Brasil x França: Como Deschamps lida com dúvidas que Ancelotti conhece bem
Didier Deschamps tem últimos ajustes a fazer antes da Copa do Mundo, e teste contra Seleção será parâmetro competitivo
Repleta de novidades, a seleção brasileira com Carlo Ancelotti está prestes a fazer seu maior teste desde que assumiu o cargo, em junho de 2025: a França, finalista das últimas duas edições da Copa do Mundo.
Após campanha tranquila nas Eliminatórias Europeias, Didier Deschamps prepara os últimos ajustes antes de fechar a lista de quem viaja para a América do Norte. E, assim como o técnico italiano, o treinador da seleção francesa também tem algumas dúvidas que precisam ser sanadas nos amistosos.
Antes do confronto entre Brasil x França de quinta-feira (26), às 17h (horário de Brasília), Gillette Stadium, em Foxborough, nos EUA, a Trivela conversou com os jornalistas Eric Frosio, correspondente do jornal “L’Équipe” no Brasil, e Romain Lantheaume, do Top Mercato, para explicar como Deschamps e companhia chegam ao amistoso.
— A verdade é que não é a hora de inventar ou de construir alguma coisa. Na cabeça dele (Deschamps), o grupo está bem definido. Com ele, o principal é a convivência, a experiência na seleção. Isso conta mais que o dia-a-dia no clube — declarou Frosin.
Condição física de Mbappé preocupa

A grande preocupação da seleção francesa é a condição física de Kylian Mbappé. Referência técnica do Real Madrid desde a última temporada, o atacante tem enfrentado dores no joelho esquerdo desde dezembro, o que tem limitado seus minutos nas últimas semanas.
O controle de carga fez com que Mbappé ficasse quase um mês sem jogar pelos Merengues. Antes de sair do banco de reservas durante o jogo de volta das oitavas de final da Champions League, na última terça-feira (17), contra o Manchester City, no Etihad Stadium, o camisa 10 só havia sido utilizado no dia 21 de fevereiro.
Nesse período, o astro francês foi até Paris para se consultar com o traumatologista Bertrand Sonnery-Cottet, especialista em lesão no joelho. O diagnóstico apresentou o mesmo resultado do departamento médico do Real Madrid: uma entorse, cujo tratamento conservador deve ser suficiente.
Mesmo com a recuperação parcial do problema físico, Kylian Mbappé ainda tem um longo caminho para chegar 100% ao Mundial. Sem seu artilheiro, a França acumulou atuações pouco convincentes, gerando críticas da imprensa local.
— O problema no joelho de Mbappé tem sido motivo de preocupação na França nas últimas semanas. O atacante, no entanto, enviou uma mensagem tranquilizadora, garantindo que está bem — ponderou Lantheaume.
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Assim como Brasil, laterais da França enfrentam desconfiança

A exemplo da Seleção de Ancelotti, as laterais também não são uma unanimidade. O treinador francês tem uma escassez de opções para montar sua defesa em ambos os flancos, já que as lesões e as fracas atuações nos clubes têm atrapalhado a montagem do sistema defensivo titular.
— É como no Brasil, um pouco menos, eu diria, porque o Brasil está numa situação bem péssima em relação a laterais. Na França, tem um pouco dessa fragilidade. O Koundé está lesionado, mas tem o Digne. Os irmãos Hernández estão em uma fase péssima, mas têm a confiança do técnico — disse o correspondente do “L’Équipe” no Brasil.
A falta de laterais direitos de origem obrigaram Didier Deschamps a improvisar nos últimos anos. Primeiro com Benjamin Pavard, e mais recentemente, com Jules Koundé. O defensor do Barcelona é quem mais transmite confiança na França, porém, o excesso de jogos nos últimos anos renderam um problema muscular na coxa.
Do lado esquerdo, Lucas Digne viu sua titularidade no Aston Villa ameaçada, e a falta de sequência pode interferir em seu ritmo de jogo. Theo Hernández, que outrora foi dono absoluto da lateral, não vive mais seu auge na carreira, seja no Al-Hilal, ou na seleção francesa.
Segundo o jornal “L’Équipe”, o técnico francês cogita dar uma chance a Pierre Kalulu (Juventus) na lateral-direita. Outra opção seria fazer como Luis Enrique no PSG e improvisar o meia Warren Zaïre-Emery (PSG). Já na esquerda, Lucas Hernández (PSG) e Eduardo Camavinga (Real Madrid) podem ser testados.
O que significa o amistoso contra o Brasil?

Mbappé disputou oito das 10 partidas dos franceses em 2025, quase sempre disputando os 90 minutos. Na ausência do astro, quem foi a referência ofensiva de Deschamps foi Jean-Philipe Mateta, que sequer foi chamado devido uma lesão sofrida no Crystal Palace.
— Caso Mbappé esteja ausente contra o Brasil, Hugo Ekitiké certamente seria o favorito para substituí-lo, à frente de Randal Kolo Muani e Marcus Thuram — explica Lantheaume.
Eric Frosio e Romain Lantheaume concordam que uma vitória contra um adversário do tamanho do Brasil aumentaria a confiança da seleção. Entretanto, independentemente do resultado no amistoso, já há expectativa pela troca de treinador após a Copa do Mundo.
— Naturalmente, uma vitória contra um dos outros favoritos do Mundial seria melhor para o moral da equipe do que uma derrota. Mas a seleção demonstrou em torneios recentes que os resultados pré-Copa importam pouco, e é provável que, mesmo em caso de derrota, o moral da equipe não seja muito afetado — concluiu Lantheaume.
Com Didier Deschamps em fim de ciclo, a imprensa local adianta que Zinedine Zidane assumirá a função depois do torneio.
— Eu acho que uma derrota contra o Brasil não mudaria nada, estamos na última reta antes da Copa, a maioria dos torcedores está cansada do Deschamps, do estilo dele. Mas enfim, se tiver uma boa vitória contra o Brasil, claro que vai ajudar — finalizou Frosio
Deschamps comanda geração estrelada

Apesar das oscilações no ciclo para a Copa, Deschamps tem à disposição uma das melhores (se não a melhor) gerações de talentos. Com a ressalva das alas, os franceses estão bem servidos em todas as outras posições, cujos potenciais reservas poderiam ser titulares em outras seleções de topo.
Confira abaixo a convocação da França para o amistoso contra a seleção brasileira
Goleiros
- Lucas Chevalier (PSG);
- Mike Maignan (Milan);
- Brice Samba (Rennes)
Defensores
- Lucas Digne (Aston Villa);
- Malo Gusto (Chelsea);
- Lucas Hernandez (PSG);
- Theo Hernandez (Al Hilal);
- Pierre Kalulu (Juventus);
- Ibrahima Konaté (Liverpool);
- Maxence Lacroix (Crystal Palace);
- Dayot Upamecano (Bayern de Munique)
Meio-campistas
- Eduardo Camavinga (Real Madrid);
- N’Golo Kanté (Fenerbahçe);
- Manu Koné (Roma);
- Adrien Rabiot (Milan);
- Aurelien Tchouaméni (Real Madrid);
- Warren Zaïre-Emery (PSG);
Atacantes
- Maghnes Akliouche (Mônaco);
- Ryan Cherki (Manchester City);
- Ousmane Dembélé (PSG);
- Desiré Douré (PSG);
- Hugo Ekitiké (Liverpool);
- Randal Kolo Muani (Tottenham);
- Kylian Mbappé (Real Madrid);
- Michael Olise (Bayern de Munique);
- Marcus Thuram (Internazionale)



