Brasileirão Série A

Aliviado, Coudet desabafa após vitória do Internacional na estreia no Brasileiro

Vitória sobre o Bahia encerrou sequência de quatro empates do Internacional e aliviou o técnico Eduardo Coudet, que aproveitou para rebater críticas da imprensa

O Internacional iniciou o Campeonato Brasileiro pressionado após quatro empates consecutivos — dois com o Juventude, para quem foi eliminado na semifinal do Campeonato Gaúcho, e um com o Belgrano, da Argentina e com o Real Tomayapo, da Bolívia, pela Copa Sul-Americana. A vitória de virada, por 2 a 1, sobre o Bahia, na noite deste sábado (13), no Beira-Rio, reestabeleceu a tranquilidade, e naturalmente deixou o técnico Eduardo Coudet aliviado. Ainda que ele entendesse que a situação não era tão grave assim.

— Acho que o momento não deveria ser para tanta pressão. Todos queríamos vencer no outro dia na Sul-Americana. Mas finalizamos 34 vezes, inacreditável não termos feito gol. Às vezes a bola não quer entrar. Obviamente é um déficit. Mas minha tranquilidade é que criamos. […] O grupo trabalhou bem, e fizemos uma partida com personalidade para buscar o resultado. Sempre quero que sejamos mais efetivos. Acho que podemos jogar melhor, mas é difícil jogar bonito com a pressão no início — avaliou Coudet.

A pressão a que o treinador se refere partiu da própria torcida colorada, que vaiou seu nome e os de Renê e Maurício quando a escalação do Inter foi anunciada antes do começo da partida no Beira-Rio. Principal organizada do clube, a Guarda Popular novamente não trouxe bandeiras e instrumentos, enquanto a Super Fico estendeu suas faixas de cabeça para baixo.

‘Tem quatro, cinco jornalistas aqui que me assassinam’, diz Coudet

Coudet entende que muito dessa pressão e cobrança da torcida passa pelas críticas sistemáticas que recebe de alguns membros da imprensa. Segundo o treinador, os mesmos que o atacavam em sua primeira passagem pelo Inter, em 2020. Diante disso, ele voltou a usar uma frase que já virou sua marca registrada.

— Vou voltar a dizer: não consumam m****. Tem quatro, cinco jornalistas aqui que me assassinam. Nunca fui desrespeitoso. Em 2020 me fritavam, hoje também. Para eles, sou o pior treinador do mundo. Mas os números não são tão ruins, né? […] Será que é tão lindo são os programas deles? Nunca pedem a cabeça deles. Alguns dizem ser torcedores do colorado. Acham que geram algo bom para o clube? E eles estão em um camarote fechado, não vão no meio da torcida porque sabem o que pode acontecer. Aproveitei que ganhamos, a próxima vez que empatarmos…. eu não tenho problema, tenho personalidade — desabafou.

Jovens são os mais pressionados, e Coudet tem preocupação especial com eles

Nesse contexto de pressão, Coudet tem particular preocupação com os jovens. Jogadores como Robert Renan e Maurício foram muito criticados depois da eliminação para o Juventude, no Gauchão. O zagueiro, que desperdiçou pênalti ao tentar cavadinha, não tem sido relacionado nos últimos jogos.

— Os jogadores jovens têm que se acostumar com essa pressão. O futebol mundial é assim. O principal responsável de tudo sou eu. Eu quero os jogadores tranquilos. Jogadores jovens convivem com erros. Sempre convivemos com erros, mas vai melhorando ao longo do tempo. São grandes jogadores todos, trabalham de grande forma. Vão recuperar o melhor nível, cada um, não tenho dúvida. Estamos em um mundo, com os telefones… imagina se vejo depois desses quatro jogos. Eles tem que conviver com isso. Eu não convivo, porque acho que as redes sociais são muito passionais. Quando Inter ganha, ‘vamo, muito bem’. Quando perde, ‘p… que pariu’. O futebol é duro. Os jovens tem que conviver com tudo isso — refletiu Coudet.

Coudet dá pista sobre planejamento para sequência de três jogos fora

Depois da tranquilidade proporcionada pela vitória sobre o Bahia, o Inter sai para três jogos fora de casa, contra Palmeiras e Athletico-PR, pelo Campeonato Brasileiro, e Delfín, pela Copa Sul-Americana, em que o Colorado ainda não venceu. Coudet, que sempre ressalta o foco no próximo jogo, dessa vez deu uma pista de que deve preservar na partida no gramado sintético da Ligga Arena, em Curitiba.

— Vamos ver como chegamos. A dificuldade maior é que vamos jogar no estádio do Paranaense. Os jogadores precisam de um dia a mais de recuperação. Uma semana é muito. Ter na cabeça agora um rival fortíssimo que é o Palmeiras. Veremos. O importante agora é recuperar todos jogadores e continuar trabalhando — ressaltou.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho e formado em Jornalismo pela PUC-RS, já passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. É, também, coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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