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Felipão sair satisfeito e achar o jogo do Atlético-MG muito bom explica porque o time não evolui

Treinador entender que o Atlético fez um jogo muito bom depois de mais uma partida ruim explica porque não há evolução na temporada

O Atlético-MG empatou na bacia das almas com o América-MG neste sábado (24). Independente de ter conseguido um ponto no fim, o Galo apresentou, mais uma vez, um futebol dos mais pobres possíveis, não demonstrando nenhuma evolução mesmo depois de sete jogos. Mas não foi assim para Felipão, que achou que o time dele foi muito bem e saiu satisfeito, o que explica porque o time não evolui.

Ficou claro para todo mundo que o Atlético não fez, mais uma vez, um bom jogo. O time sofreu defensivamente, não soube propor jogo e pouco criou de forma efetiva. 90% dos lances de perigo saíram dos pés de Alisson, que foi um oásis em meio ao deserto de ideias do time. Mas Felipão viu tudo completamente diferente.

– O Atlético fez um jogo hoje MUITO bom. Jogou contra uma equipe que tinha tomado só um gol, tivemos 58% de posse de bola, foram 14 chutes a 10, então foram uma série de situações que estamos evoluindo. Vejo esse jogo aqui como muito bom. Não posso modificar o que a torcida entende ou quer, faço a minha parte dentro do clube e acho que estamos no caminho certo — disse o treinador.

Tenho a satisfação de dizer que foi um bom jogo. Vamos correr atrás com a satisfação que fizemos um bom jogo. Acho que foi um bonito jogo e estou muito satisfeito. Mais até do que estive em alguma vitória no campeonato. Estou tranquilo, pois estamos no caminho correto – Felipão

Ao mesmo tempo que Felipão “se gabou” pelo time ter ficado mais com a posse de bola (o que não é sinal de nada) e finalizado mais que o América, ele destacou que os adversário do Campeonato Mineiro jogam mais fechado. Ou seja, são os rivais que deixam o Galo ter mais posse e, consequentemente, finalizar mais. Até porque, pelo que deu para enteder da fala de Scolari, o Alvinegro não sabe jogar dessa forma.

– Estamos trabalhando, estamos melhorando, fazendo coisas para melhor do terceiro jogo em diante. Não sei se vamos fazer aquilo que o torcedor quer. Contra Flamengo, Corinthians e Inter é um jogo diferente. Quando temos que ter a posse de bola, o adversário vai criar dentro de algumas características que nós jogamos ano passado. Calma. Temos um excelente time e sabemos disso, mas vamos ajeitando com outras características.

Além da posse de bola (proporcionada pelo adversário), Felipão afirmou que o Atlético teve mais chances de gols, tanto que o goleiro do América foi eleito o melhor em campo em alguns veículos. O que ele não citou é que, os lances de perigo do Galo ou foram de jogadas individuais (principalmente de Alisson) ou de erros do Coelho, como em uma entregada na saída de bola ou em um chute contra que quase entrou.

Para deixar ainda mais claro em como o Atlético não tem jogadas coletivas que possam assustar o adversário, o capitão do América, Juninho, falou na saída de campo: “Sabíamos que eles só achariam um gol numa jogada dessa de bola parada”. Ou seja, os rivais também já sabem o quão ruim coletivamente o Galo é e o tanto que precisa de individualidades para conseguir algo.

Escolhas (e elogios) de Felipão seguem questionáveis

Além de tudo (não) visto em campo, Felipão também segue com escolhas questionáveis. Ele acertou ao notar que Alisson já tinha condições de ser titular e assim o fez, colocando um time, na teoria, mais ofensivo. Mesmo assim, acabou tendo que tirar o jogador na etapa final que sentiu cãibras e o período longo sem atuar. Ao invés de elogiar quem carregou o setor ofensivo nas costas, preferiu outras palavras.

– Temos que ser inteligentes, saber que a bola que no ano passado entrou com o Paulinho, não está entrando. Temos que saber que o Alisson ainda não está pronto. É um menino. Saiu do jogo hoje pois é um menino que não está formado mentalmente para esse tipo de jogo. O que podemos fazer é dar a ele essa experiência — disse Scolari.

Felipão ainda falou que Alisson é um “ponta que não tinha” em 2023, mesmo que o jovem estivesse à disposição dele em todo o ano passado. Ou seja, não tinha porque ele não quis. O treinador ainda elogiou seu tão criticado sistema defensivo, que ele alegou que “correu os riscos que tinha que correr”, entendendo que, no fim, conseguiram um jogo equilibrado.

Poucas chances para Rubens e uma nova para Vargas

Autor do gol heróico aos 50 minutos que empatou o jogo, o jovem Rubens vem pedindo passagem no Atlético há meses. No entanto, sempre pareceu segunda ou até terceira opção para Felipão, que preferia outros jogadores ao cria atleticano.

Neste sábado, o treinador, além de ouvir os vários xingamentos contra ele, também ouviu o torcedor pedindo Rubens, que entrou e fez o que fez. Na coletiva, ao ser questionado porque não vemos ele ter mais chances, Scolari foi curto e grosso: “Porque ele tem mostrado nos treinamentos que é um bom jogador, mas para determinadas situações”.

Quem aparentemente mostra que é um bom jogador independente da situação é o atacante Eduardo Vargas. Antes fora dos planos do treinador e do clube, que não conseguiu “despachá-lo” para nenhum outro lugar, o chileno ganhou nova chance ao entrar na vaga de Alisson e ouviu diversos elogios de Felipão, que o chamou de “totalmente útil”.

– É o que tenho falado com o Vargas e tem acontecido nos treinos. Ele vem fazendo por merecer essa oportunidade. Desde quarta eu tenho conversado com ele: ‘Mesmo que alguns não gostem da tua forma de jogar, eu vou te dar a oportunidade e te bancar, e só me dê o respaldo. Vou contigo até a morte’. Foi ótimo que ele entrou, fiquei satisfeito, fez duas ou três jogadas excelentes. Terá oportunidades pois está fazendo por merecer — disse o treinador.

Toda essa sequência de Felipão, vendo o Alisson não estar pronto, o Vargas entrar muito bem, o Rubens preparado só para algumas situações e o time jogando muito bem, explica bem porque o Atlético não demonstra evolução na temporada, já que o próprio treinador vê algo de bom onde não tem.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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