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Victor não teme manchar história no Atlético-MG agora como diretor – mas começou irritando a torcida no caso Felipão

Apresentado como diretor de futebol, Victor não teme manchar sua história no Atlético, mas começou com pé esquerdo ao defender Felipão de todas as formas

Victor Leandro Bagy. Ex-goleiro, mas não só isso para a torcida do Atlético-MG, que o conhece melhor como “São Victor”. Um dos maiores ídolos da história do Galo, o ex-jogador agora será o diretor de futebol do clube, com a dificílima função de substituir Rodrigo Caetano, que foi para a CBF. O santos atleticano não teme manchar sua idolatria no clube agora em nova (e sempre ariscada/cobrada) função, mas já começou irritando o torcedor no caso Felipão.

Victor era gerente de futebol do Atlético e foi promovido a diretor como uma forma de mérito e continuidade do trabalho no clube, como citou o presidente Sérgio Coelho na apresentação do ex-goleiro. O mandatário atleticano afirmou ainda que Victor venceu outros dois concorrentes, e demonstrou total apoio nessa nova função.

– O Victor vive no futebol há quase 30 anos. Há 12 anos está no Galo, conhece como pouco, se preparou ao longo de sua vida como atleta, fez curso de gestão do futebol na CBF. É muito querido e respeitado no CT. Está há 3 anos junto conosco na gerência de futebol ao lado do Caetano. Durante esse período, desenvolvemos diversos processos e o Victor participou, conhece todos e até ajudou a fazer alguns deles. A promoção dele como diretor é uma continuidade, uma valorização da prata da casa — disse o presidente.

Na sua apresentação, Victor agradeceu pela confiança da diretoria atleticana e afirmou: “A emoção que sinto agora é a mesma que senti 12 anos atrás ao ser apresentado como atleta. Cheio de expectativas, sonhos e vislumbrando grandes conquistas”.

Victor construiu uma das mais belas histórias de um jogador do Atlético. Não só sendo um goleiro de excelência por anos – o que era um problema crônico antes dele -, como também foi vencedor e, acima disso, santificado ao ser o herói da Libertadores de 2013. Como jogador é fácil um dos maiores do Galo (para muitos, o maior), mas agora terá uma nova função e sempre pressionada função, que pode (ou não) colocar um asterisco no belo livro que escreveu pelo Alvinegro.

Idolatria em risco?

É comum que jogadores que se tornaram ídolos de clubes dentro de campo retornem a eles em outras funções. São vários os casos, e a maioria deles não deu tão certo. No Brasil, tivemos Roberto Dinamite fracassando como presidente do Vasco, Raí e Rogério Ceni indo mal no São Paulo, entre outros que fizeram história em campo e não conseguiram nem a metade fora dele. O caso de maior sucesso atualmente é o de Renato Gaúcho no Grêmio.

Diante desse cenário, Victor não teme a possibilidade de manchar sua história no Atlético com um trabalho agora como diretor, já que ele garante o mesmo interesse como jogador: “buscar os melhores resultados” para o clube.

A idolatria já foi conquistada, está escrita. Hoje quem está aqui é o Victor Bagy, diretor de futebol, não o São Victor. Não tenho medo de manchar isso, pois toda escolha que eu fizer será baseada nas melhores convicções, fazendo o melhor pelo clube. Quando você busca fazer o melhor de forma coerente e responsável, mesmo que dê errado, jamais você terá sua imagem arranhada ou manchada – Victor Bagy.

O agora diretor afirmou que é importante saber separar o Victor dessa nova função com o que entrava em campo como goleiro. Segundo ele, o fato de ter sido atleta do clube por muito tempo dá “conhecimento de causa” do que tem pela frente. Mas não só isso, ele também estudou (formado em Educação Física e no curso da CBF), além de ter aprendido nos últimos três anos com o que é considerado o melhor da função, Rodrigo Caetano: “Sigo me preparando para ser o melhor diretor possível e colocar o Atlético cada vez mais em evidência”.

