Brasil

Maurício e Robert Renan têm de lidar com culpa por queda do Internacional

Expulsão de Maurício e cavadinha de Robert Renan na disputa de pênaltis marcaram negativamente a eliminação do Internacional, no Campeonato Gaúcho, para o Juventude

Depois de dois empates, o Internacional perdeu nos pênaltis para o Juventude e sofreu mais uma eliminação no Beira-Rio, na noite de segunda-feira (25), pela semifinal do Campeonato Gaúcho. Além da superioridade tática de Roger Machado sobre Eduardo Coudet nos dois confrontos, atitudes inconsequentes de Maurício e Robert Renan, no jogo da volta, foram determinantes para o insucesso colorado.

Após o Inter buscar o empate e estar melhor no jogo, Maurício perdeu a cabeça e foi expulso diretamente aos 30 minutos do segundo tempo. Estressado com Alan Ruschel, em rusga que iniciou na partida no Alfredo Jaconi, o camisa 27 do Inter foi agarrado por Nenê quando tentava arrancar para receber lançamento de Rochet em contra-ataque, e revidou. Deu um chute no camisa 10 do Juventude, que o VAR não deixou passar e chamou Anderson Daronco para rever.

— Desde o primeiro jogo ali eles tentaram me desestabilizar mentalmente, com diversas pancadas. Foi um momento em que eu tinha ensaiado uma jogada com o Tino, quando ele pegasse na bola e eu ia fazer na velocidade, e ele ia acabar lançando. Na hora que ele pegou na bola eu só olhei para a frente, ele [Nenê] ficou me segurando. E foi o que deu ali, estou aqui para assumir minha culpa — disse Maurício em entrevista na zona mista do Beira-Rio após o jogo.

Maurício dá a ‘cara à tapa' e assume culpa pela expulsão

Apesar da noite infeliz, que ainda contou com atuação abaixo da média, inclusive com chance clara desperdiçada, Maurício foi um dos três jogadores do Inter que pararam para atender a imprensa ao deixarem o estádio. O meia de 22 anos não se omitiu de sua responsabilidade na eliminação colorada.

— Estou aqui primeiramente para assumir minha culpa também. Sei que foi um lance em que eu errei. Sempre dou a cara à tapa para essa situação. Não só nos momentos bons eu venho falar, mas também momentos como esse em que a gente tem que assumir. Grupo todo está muito triste. Infelizmente não conseguimos a classificação. Ficamos mais uma vez na disputa de pênaltis. Agora nos resta trabalhar para ir para o próximo campeonato e buscar classificação, seguir na briga pelos títulos — frisou Maurício.

Coudet não sabia que Robert Renan cobrou pênalti de cavadinha na Rússia

O outro grande vilão da queda do Inter para o Juventude foi Robert Renan. O zagueiro de 20 anos entrou nos acréscimos do segundo tempo no lugar de Vitão, que sentiu cãibras. Na sétima cobrança colorada na disputa de pênaltis, o jovem defensor tentou repetir o que fez na Rússia, quando garantiu o título da Supercopa para o Zenit em uma cavadinha. Porém, desta vez a ousadia não rendeu o efeito esperado, e Gabriel Vasconcelos, que já estava caindo para o outro lado, voltou e encaixou.

— Eu não sabia isso da Rússia. Na lista que passamos para chutar, passamos até o sexto homem, que era Bruno [Gomes]. Depois, eram os jogadores que estavam. Mas não quero colocar a responsabilidade em um menino de 20 anos. Não falei com ele por que tomou essa decisão — revelou Coudet na entrevista coletiva após o jogo.

‘O futebol e a vida estão aí para ensinar', diz Alan Patrick

Quem também cumpriu o papel hierárquico de não crucificar os companheiros foi Alan Patrick. Mas o capitão colorado alertou Robert Renan e Maurício para a consequência de seus atos em um clube do tamanho do Inter, e espera que os jovens jogadores aprendam com os erros cometidos.

— Quando se joga em alto nível, se joga em uma equipe gigante como é o Internacional, acho que temos que ter essa noção de que tudo que você fizer tem uma repercussão muito grande. No lance do Maurício, no momento, acabou tendo uma reação. Tanto ele quanto o Robert são jovens, não dá também para a gente depositar tudo na conta desses jovens. Todos nós temos responsabilidade. Acho que cabe essa autoreflexão para todos nós. Robert é jovem, com certeza vai ser uma lição para a vida dele. Claro que é um momento difícil para ele, para todos nós, para o torcedor. A gente sabe como funciona o futebol. Porém, tem que dar força. Não cabe a nós julgarmos, condená-lo. Obviamente ele mesmo vai refletir, fazer a autoanálise. O futebol e a vida estão aí para ensiná-lo — frisou Alan Patrick.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho e formado em Jornalismo pela PUC-RS, já passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. É, também, coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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