Brasil

Villalba e Cifuentes deixam boas impressões em suas apresentações no Cruzeiro

O zagueiro argentino Lucas Villalba e o volante equatoriano José Cifuentes concederam suas primeiras coletivas como jogadores do Cruzeiro nesta quarta (28)

O Cruzeiro realizou, na tarde desta quarta-feira (28), as primeiras coletivas do zagueiro argentino Lucas Villalba e do volante equatoriano José Cifuentes como jogadores do clube. A dupla chegou em Belo Horizonte durante este mês de fevereiro e ambos estrearam com a camisa azul na última partida da Raposa, ao entrarem durante o segundo tempo da vitória por 2 a 0 sobre o Pouso Alegre, pela sétima rodada do Campeonato Mineiro, no último domingo (25).

O primeiro a aparecer foi José Cifuentes, que mesmo ainda tímido e sem conseguir falar português, deu declarações importantes sobre seu estilo de jogo e trajetória. O volante equatoriano contou que foi seduzido pelo projeto do Cruzeiro e que isso, somado a outros fatores, o fizeram escolher Belo Horizonte como sua nova casa.

— Haviam dois times russos (interessados em sua contratação), porém a guerra que está acontecendo lá fez a transferência se tornar algo que não poderia ser concretizado. Algumas equipes europeias e americanas não podiam receber dinheiro da Rússia. Havia um time da Turquia e um da Championship (Segunda Divisão da Inglaterra). Em teoria, seriam cinco meses de contrato, então tirar minha família de onde já estava adaptada para outro lugar seria um problema. Então, tive que tomar a melhor decisão, e por isso estou aqui — revelou o equatoriano.

Cifuentes, de 24 anos, falou também sobre seu estilo de jogo. Ele contou que é um jogador que gosta de atacar, de jogar mais solto, e que espera ter essa liberdade com o treinador argentino Nicolás Larcamón, que já foi seu adversário em seus tempos de Los Angeles FC, dos Estados Unidos. Nico era o treinador do León que venceu o LAFC na final da última edição da Copa dos Campeões da CONCACAF. Mesmo com esse discurso, o jovem meio-campista se colocou à disposição para atuar em qualquer função definida pelo treinador, podendo realizar tarefas defensivas sem problemas.

Tal situação é um alento, pois os volantes que o Cruzeiro tem no elenco atualmente não possuem características de chegar à frente para fazer gols ou dar assistências. Atua mais na marcação e construção. Por isso, Cifuentes, que além de tudo é forte e intenso, tem a capacidade de ser um acréscimo necessário.

— No jogo passado tinha muito sol. É algo que não sei se me afetou, mas foi algo que experimentei depois de seis, sete meses depois de viver no frio. O condicionamento físico está bem, estou trabalhando no dia a dia com as pessoas encarregadas do meu rendimento físico para ir melhorando, sobretudo pelo fato de haver muitos jogos seguidos aqui. Creio que estou me adaptando com meus companheiros que me receberam bem e estão me ajudando a me adaptar rápido — exaltou Cifuentes.

Impressões de Cifuentes no Cruzeiro e história de vida

O equatoriano ainda elogiou o profissionalismo dos profissionais presentes no Cruzeiro e a integração do time profissional com o sub-20, algo que faltou em seu início como jogador. Segundo José Cifuentes, todo mundo é igual no clube celeste e se tratam como uma família.

Por fim, Cifuentes, hoje com uma disputa de Copa do Mundo no currículo, contou um pouco de sua experiência de vida, revelando que passou por dificuldades financeiras, chegando a não ter o que comer, e que teve que sair de casa muito novo. Mas ressaltou que isso o moldou e o permite lidar bem com as adversidades encontradas em seu caminho.

Simpático e líder, Lucas Villalba vive um sonho

Enquanto Cifuentes se mostrou tímido, seu novo companheiro, Lucas Villalba, zagueiro argentino de 29 anos, esbanjou simpatia e conseguiu se comunicar de forma clara, mesmo que ainda arranhando um pouco no portunhol. O defensor confirmou as impressões passadas durante suas negociações com a Raposa e mostrou estar vivendo um sonho.

