Brasil

‘Não sei explicar’: Abel desconta frustração em pergunta e assume falta de eficácia, mas exalta ’87 minutos’ do Palmeiras

Técnico do Palmeiras defendeu a apresentação do seu time, mas reconheceu que há algo estranho com a equipe

Não dava nem para imaginar uma reação diferente: o técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, chegou à entrevista coletiva, após o empate em 2 a 2, de Palmeiras e Corinthians, pelo Campeonato Paulista, em ebulição.

Para piorar, a primeira pergunta, que ele nem deixou ser concluída, indagou se algo melhor do que Piquerez chutar uma falta na entrada da área para fora, poderia ter sido feito, já que o zagueiro Gustavo Henrique estava no gol — Cássio havia sido expulso.

— Que jogo houve depois da expulsão? Após a expulsão, houve a falta. Uma bola longa e a falta. Não sei se chegou a 5 minutos. Não sei explicar. (Mas a situação foi trabalhada?). Trabalhada o que, filho? Sim, é um sentimento frustrante. Você viu o jogo como eu?

Depois disso, a pergunta foi citada por Abel e quase todas as respostas.

— Tivemos 87 minutos de futebol total. Mas, talvez, eu tenha que pensar no que falou seu colega, sobre os cinco minutos — disse ele, por exemplo.

— Daqui a dez anos, quando acontecer de novo, os jogadores vão estar treinados — ironizou.

Mas, apesar do justificado nervosismo, Abel reconheceu que faltou eficácia ao Palmeiras.

— Fizemos um jogo intenso, criamos muitas oportunidades, não deixamos o adversário jogar. Me lembro uma do Endrick que parou no Cássio, outra do Flaco López. Um gol anulado, bem anulado. Futebol é isso — disse.

— Poderíamos ter feito três ou quatro. Nosso volume foi muito superior, muito absurdo, não me lembro de um jogo com o Corinthians desde que estou aqui com esse volume, com essa intensidade, não deixar o adversário jogar, criar oportunidades flagrantes de gols — afirmou.

— É mais um jogo sem perder, mas isso a mim não conta agora, porque merecíamos o resultado. Parabéns ao adversário que conseguiu fazer dois belíssimos gols — completou.

— Em cinco minutos botamos tudo a perder, responsabilidade do treinador, dos jogadores. Para você ver como crescemos, quando o Palmeiras empata com o Corinthians o sentimento é de derrota, para nosso adversário é o sentimento de vitória e para nós é de derrota em função de tudo que se passou.

Quando teve calma, Abel reconheceu que seu time passa por uma fase complicada.

— Vou tentar rever o jogo. Não tenho razão. Como vou explicar as chances perdidas? Não teve nada a ver com volume que criamos. Se chegasse e falasse que fez cinco ou seis chutes, que não criou, mas não foi o caso. Nosso problema não tem sido o volume. Estamos a fazer gols, mas falta um bocadinho que está esquisito

No fim, Abel Ferreira recorreu a chavões clássicos, antes de deixar a entrevista, ainda muito nervoso:

— Já falei aqui várias vezes que o futebol é mágico por isso, porque só acaba quando termina. Já falei aqui várias vezes que o futebol é mágico por isso, porque só acaba quando termina. Apesar da tristeza ou do empate, eu não posso esquecer do grande jogo que fizemos e poderia ter sido outro resultado e não foi, foi 2 a 2, tenho que aceitar e seguir. É o resultado que toma conta dos jogadores e não o contrário. Nós temos que tomar conta das nossas tarefas

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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