Brasil

Tranquilo neste sábado, depois de erupção da semana passada, Abel se mostra cada dia mais palmeirense

Técnico do Palmeiras tratou até assuntos tensos com tranquilidade, nesta noite, em Barueri

Abel ter nascido em Portugal, fica cada vez mais claro, foi um mero acidente. Nem Felipão, que se declara palmeirense e gremista, justamente por ter um outro amor no Brasil, conseguiu uma conversão tão completa quanto a do atual técnico do Palmeiras.

Quem teve a chance de ver a entrevista coletiva de Abel Ferreira depois do empate por 2 a 2 com o Corinthians viu alguém muito além da conta até para os parâmetros já elásticos do técnico alviverde. Abel chegou a chamar um jovem repórter, autor de uma pergunta que o desagradou, de “meu filho”, algo bem ofensivo num contexto profissional.

Mas, neste sábado, após a vitória sobre o Mirassol, pelo Campeonato Paulista, só faltaram as chinelas e os pés sobre o balcão da sala de entrevistas coletivas da Arena Barueri. Abel era o retrato da tranquilidade de quem sabe ter um respiro com o resultado e a conquista antecipada de uma vaga nas quartas de final do Paulista.

O retrato da paz

Abel, a cada dia, espelha mais o comportamento dos palmeirenses. O alviverde que não estava possesso após o empate dado de presente para o maior rival não era palmeirense. Do mesmo jeito que o torcedor que não relaxou com o 3 a 1, com direito a gol do xodó Aníbal Moreno, pode procurar outro time para apoiar.

Nada tiraria a calma de Abel. Estádio alagado e campo encharcado antes do jogo? Sem problemas!

— Foi uma bela surpresa. Quando vimos as imagens de tudo cheio d'água, ficamos assustados. Mas temos que dizer o que é certo. Todo o estafe que ficou trabalhando para recuperar foi de uma competência excelente. Quando chegamos, a água tinha desaparecido. No gramado, a água foi sumindo. E como chama o santo da chuva? São Pedro… São Pedro nos deu trégua para termos um bom jogo — disse o português.

Críticas e ameaças a Weverton nas redes sociais depois da falha contra o Corinthians? E assim que é, oras!

— As redes sociais tem um impacto terrível. Há muitos influencers, pessoas que fazem fortunas atrás de um telefone. E está certo, o futuro caminhará por aí. Quem joga no Palmeiras sabe que a pressão é máxima, a responsabilidade é máxima. Se não ganhar de 4 ou 5, não serve. E temos que continuar tantos títulos quanto ganhamos agora – disse.

— Temos que aprender a lidar com as críticas e com a emoção dos torcedores. A torcida tem todo o direito de se manifestar – completou.

Cobrança da imprensa e da torcida? A culpa é dos jogadores:

— Eu sempre digo que toda a expectativa que criamos em vocês (imprensa) e na torcida, a responsabilidade é deles e de mais ninguém. Agora que eles aguentem nas costas. Eles criaram, agora aguentem – concluiu, entre risos.

E mesmo a falha de Weverton na semana passada foi tratada com leveza.

— Primeiro, fico contente porque ele (Weverton) é humano. Ele erra, eu também erro. Segundo, felizmente, nós temos um goleiro que faz defesa de títulos e de pontos. Como humano que é, como os melhores goleiros do mundo, às vezes mete seus frangos. É humano! Eu disse zero para ele. Quando ele fez a defesa contra o Botafogo, que foi tão importante, disse zero também. Ele sabe que os colegas confiam nele, sabe que o treinador confia nele, sabe que o Palmeiras confia nele.

O Palmeiras tem agora a Portuguesa pela frente, na próxima quarta-feira (28). E então, como penúltimo jogo da primeira fase, terá pela frente o São Paulo, algoz na Supercopa Rei há 20 dias. Até lá, o bom humor do torcedor e de Abel deve se manter. Depois do apito final, será uma nova história

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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