BrasilBrasileirão Série A

As semelhanças com 2009 e 2020 que podem animar o Flamengo pelo título brasileiro

Entre gringos, trocas de treinadores, retornos e entregadas, o torcedor supersticioso do Flamengo pode se animar com a reta final do Brasileirão

Desde a vitória sobre o Red Bull Bragantino, está permitido sonhar no Flamengo. O triunfo diante do América Mineiro contribuiu ainda mais com o Rubro-Negro que, agora, está com a mesma pontuação do líder, restando três rodadas para o fim do Brasileirão. A arrancada da equipe comandada por Tite é impressionante e, de certa forma, lembra outras que culminaram com o capitão do clube da Gávea levantando a taça.

O Flamengo, inclusive, está em situação melhor do que nas campanhas de 2009 e 2020, que terminaram com a taça na sala de troféus da Gávea. Tal arrancada ainda tem algumas semelhanças interessantes com os outros títulos. A Trivela conta essa história, relembrada por Tite na última entrevista coletiva.

— Tudo que é da história magnífica de vitórias do Flamengo, tudo que puder catar eu vou buscar (risos). Tudo que possa contribuir — disse.

Trocas de técnicos

Pensando no mais recente dos títulos, em 2020, uma semelhança é gritante: o número de treinadores ao longo das duas temporadas. Logo depois de conquistar a Libertadores e o Campeonato Brasileiro em um fim de semana, o Flamengo manteve Jorge Jesus, mas a pandemia, a saudade da família e outros fatores levaram o treinador a aceitar proposta do Benfica, de Portugal. 

Jorge Jesus deixou o clube depois de conquistar mais títulos do que sofrer derrotas (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

O Mister não chegou nem a disputar o Brasileirão daquele ano, e a campanha do Flamengo começou nas mãos de Domènec Torrent. A diretoria rubro-negra apostou alto no catalão, que veio da escola de Pep Guardiola, um dos comandantes de maior sucesso na história do esporte. O resultado, no entanto, não foi nada bom: ele foi demitido logo no início do segundo turno, após sofrer goleadas consecutivas para São Paulo e Atlético-MG.

Ainda dentro da curiosidade, é notável o padrão. Dois estrangeiros deixaram o clube ao longo da temporada, para que um brasileiro tivesse a missão de salvar a pátria. Assim como Tite em 2023, Rogério Ceni foi o escolhido em 2020 e, depois de uma eliminação traumática para o Racing, na Libertadores, guiou o Flamengo ao título do Brasileirão com emoção, na última rodada. 

Ceni, o salvador da pátria, é erguido pelos jogadores do Flamengo depois do título (Foto: Reprodução/Instagram)

É legal falar da coincidência, mas esse é só mais um fator que escancara a falta de planejamento do Flamengo ao contratar treinadores nos últimos anos. O ano de 2020, no entanto, já havia proporcionado alegrias ao torcedor rubro-negro, com os títulos da Supercopa do Brasil e da Recopa Sul-Americana.

Arrascaeta e Pulgar incorporam Pet e Maldonado

Agora é hora de relacionar a campanha de 2023 com a de 2009, primeira grande arrancada do Flamengo rumo ao título nos pontos corridos. E por que não relembrar alguns protagonistas daquela campanha. O Rubro-Negro até tinha um centroavante matador em Adriano, que pode ser comparado, devidas proporções, com pedro, mas a luz tem brilhado mais forte nos gringos.

Pulgar e Arrascaeta estão lembrando muito o que Maldonado e Petkovic fizeram em 2009. Os chilenos, além de partilhar da mesma nacionalidade, têm características muito parecidas, tanto na marcação quanto no toque de bola refinado. Já uruguaio e sérvio funcionam como maestros, e são ídolos por feitos no passado. Os astros se alinharam para os gringos.

Pet era a grande referência técnica daquele time do Flamengo, campeão brasileiro em 2009 (Foto: Reprodução/TV Globo)

Retorno ao Morumbi + entregada?

Para os mais supersticiosos, chegou a hora de unir as três campanhas em uma só. Pensando na de 2020, a coincidência está justamente na última rodada, que terá mesmo rival e palco. No dia 06 de dezembro, próxima quarta-feira, o Flamengo reencontrará o São Paulo, no Morumbi. Há três anos, o Rubro-Negro levantou a taça no Cícero Pompeu de Toledo mesmo derrotado pelo Tricolor, contando com o tropeço do Internacional diante do Corinthians.

Gabigol e Rogério Ceni comemoram o título brasileiro no gramado do Morumbi (Foto: Divulgação/Flamengo)

Ao olhar para a outra campanha, a semelhança está no conflito de interesses que a última rodada pode proporcionar. No momento, o Flamengo briga pelo título com o Palmeiras, rival do São Paulo que, já campeão da Copa do Brasil e praticamente de férias, não deve se esforçar para ajudar o Alviverde. Em 2009, o Rubro-Negro também contou com a boa vontade do Grêmio, que mandou reservas ao Maracanã, visto que o Internacional também lutava pelo título. No fim, a equipe carioca venceu e conquistou seu sétimo título brasileiro.

Bônus: possibilidade de assumir a liderança na icônica 37ª rodada

Como bônus, é importante frisar a possibilidade do Flamengo assumir a liderança na 37ª rodada, algo em comum nas outras duas campanhas de título citadas. O problema é que o Rubro-Negro, beneficiado pelo conflito de interesses em 2009, pode ser vítima dele em 2023. O adversário do Palmeiras na jornada em questão é o Fluminense, arquirrival, que não deve mandar titulares a campo pensando na disputa do Mundial de Clubes.

  • Palmeiras x Fluminense – 03/12, às 16h (de Brasília) – Allianz Parque
  • Flamengo x Cuiabá – 03/12, às 16h (de Brasília) – Maracanã

Em 2009, o Flamengo assumiu a liderança do bater o Corinthians, em Campinas, e assistir o São Paulo ser derrotado pelo Goiás. Chegou dependendo apenas de si na última rodada e foi campeão ao vencer o Grêmio. Já em 2020, o Rubro-Negro teve confronto direto diante do Internacional, venceu por 2 a 1 no Maracanã e chegou à jornada decisiva no mesmo cenário. Os dois pontos de vantagem foram suficientes.

Vale destacar que o Flamengo vive situação melhor do que esteve em 2009 e 2020. O clube da Gávea estava a dois pontos do líder no primeiro ano, e um atrás no segundo, ao fim da 35ª rodada. O Rubro-Negro só não assumiu a ponta por conta do saldo de gols do Palmeiras, que é superior em nove tentos.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
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