Alexandre Pato: ‘O Brasil precisa de jogadores como ele, só talento não basta no futebol atual’
Ex-atacante analisou mudanças no jogo e expôs importância de diferentes perfis dentro da convocação de Carlo Ancelotti
Em clima de Data Fifa, Brasil x França prometem fazer um grande amistoso nesta quinta-feira (26). O jogo também servirá como laboratório para Carlo Ancelotti, que testará suas novidades diante de uma das favoritas ao título da Copa do Mundo. Treinado pelo italiano nos tempos de Milan, Alexandre Pato valoriza a diversidade de sua convocação.
O ex-atacante brasileiro concedeu uma entrevista ao “The Athletic” e avaliou a importância de jogadores de imposição física no futebol atual. E Pato fez questão de exaltar Igor Thiago, que faz temporada avassaladora no Brentford e foi chamado pela Seleção pela primeira vez na carreira.
— Igor Thiago merece estar na Seleção agora. Ele é diferente, mas o Brasil precisa jogar assim. Sempre seremos sinônimos de talento, mas só talento não basta para o futebol atual. O mundo mudou, o físico dos jogadores também — ponderou o ex-São Paulo.

Alexandre Pato argumenta que o futebol brasileiro ainda tem dificuldades para formar jogadores semelhantes ao centroavante de 24 anos, porque a base ainda “valoriza mais o talento”. Contudo, em um torneio como o Mundial, o ex-jogador de 36 anos acredita que ter alguém como Igor Thiago à disposição seria importante para jogos mais truncados.
— Precisamos de jogadores como ele. Em certas situações de jogo, você precisa competir. Nós não temos jogadores assim — completou Pato.
Igor Thiago faz história no Brentford e se candidata à vaga na Copa do Mundo
Após se profissionalizar no Cruzeiro, o atacante se destacou em mercados alternativos (Ludogorets e Club Brugge) antes de desembarcar na Inglaterra, em meados de 2024. Após uma temporada de estreia com poucas oportunidades devido graves lesões, Igor Thiago despontou nos Bees em 2025/26.

Ele só está atrás de Erling Haaland, do Manchester City, entre os artilheiros da Premier League. Além disso, Igor Thiago já superou o recorde brasileiro de gols em uma única edição do campeonato com 19 bolas na rede — e ainda restam sete rodadas para ampliar a marca.
No Brentford, o camisa 9 se destacou por aspectos como força, passada larga e boa explosão, o que, aliados a sua altura de 1,91m, o tornam uma ameaça à grande área adversária. Seu trabalho como pivô e apoio à linha de construção completam um perfil em escassez na Seleção.
Além dos pontas, nomes como João Pedro e Matheus Cunha conquistaram a confiança de Ancelotti por saberem atacar o espaço em velocidade e se movimentarem livremente no último terço, além do comprometimento defensivo em pressionar a saída de bola rival.

Por outro lado, ainda não há uma unanimidade entre os centroavantes mais tradicionais no Brasil. Isso ajuda a explicar porque o técnico de 66 anos convocou não só Igor Thiago, como também Endrick e Rayan, que têm potencial para jogar entre os zagueiros e vencer duelos físicos.
— Agora o jogo é mais duro. […] Se você não se esforçar ao máximo e trabalhar para o time, está fora. Se você pensar apenas em talento hoje em dia, está fora. Então é mais físico, é preciso ouvir seu treinador (sobre as instruções de marcação) — reconhece o atacante aposentado.