Mas … Victor já irritou a torcida do Atlético

Victor pode não temer que haja uma mancha na sua história com o Atlético, mas essa possibilidade é real para todo mundo que tem a trajetória dele. Por falar nisso, ela já começou com um engasgo com a torcida que tanto o idolatra.

Nesta segunda (19), viralizou nas redes sociais um vídeo em que Felipão rebate um torcedor que pediu, educadamente, a presença do jovem Alisson no time titular. Nas redes sociais, a torcida atleticana se revoltou e até levantou uma hashtag pedindo a demissão do treinador.

A relação de Felipão com a torcida do Atlético passa longe de ser das melhores, como a Trivela trouxe na última semana. Desde que chegou, ele é acusado por não querer ter uma certa empatia com o torcedor. Em toda coletiva, principalmente as mais recentes, tem uma “cutucada” na torcida, que vem se acumulando e irritando cada vez mais. Fora isso, os resultados e, principalmente, o desempenho do time, não agradam em nada o torcedor. O coro para a saída de Scolari, principalmente após o vídeo viralizar, está cada vez maior e não para de aumentar.

Diante desse cenário, Victor foi questionado sobre o vídeo de Felipão e defendeu o treinador. O agora diretor foi só elogios a Scolari – que conhece há 10 anos, tendo disputado uma Copa do Mundo sob o comando dele -, afirmando que ele é uma pessoa “de carismática, cordial e educada”, além de afirmar que esse caso do vídeo foi uma “exceção” e quem o conhece sabe disso.

Ainda sobre o ocorrido e a pressão pela saída do treinador, que está cada vez maior, pois, como citado, não foi só essa vez, em várias coletivas ele alfineta a torcida, Victor defendeu continuidade e mostrou ignorar a voz do torcedor.

– A gente sempre defende continuidade. Temos esse ideal. As decisões são sempre internas. Não da para se pautar só pelo externo. Meu papel como diretor é fazer essa blindagem, mas também ter o diálogo para alinhar os pontos. Nosso trabalho é manter o equilíbrio e um bom ambiente de trabalho. Sabemos o que acontece fora, mas isso não pode ser pauta para as nossas decisões, temos nossas convicções. O Felipão vem de um grande segundo semestre, fez o time brigar pelo título do Brasileiro, tem final de Libertadores recente, tem um currículo invejável. Não podemos nos pautar por opiniões externas. Temos confiança no trabalho dele e temos que dar a ele tranquilidade para continuar o trabalho — afirmou o diretor

Mesmo pressionado, Victor manteve o apoio a Felipão

Mesmo após essas respostas, Victor foi mais uma vez questionado sobre a pressão da torcida pela demissão do treinador. Dessa vez, de forma mais direta. Perguntado se não haverá um pedido de desculpas público, o dirigente afirmou que tudo é tratado internamente. Já se “vale a pena manter um trabalho que não tem evoluído e entrar em pé de guerra com a torcida” que quer a saída do treinador, ele foi enfático:

– Sobre o trabalho, dentro dos objetivos que temos no Mineiro, está sendo alcançado. Podemos evoluir e melhorar, e a cobrança é feita diariamente. Apostamos na continuidade no ano passado, mesmo em um momento de turbulência, e colhemos os frutos no final. Defendemos continuidade e os assuntos são tratados de forma interna — afirmou.

É claro que Victor não chegaria publicamente criticando Felipão. Mas não orquestrar um pedido de desculpas para amenizar as coisas ou mesmo demonstrar que escuta o torcedor já causou um tremor na relação dele com quem sempre o idolatra. Um diretor tem que passar longe de fazer tudo que a torcida quer e pede, mas não dar ouvidos de forma alguma as manifestações de quem realmente construiu e faz o clube, e que são inúmeras, qualquer postagem do clube nas redes está infestada de comentários pedindo a saída de Scolari, é um erro crasso.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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