Brasileirão Série A

‘A arbitragem diz muito sobre como a gente trata a mulher no futebol’

No Trivela FC, Laura Luzzi falou sobre a presença feminina no futebol masculino e o que falta para que mais mulheres estejam presentes nesse universo

O crescimento do futebol feminino não é novidade para mais ninguém. Mais uma edição da Eurocopa, que terminou no último domingo (27) com o título da Inglaterra e estádios lotados na Suíça, comprova o tamanho da audiência da modalidade.

E a maior presença de mulheres no futebol não se restringe apenas ao gramado. Treinadoras, árbitras e dirigentes também encontram seu espaço no esporte ao redor do mundo, embora a presença seja desproporcionalmente questionada e criticada.

Em participação no Trivela FC, live semanal da Trivela no YouTube, a jornalista Laura Luzzi abordou a temática e fez uma reflexão sobre o trabalho das árbitras no futebol masculino. Atualmente muitas mulheres apitam as principais competições do Brasil e do Mundo, e mesmo sendo reconhecidas pelo bom trabalho, seguem sendo alvos de críticas.

— É óbvio que existe esse questionamento sobre todos os os árbitros, sobre a arbitragem de uma maneira geral. Mas quando é uma mulher, elas são marcadas sempre pelos erros. A Edina Alves foi colocada de lado pela CBF de uma maneira muito clara, né? Ela cometeu alguns erros, até alguns deles a gente concorda que são erros mesmo, mas ainda assim ela foi colocada de lado, e em grandes jogos ela não participa mais. Sendo que a gente vê árbitros homens, e eu poderia citar uma infinidade que cometem os mesmos erros e mais, porque também atuam mais, e não são escanteados da maneira como ela foi — disse a jornalista.

Apesar de ter sido amplamente criticada por clubes e dirigentes, a árbitra segue sendo referência fora do Brasil. A profissional apitou a semifinal da Eurocopa Feminina entre Espanha x Alemanha, além de marcar presença em Copas do Mundo, tanto masculina quanto feminina.

— A Edina Alves é uma árbitra bem conceituada fora do Brasil, dentro do Brasil ela é muito questionada. A forma como a gente trata a arbitragem diz muito sobre o lugar da mulher dentro do futebol masculino — completou Laura.

Edina Alves em partida da Copa do Brasil (Foto: Imago)

Treinadoras em clubes masculinos: seria possível?

A discussão também teve como pauta as treinadoras. Para Laura, seria revolucionário uma mulher treinar uma grande equipe masculina, visto que ela precisaria quebrar inúmeras barreiras e lidar com muito preconceito para tal situação acontecer.

— Acho que seria um avanço e tanto, mas também acho que ainda muito distante, principalmente falando em clubes da elite. Eu vi uma matéria sobre alguma treinadora mulher em clube da elite, mas na Irlanda. Então, não são em competições principais — começou Laura Luzzi.

— Foi perguntado para Sarina Wiegman, inclusive, se ela treinaria o time masculino, a seleção masculina e tudo mais. E ela sempre desconversa, diz que sempre tá focada no time feminino. Mas essa seria um grande avanço — completou.

Atualmente é mais comum vermos mulheres comandando equipes e seleções femininas, e segundo a jornalista a hierarquia que existe dentro do futebol poderia ser um problema que justificasse a ausência em times masculinos.

— Acho que tem um problema nisso tudo é entender que existe uma hierarquia dentro de um vestiário e o treinador ele tá acima nessa hierarquia. E para ser muito sincero, eu acho que a gente tá distante por não conseguir entender a mulher em altos cargos de hierarquia. A gente tá demorando muito para que isso aconteça. Agora a gente tem uma presidente mulher no grande clube brasileiro que é a Leila, mas veja como ela é hostilizada pelos próprios torcedores — analisou Laura.

Apesar da discussão ainda ser embrionária no Brasil, na Europa, por exemplo, ela já é mais avançada. No Velho Continente já é mais comum ver mulheres ocupando grandes cargos. Até mesmo o futebol feminino é mais acompanhado do que na América do Sul.

— Para mim é muito claro, basta ver como a Wiegman é questionada sobre isso, porque eles estão à frente da América do Sul, e isso é muito claro a briga pelo espaço da mulher, especialmente agora dentro do futebol, como eles estão à frente da América do Sul de maneira geral, e aí especialmente o Brasil, porque o Brasil é o ponto principal dessa América do Sul, então vou colocar sempre a gente como ponto de comparação — afirmou a jornalista.

— Eles estão muito à frente, essa discussão já começou ser feita lá. Aqui, a verdade é que a gente não tem nem mulher na maioria dos clubes femininos, nos times femininos dos clubes da série A. Então, a discussão aqui está muito mais atrás — completou.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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