Ele contou que vir ao futebol brasileiro era um objetivo de sua vida. Que jogadores mais jovens sonhavam com a Europa, mas que ele via o Brasil como o próximo estágio de sua carreira. O defensor revelou que veio sozinho ao país, mas que quer fazer tudo dar certo para, em breve, trazer sua família, pois sente falta deles. Ainda assim, o zagueiro ressaltou o desejo de que essas saudades não sejam um peso em seu dia a dia.

— Um dos meus desejos era jogar aqui, no Brasil, para ver até onde eu poderia chegar. É um desafio pra mim, importante. Minhas expectativas são altas. À medida que entro no mundo Cruzeiro, me fecho com o grupo, com o futebol do Brasil e tento me colocar no lugar. O conhecimento, a parte argentina que eu trago. Era minha prioridade jogar nesse futebol — contou o falante argentino.

Lucas Villalba foi perguntado pela Trivela sobre suas características e principais qualidades em campo, mas inicialmente não quis falar. Segundo ele, é preciso mostrar nos jogos, já que se qualificar sem dar a resposta ao clube não faz sentido. Ainda assim, posteriormente, ele se soltou e deu uma palhinha do jogador que chega ao Cruzeiro.

— Tenho que mostrar no campo. Tenho conhecimento de linha de três defensores, tento aprender todos os dias. Todos os momentos que tenho que fazer dentro do campo, vou tentar implementar, uma saída de bola, um momento de jogo, ter conexão entre as linhas, para de forma conjunta armar um bom time e um bom grupo — argumentou Villalba, antes de citar uma série de situações de saída de jogo que pode executar e de afirmar que atuou numa linha de três zagueiros nos últimos três anos, se sentindo confortável assim.

O zagueiro ainda afirmou ter o passe logo, que quebra a marcação pressão adversária, como um ponto forte, seja em bolas altas, baixas ou cruzadas, sempre com o mesmo objetivo.

Empolgação por oportunidade no Cruzeiro e conversa com Sorín

Villalba revelou, ainda, ter um perfil de liderança e se mostrou empolgado com a possibilidade de escrever sua história num clube como o Cruzeiro. Ele ainda revelou que nos últimos dias conversou com o ex-lateral esquerdo Juan Pablo Sorín, ídolo da Raposa e revelado pelo Argentinos Juniors.

— Há poucos dias falei com Sorín. Ele me mandou mensagem e é algo gratificante pra mim. Quando era criança, via ele na TV. Me desejou parabéns e desejou que eu tenha uma boa passagem aqui e conheça sobre o Cruzeiro, saiba de sua história. Tentarei colocar meu nome na história, pequena, grande ou média, depende do caminho. Mas colocar o melhor possível e entregar o máximo. Quero essa oportunidade há muito tempo. Veremos com o tempo — afirmou o defensor.

O jogador também disse entender a pressão de jogar num clube como o Cruzeiro e comentou sobre a precoce eliminação celeste na Copa do Brasil. Segundo ele, esses momentos fazem grupos mais fortes e que, pelo grupo entender o peso da camisa que veste, isso é um motivo para a equipe se unir e crescer mais.

— Lamentavelmente, estamos fora (da Copa do Brasil). Sei que são golpes duros para as equipes tão grandes como o Cruzeiro. Na Argentina acontece também, onde gigantes enfrentam menores. É uma possibilidade e temos que aprender com isso, não só sobre situação de jogo, de análise. Estamos em etapas de preparação e quando se ganha, é mais fácil seguir. Dito isso, estamos em uma etapa final do estadual, semifinal e tomara que a final. Estamos preparados e buscamos melhorar. Isso dependerá da preparação e estamos aqui para somar, nos 11, no banco ou até fora. O que importa é a instituição — declarou Villalba.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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