Empate com o Grêmio deixa mensagens importantes à diretoria do Corinthians
Motivos que explicam a boa atuação e a ausência de vitória corintiana precisam ser trabalhados pela direção corintiana durante a pausa para o Mundial
Mesmo jogando melhor, o Corinthians não venceu o Grêmio, nesta quinta-feira (12), pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Embora o resultado de 1 a 1 não seja de todo ruim, já que a partida foi em Porto Alegre, ele poderia ser melhor por conta das circunstâncias do jogo.
O Timão foi melhor, sobretudo no primeiro tempo, e mereceu deixar a arena gremista com os três pontos.
A responsabilidade pelo resultado corintiano ser pior que a encomenda, porém, foi do sistema defensivo. E nele está o primeiro recado à diretoria corintiana: o setor precisa ser reforçado. Com urgência.
O Grêmio abriu o placar aos 28 minutos do primeiro tempo, momento em que o Corinthians dominava a partida do meio-campo para frente.
Mas foi com um vacilo de Cacá que o atacante dinamarquês Braithwaite abriu o placar para o time gaúcho na primeira vez em que chegou ao ataque adversário.
Em que pese o mérito da rápida e competente reposição do goleiro Tiago Volpi, encontrando o garoto Alysson pelo lado direito do ataque gremista, o zagueiro Cacá foi deixado para trás com completa facilidade.
A demora na recomposição do lateral-esquerdo Fabrizio Angileri também comprometeu completamente o setor defensivo do Timão.
Sorte a do Corinthians é que não demorou sequer 10 minutos para o empate sair. E com um golaço de Breno Bidon, que acertou um lindo chute de fora da área no ângulo direito de Tiago Volpi.
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O volante, que vive temporada irregular, foi muito bem contra o Grêmio. Atuação potencializada pela presença de Rodrigo Garro.
E nisso está o segundo recado à direção corintiana: o quanto a equipe melhora quando o meia argentino está em campo.
Foi a terceira vez desde que ele voltou de um período de dois meses afastado para se recuperar de uma tendinopatia no joelho direito que o assombra desde a temporada passada. A primeira delas é que foi titular. E atuou 90 minutos.
Com Rodrigo Garro, a distribuição de jogadas e o controle do meio-campo corintiano melhoraram muito, em especial no primeiro tempo. A proximidade com Bidon rendeu ao Corinthians uma criatividade maior. E até mesmo abriu o leque de opções, com Maycon aparecendo pelo lado esquerdo e tramando com Talles Magno pelo setor.
Evolução coletiva não acompanha peças individuais da zaga corintiana, que precisa ser reforçada
Um dos poucos méritos de Dorival Júnior no início de trabalho à frente do Corinthians é a evolução da equipe na parte defensiva.
O gol sofrido contra o Grêmio foi somente o segundo nos últimos sete jogos do Timão.
No entanto, em todas essas partidas, houve, pelo menos, um momento em que vacilos no setor defensivo colocaram tudo a perder. Em Porto Alegre, não foi diferente. A diferença foi que, desta vez, o resultado foi a equipe sofrendo um gol.
Além do vacilo de Cacá no lance em que o Grêmio foi às redes, o companheiro dele, André Ramalho, por vezes também deixou a desejar.
Em um dos lances, a falha de posicionamento e o atraso para impedir a investida adversária quase levou ao segundo gol de Braithwaite, já na etapa final.
Ramalho, inclusive, recebeu o terceiro cartão amarelo e será desfalque do Corinthians na retomada pós-Copa do Mundo de Clubes, quando a equipe alvinegra receberá o Red Bull Bragantino, na Neo Química Arena.
À diretoria e comissão técnica corintiana, a mensagem da partida de hoje é nítida de que o Timão precisa reforçar a zaga para a continuidade da temporada.
Hoje, um atacante de lado é visto como prioridade para o mercado corintiano. A necessidade deste jogador existe, mas é similar ou até mesmo inferior a de um zagueiro que coloque o sistema defensivo da equipe alvinegra nos prumos.
Negligenciar esse setor pode custar muito caro ao Corinthians.
Rodrigo Garro não pode ser negociável na janela de transferências
Diferentemente da diretoria afastada que batia o pé para manter a base do elenco, o grupo que administra o Corinthians de forma interina está muito preocupado com a saúde financeira do clube.
Com isso, é grande a possibilidade de que atletas importantes sejam negociados em caso de propostas com altos valores.
No entanto, pensando no aspecto técnico, isso não pode valer para Rodrigo Garro.
A queda de rendimento do Corinthians esteve atrelada ao período em que o meia esteve parado, em recuperação da tendinopatia patelar no joelho direito.
E a atuação do argentino durante 90 minutos em Porto Alegre já mostrou o quanto a qualidade dele potencializa o restante da equipe.
Rodrigo Garro deu um frescor ao meio-campo do Corinthians, aumentando as alternativas de jogadas, fazendo uma boa dupla com Breno Bidon e permitindo até mesmo Maycon aparecer com qualidade pelo lado esquerdo.
É muito fácil falar sem o peso da caneta e as responsabilidades de sanar dívidas e dar respiro financeiro ao time. Mas negociar Rodrigo Garro na próxima janela de transferências prejudicará muito tecnicamente o Timão para o restante da temporada.