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Crias da base aproveitam chance no Atlético-MG, e agora precisam de colaboração de Felipão e da torcida

Com todos os formados na base do Atlético que ganharam chance no profissional indo bem, é preciso agora seguir dando minutos e tendo paciência

Na última rodada da primeira fase do Campeonato Mineiro, no último sábado (2), o técnico Felipão escalou o time com muitas modificações, dando chances para vários garotos da base, que aproveitaram as oportunidades (principalmente Cadu). Agora, é preciso que o treinador siga dando minutos a esses jogadores, enquanto a torcida entenda que são jovens que podem (e vão) oscilar ao longo dos jogos.

Com muitos titulares pendurados (Arana, Saravia, Paulinho e Hulk – além de Otávio), Felipão colocou em campo um mistão para o último jogo da primeira fase, já que o Atlético estava 99% garantido na próxima fase – só uma hecatombe o deixaria de fora -, com minutos para jovens, sejam eles iniciando o jogo ou saindo do banco. E deu certo.

O Atlético fez, provavelmente, seu melhor jogo na primeira fase, com grande destaque para o garoto Cadu, que iniciou o jogo, pois o atacante Eduardo Vargas, que seria o titular, ficou de fora por estar envolvido em uma negociação de saída. O jovem atacante atleticano marcou um gol e deu uma assistência, além de protagonizar outros lances de perigo e deixar o ataque mais móvel, se movimentando muito no setor.

Alisson e Rubens seguem voando

Jogadores que receberam oportunidades antes dessa partida, Rubens e Alisson fizeram mais uma ótima exibição. Rubens atuou na lateral, na vaga de Arana, e abriu o placar de cabeça. Ele acabou saindo no intervalo por um problema no ombro e apareceu com ele imobilizado após o jogo, mas indicou que não foi nada sério. Mais velho dos crias, o jogador vem pedindo passagem no time titular há meses.

Alisson foi titular, pois hoje é figurinha carimbada do 11 inicial do Atlético, e também saiu de campo no intervalo, mais por precaução, pois fisicamente ainda deve um pouco e ainda estava amarelado. Antes de sair, deu uma assistência de manual para Cadu marcar de cabeça, e ainda criou outras jogadas de perigo.

Jovens que entraram foram bem

Além dos citados, outros três jogadores da base saíram do banco de reservas. O volante Paulo Vitor foi o primeiro a entrar e, assim como fez nas pouquíssimas oportunidades que teve antes, foi muito bem. Logo depois, entrou Isaac, artilheiro da base atleticana, que quase deixou o clube rumo ao Coritiba justamente por falta de chances no profissional, mas foi convencido a renovar. Ele entrou em campo pela primeira vez na temporada e, em 21 minutos jogados, foi bem, desperdiçando ainda uma grande chance nos acréscimos.

Em foco, Paulo Vitor, e atrás dele Isaac – e também Jemerson, outro formado no Galo, mas já muito experiente (Pedro Souza / Atlético)

Por fim, quem entrou e atuou por cerca de 10 minutos foi Vitor Gabriel, lateral-direito que acabou sendo preterido no 11 inicial para Edenilson, que jogou improvisado na posição. Com pouco tempo em campo, Vitinho não teve muitas ações, mas acertou basicamente tudo que tentou.

Além dos citados, outros figuram no banco, inclusive pela primeira vez, como o atacante João Rafael, o meia Caio Ribas e o lateral-esquerdo Julio César (que poderia ter sido opção quando Felipão teve que tirar Rubens). O zagueiro Rômulo, esse já figurinha carimbada no banco, também estava à disposição, mas não entrou.

Garotos precisam de sequência, Felipão

Com todos os jovens que estão ganhando chance demonstrando algo de bom, Felipão agora precisa seguir oportunizando eles ao longo da temporada. Em 2023, por exemplo, ele promoveu a estreia de Alisson, que foi muito bem em dois jogos, contra Corinthians e Grêmio, mesmo em situações adversas. No entanto, o jogador não recebeu mais chances reais depois disso e só voltou a jogar com mais minutos em 2024. É isso que não pode acontecer com o próprio jogador e os companheiros de base dele que já mostraram algo (mesmo que pouco) no profissional.

– (Vão entrar) Depende com quem vamos jogar. Com River Plate, Flamengo, Corinthians, Grêmio, é uma situação que teremos que pensar. Eles vão ganhando chances, vão acrescentando numa situação de equilíbrio. Às vezes temos que pensar para não colocar o menino numa situação ruim. Estamos dando oportunidades nos treinos, devagar nos jogos, e vamos ganhando atletas. Eles vão ganhando experiência e começando a ter uma participação maior — disse Felipão, que ainda elogiou Alisson, Cadu e Paulo Vitor na fala.

Não se pode cobrar ou dar responsabilidades aos garotos, mas sim aos outros, para eles entrarem tranquilamente – Felipão

Apesar do discurso de Felipão ser o ideal, dos jogadores jovens entrarem sem responsabilidade, não é o que acontece na realidade, seja do Atlético ou de qualquer outro clubes brasileiro. Os jogadores (quase) sempre entram na fogueira, como o próprio caso de Alisson em 2023, e até na primeira grande chance dele em 2024, quando entrou com o time perdendo e empatou o jogo em jogada individual. Por sorte (e qualidade), muitos jogadores conseguem não sofrer ou sentir essa pressão e dão uma boa resposta.

– São jovens. Vão ganhando possibilidades, mas tem jogos e jogos. Temos que ser tranquilos na nossa análise. Pode ser que no jogo da próxima semana, da semifinal, algum comece jogando, outros entrem no decorrer do jogo e possam defini-lo para nós — afirmou Scolari.

Essa partida contra o Ipatinga foi o jogo ideal para o experimento desses jogos, mas outras muitas ainda vão vir, e cabe ao treinador seguir dando essas chances. Às vezes pode ser em um jogo que, inicialmente, não se esperava brecha para a oportunidade, mas ela aparece depois do time definir o jogo, por exemplo. Ou mesmo vão acontecer casos como o já citado de Alisson, de entrar com o time perdendo e precisando fazer algo, ser o fator diferente. Nesse caso, além de Felipão colocá-los em campo, é preciso também que eles sempre estejam preparados.

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Paciência da torcida do Atlético é ideal

Além das chances que Scolari precisa dar aos jogadores mais jovens, a torcida, que sempre cobra por isso, também precisa colaborar. São jogadores ainda em início de carreira e que podem (e devem) oscilar ainda. Alisson voou em todas as chances que teve, mas vai ter algum jogo que ele não vai conseguir ir bem. Cadu “estreou” com gol e assistência, mas não vai ser sempre assim.

É preciso que o torcedor entenda que eles não vão decidir todos os jogos – e nem devem ter essa responsabilidade. Que eles vão jogar mal, ou errar lances “fáceis”, tomar decisões erradas, pois ainda estão aprendendo no profissional. Diante disso, a torcida precisa de paciência, de dar apoio em todas as ocasiões e não tirar conclusões (positivas ou negativas) por um ou três jogos. Alisson não é o “novo Savinho” pelos três grandes jogos que fez e também não será “foguete molhado” se fizer três jogos ruins em sequência.

Tudo faz parte do processo, e assim como Felipão (ou qualquer treinador) tem seu papel, de oportunizar e dar chances reais, o torcedor também tem o dele, de apoiar independente do ocorrido em campo, para dar cada vez mais confiança aos jogadores.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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