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Atlético-MG conseguiu chegar a última rodada do Mineiro sob muita pressão, e agora tenta evitar pior campanha do século

Atlético foi de favorito ao time de maior pressão nessa última rodada do Mineiro, e ainda tem que evitar ter sua pior campanha no século

Praticamente já garantido na próxima fase e há quatro jogos sem vencer, o Atlético-MG ainda assim conseguiu chegar na última rodada do Campeonato Mineiro sob muita pressão. Sem jogar bom futebol e nem demonstrar evolução no decorrer das partidas, o Galo entra em campo neste sábado (2), às 16h30, para encarar o desesperado Ipatinga na Arena MRV, que terá ainda mais de 20 mil torcedores aptos a criticar Felipão depois da briga que ele criou com a torcida na última semana.

O Atlético só não se classifica para as semifinais do Mineiro se uma hecatombe acontecer. Além de perder para o Ipatinga, que vai lutar para não ir para o triangular de rebaixamento, o Galo ainda precisaria ver Uberlândia e/ou Villa Nova tirar sete e nove gols de diferença, respectivamente, algo fora da realidade.

Mas só de não chegar na última rodada já classificado, contando que era o franco-favorito, o time treinado por Felipão vai entrar em campo sob muita pressão. Além disso, vai ter ainda que apresentar um bom futebol, ou pelo menos uma evolução, algo que não aconteceu nos outros sete jogos da primeira fase. Por ser contra um rival mais fraco, não à toa está brigando contra o rebaixamento, é esperado ver um Atlético controlando o jogo e criando muito ofensivamente, sem sofrer demais na defesa. Além, claro, de vencer o jogo.

Atlético terá sua pior campanha do século?

Com três vitórias, dois empates e duas derrotas, somando assim 11 pontos até o momento, o Atlético tem 52,3% de aproveitamento. Nesse momento, ele é o pior do clube no século, abaixo do de 2018 (54,5%). Para não atingir essa marca negativa, o time de Felipão necessita vencer o Ipatinga, chegando assim a 58,3%. Em caso de empate (50%) ou derrota (45,8%), será o oficialmente o pior do clube no recorte do século.

Desde a nova gestão, que começou a atuar no meio do Mineiro de 2020, remontando o time e depois assumindo a SAF, o Atlético ainda não tinha tido aproveitamentos abaixo de 80%: 2021: 81,8%; 2022: 84,8%; 2023: 83,3%.

Felipão vai poupar?

Para esse duelo contra o Ipatinga, o Atlético pode ter algumas alterações no time. Saravia, Arana, Paulinho e Hulk estão pendurados e, caso entrem em campo e levem mais um, ficarão de fora do primeiro jogo das semifinais. Por isso, pode ser que eles sejam poupados. Nesse caso, é mais uma oportunidade para o treinador dar minutagem aos jogadores da base: Vitinho, Rubens, Isaac e Cadu, respectivamente. Mas, no ataque, Vargas e Alan Kardec parecem estar a frente na disputa.

Felipão já não conta com Mariano, Igor Rabello, Mauricio Lemos e Zaracho, todos no DM. Sobre os possíveis poupados, Saravia e Arana são os mais cotados. No ataque, Hulk busca o 100° gol (falta um), e seria especial marcá-lo na Arena MRV. Já Paulinho ainda não balançou as redes na temporada, e precisa de um gol para “destravar”, ganhar confiança e tentar voltar a ser o artilheiro que foi em 2023.

A provável escalação do Atlético então tem: Everson, Saravia (Vitinho), Jemerson, Bruno Fuchs e Arana (Rubens); Battaglia, Scarpa, Igor Gomes (Edenilson) e Alisson; Paulinho (Vargas) e Hulk (Isaac/Kardec).

Pressão enorme da arquibancada

Mais do que a pressão nos jogadores para um bom futebol, quem deve sofrer mesmo é o experiente Felipão. O treinador, que ainda não conseguiu fazer o time jogar bem, ainda tem o agravante de ter iniciado uma briga com a torcida. Na última semana, xingou um torcedor que cobrou a titularidade de Alisson (que aconteceu no jogo seguinte) e a torcida se revoltou pedindo a saída dele, alegando falta de respeito. A diretoria, através de Victor, blindou o treinador, mas, no clássico contra o América, ele escutou as quase duas mil vozes de atleticanos o xingando no intervalo e, principalmente, após o apito final.

Na coletiva, Felipão optou por colocar o dedo na ferida nesse rixa ao invés de tentar acalmá-la, o que irritou ainda mais a torcida. Ao citar que só aceita críticas “de quem paga ingresso”, o treinador piorou a situação dele com o torcedor, que agora vai ao estádio, pagando o ingresso, com o direito (e a intenção) de vaiá-lo e xingá-lo.

Enfim, além da pressão ao time por não jogar bem, Felipão conseguiu aumentar a tensão com as declarações e atitudes que teve. Além de ver se o time dele vai jogar bem, vale ficar de olho em como a torcida vai se comportar com o treinador, e vice-versa. Será que uma vitória, mesmo que de goleada e jogando muito, tem força suficiente para acalmar os ânimos?

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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