Não é só o Botafogo: clubes de John Textor convivem com crise e reclamações na França e na Inglaterra
Além do Botafogo, a Eagle Football Holdings é dona do Lyon e tem ações do Crystal Palace, mas ambos também estão insatisfeitos com Textor
A torcida do Botafogo está insatisfeita. Após o empate com o Aurora por 1 x 1, na Bolívia, pelo jogo de ida das eliminatórias da Copa Libertadores, a gestão alvinegra decidiu demitir Tiago Nunes, que não conseguiu extrair o bom futebol do elenco que encantou o Brasil no primeiro semestre de 2023. Aliás, desde a saída de Luís Castro, o Glorioso nunca mais foi o mesmo. E John Textor está sentindo isso na pele.
Após uma campanha fenomenal no 1º turno do último Brasileirão Série A, o Botafogo dava indícios que levantaria o título com a mão nas costas. Contudo, o que a torcida alvinegra viu foi o time cair (e muito) de produção, causando uma crise na relação com o empresário que comprou 90% da SAF do Fogão. Só que relações estremecidas não estão limitadas ao Brasil para Textor.
Isso porque o norte-americano também convive com reclamações em dois outros clubes da Eagle Football Holdings, empresa por trás de John Textor: Crystal Palace e Lyon. Seja na Inglaterra ou na França, o empresário tem ouvido muitas reclamações. O motivo? O descontentamento dos torcedores dos Eagles e do OL com o desempenho das equipes dentro de campo.
O Botafogo informa que Tiago Nunes não é mais o técnico da equipe profissional. Em reunião das lideranças da Clube na manhã desta quinta-feira (22), foi decidido o término do vínculo com o treinador. John Textor e o Departamento de Futebol estão no mercado em busca de um novo… pic.twitter.com/G1nUUDU41d
— Botafogo F.R. (@Botafogo) February 22, 2024
Curiosamente, Botafogo, Crystal Palace e Lyon têm uma semelhança: a troca de técnicos. Em alguns mais, em outros menos, os times de Textor apresentam um futebol muito instável, que pode ser quantificado pelas campanhas ruins em seus respectivos países. O Glorioso, por exemplo, teve Cláudio Caçapa, Bruno Lage e Lúcio Flávio antes de Tiago Nunes.
Crystal Palace quer Eagle Football Holdings longe
Em agosto de 2021, John Textor comprou parte das ações do Crystal Palace. O problema é que, de lá para cá, os Eagles fizeram campanhas bem medianas. Longe de brigar por vaga em competições europeias (mesmo com a chance de ir para a Conference League, do terceiro escalão europeu), e sem passar aperto na zona de rebaixamento. Nesta temporada, a equipe está na 15ª posição da Premier League com 25 pontos em 25 jogos.
Após a expectativa do investimento da Eagle Football Holdings gerar grande expectativa na torcida do Crystal Palace, agora o clima é de decepção. Tanto que, em janeiro, na goleada sofrida para o Arsenal, na Premier League, os torcedores protestaram contra Textor e companhia. Faixas com duras críticas à empresa do norte-americano atestam a insatisfação:
“Potencial desperdiçado dentro e fora de campo. Decisões ruins nos fazendo retroceder” e “sem qualquer visão, sem planos estruturados”.
Por conta disso, John Textor cogitou vender sua fatia dos Eagles, conforme informou o The Independent. Nesta semana, Roy Hodgson passou mal em um treino e precisou ser internado. Como consequência, o técnico pediu demissão do cargo, onde estava desde a reta final da temporada 2022/23. Agora, o Crystal Palace espera alegrar sua torcida sob o comando de Oliver Glasner.
Torcida do Crystal Palace exibiu faixas em protesto contra John Textor, dono da SAF do Botafogo e que também tem participação no clube inglês:
"Propriedade de múltiplos clubes; apostas no mercado de ações; Textor, não confiamos em você" #ge pic.twitter.com/HpKVZKmZ7V
— ge (@geglobo) January 18, 2023
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Lyon de John Textor flerta com rebaixamento
No final de 2022, a Eagle Football Holdings investiu uma fortuna para adquirir o Lyon, que seria o carro-chefe da empresa no futebol. Contudo, o OL começou 2023/24 com o lucro de suas vendas bloqueadas pelo órgão de controle da Ligue 1 por falta de garantias financeiras. Com isso, a equipe não conseguiu aumentar sua folha salarial, resultando no flerte com o rebaixamento.
O Lyon fez o pior início de temporada de sua história na Ligue 1, quando inclusive chegou à lanterna do campeonato. Para piorar, o OL já está em seu terceiro técnico na temporada: começou com Laurent Blanc, ficou pouco tempo com Fabio Grosso e agora está com o interino Pierre Sage. Após um início tão conturbado, o time de Textor conseguiu se afastar da zona da degola e atualmente está na 10ª colocação com 28 pontos em 23 partidas.
Eagle Football : John Textor "pas au service" des ultras de Molenbeek https://t.co/LumvQUZ21x
— Lyon Foot (@lyon_foot69) February 18, 2024
Contudo, o empresário norte-americano impactou a credibilidade do Lyon, que era considerado um dos clubes mais bem geridos da Europa. Após os oito títulos da Ligue 1, o OL era presidido por Jean-Michel Aulas, que acabou deixando a função após diferenças com o próprio John Textor. Por conta disso, os torcedores cobram uma resposta à altura da Eagle Football Holdings para deixar os fracassos para trás.
PS: até no RWD Molenbeek Textor é criticado
Outro clube que faz parte do portfólio de Textor é o RWD Molenbeek, que foi campeão da segunda divisão belga na última temporada e voltou à elite do país após 21 anos. Contudo, a torcida organizada do time ficou indignada com as demissões causadas pelo Eagle Football Holdings, como a do ex-presidente Thierry Dailly, que é muito querido pelos torcedores locais.
#NotInMyName #RWDM pic.twitter.com/qt0mPQZFKv
— Alain Meskens (Alainzinho) (@AlainMeskens) February 17, 2024



