Partida anti-Pepa deu vitória ao Cruzeiro em momento crítico
Cruzeiro quebrou ‘script’ de outros jogos e conseguiu voltar a vencer ao bater o Santos, por 3 a 0, na Vila Belmiro
Santos e Cruzeiro entraram em campo na noite desta quinta-feira (14), na Vila Belmiro, sabendo que o confronto entre a dupla seria de vida ou morte. O Peixe, na zona de rebaixamento, precisava desesperadamente do resultado, enquanto o Cruzeiro, cinco pontos e quatro posições acima, entendia que uma derrota para um adversário direto na briga contra o rebaixamento, acumulada a má fase do clube, poderia ter resultados catastróficos.
No lado celeste, a partida marcava a estreia do treinador Zé Ricardo, contratado para substituir o português Pepa, demitido após longa sequência de resultados ruins. Apesar de Zé manter a base do time de seu antecessor — a única mudança foi a entrada de Gilberto como titular no ataque, mudança causada pela lesão de Rafael Elias, que vinha jogando —, podemos dizer que o jogo correu pelo lado oposto do que costumava com o antigo comandante.
Contra o Santos, o Cruzeiro fez algumas coisas que não eram comuns com Pepa: jogou tão mal quanto seu adversário até fazer seu primeiro gol, balançou as redes numa jogada de escanteio, segurou e aumentou o placar, teve participação de Nikão em dois tentos, marcou três vezes e, o mais importante, venceu. Um 3 a 0 que além de dar um up na confiança do time celeste, joga mais uma pá de terra sobre um adversário que se desmancha.
Santos e Cruzeiro fizeram primeiro tempo muito ruim
O primeiro tempo de jogo foi, com o perdão da expressão interiorana, “feio como uma briga de foice no escuro”. Sobrou entrega, vontade, disposição, carrinhos, chutões, entradas duras, divididas, passes errados, bate rebates e decisões ruins. Faltou o restante. Na etapa inicial, o Cruzeiro não conseguiu ser superior ao Santos, o que assustou o torcedor mais ansioso. Não por desmerecer o rival paulista, mas pelo fato de que, com Pepa, o time celeste frequentemente atuava melhor que os adversários.
Quando a etapa inicial se encaminhava para um fim melancólico, eis que surgiu mais um fato contrário ao que o cruzeirense se acostumou a ver com Pepa. Após Lucas Silva bater escanteio, a cabeçada de Matheus Jussa contou com um desvio da zaga para terminar com a bola dentro do gol. A jogada aérea ofensiva era, sem dúvidas, um dos pontos de maior deficiência do Cruzeiro com o português. O torcedor celeste se acostumou a ver uma enormidade de escanteios desperdiçados por jogo, com exceção de um dos gols da Raposa na partida contra o Athletico-PR, pela 17ª rodada.
O gol de Jussa foi chorado, um desvio foi necessário para direcionar a bola. Mas um gol de jogada de escanteio do Cruzeiro só poderia trazer bons presságios.
?️RESUMO DA COLETIVA DO ZÉ RICARDO
Lembrando que podem haver erros de interpretação/entendimento, por isso a melhor forma de compreender tudo é assistir com calma, na íntegra.
Dito isso, bora?
?Gustavo Aleixo/Cruzeiro pic.twitter.com/XOJX2nTB17
— Maic Costa (@omaiccosta) September 15, 2023
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Cruzeiro teve segunda etapa dos sonhos
Na segunda etapa, mais um desafio surgiu e o Cruzeiro passou a ter a necessidade de segurar o placar e, se possível, ampliá-lo. Com Pepa, essa não era uma tarefa fácil. Em parte das vezes que o time celeste celeste abriu o placar, acabou cedendo gols e perdendo pontos. As chances de aumentar a vantagem eram sistematicamente desperdiçadas e os 1 a 0 dificilmente pareciam garantia de três pontos.
Bem, de sua maneira, após sofrer nos primeiros minutos para um Santos que se atirou ao ataque, Zé Ricardo fez boa leitura de jogo e foi efetivo para explorar o buraco deixado no meio de campo santista com as alterações de um desesperado Diego Aguirre.
Zé Ricardo não só quebrou a escrita e ampliou o placar como fez isso com participação direta de duas de suas alterações. Bruno Rodrigues e Nikão entraram com tudo e foram os nomes do segundo e terceiro gol. O camisa 10 quase deixou o clube por não conseguir oportunidades com Pepa e vinha sem participar de gols desde janeiro. Mais uma mudança brusca no que se via com o antigo treinador, somada ao fato do Cruzeiro conseguir ser efetivo no ataque e marcar mais de uma vez num jogo, fato raro nos últimos tempos.
O apito final encerrou uma noite que pareceu de sonho para um Cruzeiro que poderia sonhar com um placar ainda maior. A cada minuto, com o adversário definhando em seus próprios domínio, a impressão era que o time celeste poderia fazer mais e mais e mais. Só que após jogos como contra Palmeiras e Corinthians, o apito final foi um alento e o cruzeirense, que pouco pôde celebrar vitórias em 2023 — eram apenas dez até antes de 21h de ontem (14) —, teve um impulso para um dia seguinte feliz.
É importante frisar que a intenção desse texto não é tecer críticas a Pepa e nem exaltar o ainda embrionário trabalho de Zé Ricardo. Se trata da constatação de um cenário. As histórias repetidas jogo após jogo no Cruzeiro irritavam o torcedor e tinham quase sempre um final triste. Nesta quinta, tudo foi diferente. E o time celeste, enfim, venceu. Grande alívio para a parte azul de Minas Gerais.



