Atlético-MG: Victor é mais um a só repetir discursos na péssima fase do clube
Gerente de futebol do Galo, Victor falou em coletiva apenas as coisas que o torcedor já está cansado de ouvir
O Atlético-MG soma 10 jogos sem vitórias na temporada, uma sequência que não acontecia há mais de 30 anos no clube. Questionados, os jogadores, o técnico Felipão e mais recentemente o diretor de futebol Rodrigo Caetano, adotaram o discurso de que é preciso trabalhar. Nesta sexta-feira (4), o gerente de futebol Victor Bagy repetiu a fórmula.
Victor concedeu entrevista coletiva na manhã desta sexta direto da Cidade do Galo e repetiu os discursos que a torcida do Atlético já está cansada de ouvir há semanas: estão todos “entristecidos e envergonhados” e a única coisa a se fazer é trabalhar para tentar sair dessa fase, e que o que não está faltando é comprometimento de todos.
O ex-goleiro e ídolo do Galo falou também sobre ser um momento que nem ele e nem ninguém no clube viveu na carreira, e que o histórico recente do Atlético, de sempre brigar por títulos, faz essa fase ruim pesar ainda mais. O gerente de futebol, assim como todos os outros citados, falou de recuperar a confiança:
No futebol, as pessoas falam muito que “ah o cara ganha bem, é profissional”, mas ele é humano. Uma palavra que nesse momento precisa ser resgatada é confiança. Quando você vive um bom momento, jogadores que às vezes não tem um grande destaque conseguem se destacar pela confiança. O mesmo acontece quando a fase não é boa, jogadores de alto nível arriscam menos e acabam errando mais na ansiedade de acertar. A confiança precisa ser resgatada, mas isso só vai acontecer com resultados.”
Ataques à imprensa
Na coletiva após o décimo jogo seguido sem vencer do Atlético, na última quarta (2), Felipão optou por dar respostas curtas e atravessadas, ironizando os questionamentos que os jornalistas fizeram à ele. Com isso, ele deixou não só os profissionais na mão como também todos os milhões de atleticanos que buscam uma resposta para a situação. Victor explicou a situação:
– Não estou fazendo papel de advogado, mas estamos em um momento ruim e é sempre muito difícil falar pós-jogo, de cabeça quente. Fui atleta e em um momento como esse é ruim falar. Não estou justificando, mas se fizerem as mesmas perguntas hoje, o trato (do Felipão) vai ser diferente. Somos seres humanos, temos sentimentos e após os jogos é sempre difícil falar – disse o gerente ao defender Felipão pois o conhece muito bem.

Victor também aproveitou para dar uma cutucada na imprensa, afirmando que “existe uma tendência por parte da imprensa de querer implantar e criar crise no elenco”, mas que não há nenhum problema interno, pelo contrário, os jogadores aceitam e aprovam o trabalho de Felipão. O gerente de futebol só não percebeu que nenhum portal que cobre o Atlético citou qualquer tipo de problema interno no clube. As pautas são sempre como o time não joga bem e não ganha os jogos, não há nada sobre problemas no elenco. A crise no Atlético está em campo, nos resultados, e foi “implantada” pela própria diretoria, os jogadores e a comissão que lhe representa.
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Victor afirma que não há erro de planejamento no Atlético
Como Victor demonstrou que entende que a imprensa que está tentando criar crise no Atlético e não o próprio clube que se colocou nessa situação, ele também vê que não houve erro de planejamento da diretoria durante o ano.
– Quando as coisas não dão certo no futebol, vai se falar em falta ou erro de planejamento. Estamos seguindo um planejamento, começamos bem o ano em termos de conquista e performance. O momento é ruim, mas não vejo como um erro de planejamento. Tudo que foi proposto pela diretoria no início da temporada, em termos de planejamento e contratações, temos seguido. Entendemos que temos um elenco qualificado e forte, não à toa o Felipão aceitou vir pra cá pautado na força desse elenco.
Vale lembrar que a diretoria do Atlético planejou o ano todo com o técnico Eduardo Coudet no comando, montando um time nos moldes dele. O Galo “dispensou” seus pontas, como Ademir e Keno, já que o argentino não utiliza atacantes de lado, e contratou jogadores de confiança dele, como Edenílson e Patrick. No entanto, segundo o próprio Chacho, a diretoria não cumpriu com promessas de investimento, o que causou um grande problema interno e a saída do treinador meses depois.
Em alguns momentos da temporada, por exemplo, Coudet tinha à disposição apenas dois atacantes do time principal. Um desses momentos foi a derrota na primeira rodada da fase de grupos da Libertadores para o Libertad, em pleno Mineirão. O treinador só tinha Vargas e Paulinho disponíveis para o ataque. Esse jogo marcou “o início do fim” do argentino no Galo, pois foi após ele que ele deu a polêmica coletiva desabafando contra a diretoria alvinegra.
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— Atlético (@Atletico) April 6, 2023
Para repor Coudet, o Atlético optou por tirar Felipão da aposentadoria, escolhendo um técnico com características completamente opostas a do treinador argentino. Ou seja, o experiente brasileiro tem nas mãos um elenco que foi montado para outro treinador, que “não fala a mesma língua” que ele no campo.
Sequência do Atlético: dez jogos sem vencer (5E + 5D)
- Atlético 1 x 1 Bragantino (com Coudet)
- 1 x 1 Fluminense (com Felipão)
- 1 x 2 Fortaleza (com Felipão)
- 1 x 1 Libertad (com Felipão)
- 2 x 2 América (com Felipão)
- 0 x 1 Corinthians (com Felipão)
- 0 x 0 Goiás (com Felipão)
- 0 x 1 Grêmio (com Felipão)
- 1 x 2 Flamengo (com Felipão)
- 0 x 1 Palmeiras (com Felipão)



