, sabem o que eu passei. Passei por um momento muito difícil profissionalmente. Mas estou muito feliz de ter feito o gol hoje, de ajudar o Cruzeiro a conseguir essa vitória, que já há algum tempo não vinha. Feliz pela vinda do Zé (Ricardo), que é um cara que me deu total confiança. É um cara que é muito bem visto no meio do futebol, sua gestão, sua maneira de lidar com o atleta. Esse gol dedico a ele e a todos, funcionários, atletas que, nesse tempo que eu fiquei sem jogar estiveram ali comigo me dando apoio — falou Nikão na entrevista de pós-jogo, antes de partir para o vestiário.

Em entrevista à Globo, publicada na quarta-feira (13), Pepa falou sobre o assunto Nikão e admitiu que houve falha na condução da situação do meia.

— O Nikão talvez não tenha sido bem gerido por tudo e por todos. Não é culpa do Nikão, do Pepa, do Pezzolano. Aconteceu que o Nikão ficou muito tempo sem jogar, talvez deveríamos ter recuperado ele mais cedo para nos ajudar mais cedo. Não fez um bom estadual, depois caiu um pouquinho. Mas são fases. Aconteceu com Nikão, com Gilberto, com Marlon, com Vital, com todos. Portanto, não são erros, são pequenas coisas — disse Pepa.

Após ser titular durante o Campeonato Mineiro, Nikão caiu de rendimento e não conseguiu manter o nível com a chegada de Pepa. O jogador viu seus minutos em campo ficarem escassos e uma saída ficou iminente até que, após decisão conjunta entre jogador, diretoria e comissão técnica do treinador português, foi reintegrado, passando a atuar nos minutos finais de alguns jogos. Ele não teve muito destaque, mas como dito anteriormente, as más definições de seus companheiros o atrapalharam a construir números melhores.

Como Nikão pode jogar no Cruzeiro?

Nikão entrou em campo contra o Santos na vaga de Mateus Vital. O jogador atuou, majoritariamente, na ponta direita, mas com a incumbência de se projetar para a região central do campo. Vital, que teve mais minutos em campo, ocupou, majoritariamente, a ponta esquerda. O camisa 7, que é destro, se movimentou por outras regiões do campo, mas esteve na maior parte do tempo no lado oposto de seu pé dominante.

Mapa de calor de Mateus Vital em Santos 0 x 3 Cruzeiro
Mapa de calor de Mateus Vital em Santos 0 x 3 Cruzeiro – Foto: Sofascore

Com isso, caso Nikão ganhe a vaga de Vital, o que seria natural, com o mau momento do camisa 7, Zé Ricardo provavelmente promoverá mudanças de posicionamento do time. Ainda há a possibilidade de 10 celeste entrar na vaga que foi de Wesley, como um legítimo ponta direta, mas com funções e movimentação que corrobore mais com suas características. Um esquema diferente, com dois volantes e dois meias, também pode ser interessante.

Ao que parece, o próprio Nikão não gosta de atuar centralizado, o que seria uma opção caso Zé Ricardo deseje utilizar o clássico 4-2-3-1. Ainda assim, números de esquemas podem ser pontos não tão relevantes quando se há uma movimentação definida e uma leitura de jogo inteligente, assim como aconteceu contra o Santos.

Nikão não é um jogador de velocidade e se destaca mais pelas potentes finalizações de perna esquerda, além de ser um meia de poucos toques na bola, que busca encontrar espaços para os companheiros. Por isso, para que esteja em seu melhor, é interessante que o camisa 10 tenha espaço para receber a bola e consiga jogar perto do gol, para finalizar.

Mapa de calor de Nikão em Santos 0 x 3 Cruzeiro
Mapa de calor de Nikão em Santos 0 x 3 Cruzeiro – Foto: Sofascore

Com Pepa, Nikão normalmente entrava como um ponta aberto, já que o português gostava de maximizar a amplitude do campo, mas isso acabava o deixando longe do gol. Sendo um jogador de pouca condução e velocidade, o camisa 10 tinha algumas de suas principais qualidades minimizadas pelo esquema.

O Cruzeiro volta a campo na próxima quarta-feira (20), onde enfrentará o Fluminense, no Maracanã, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. O contexto da partida será diferente e o time de Zé Ricardo terá pela frente um adversário muito mais qualificado e organizado que o Santos. É improvável que Nikão encontre tanto espaço quanto encontrou no meio de campo esvaziado do Peixe e a entrega defensiva precisará ser maior. Mas caso o camisa 10 seja escalado, o torcedor terá a certeza que sim, ele pode ajudar.

 

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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