Abel tem dois jogos para resolver tonelada de problemas no Palmeiras antes da Supercopa
Técnico do Palmeiras tem problemas a resolver e peças a selecionar para o confronto mais importante do começo da temporada
Santos, no domingo (28), e Red Bull Bragantino, na quarta-feira (31). Abel Ferreira tem muito mais dúvidas a sanar do que jogos por jogar antes de decidir a Supercopa do Brasil.
O tempo é curto para a importância da decisão. E, principalmente, para o treinador tirar algumas dúvidas, que podem ou não serem afetadas pelo fato de a temporada estar no início.
Pode acontecer de uma escolha técnica esbarrar em um mau condicionamento físico. Ou, ao contrário, de um jogador estar pedindo passagem fisicamente, mas não ter a entrega técnica ou característica esperada pelo técnico.
Dois dos reforços recebidos pelo técnico têm condição de jogo. O terceiro, Bruno Rodrigues, vai passar por cirurgia. Justamente o homem de ataque, setor que está caótico devido à ausência de Endrick.
O Palmeiras achou, rapidinho, uma forma de jogar em função de seu camisa 9, no ano passado. O problema é que a fórmula de 2023 não pode ser replicada com nenhum outro atacante do elenco. Por conta não só do modo de jogar, mas também da qualidade de Endrick.
Todo esse pacote deixa Abel de mãos levemente atadas: até dá para desamarrá-las, mas leva tempo. E, tempo é o que o português não tem sobrando.
Ainda não dá para vislumbrar qual o Palmeiras que vai entrar em campo no Choque-Rei de Belo Horizonte, do próximo dia 4. E a julgar pelo que o time mostrou em campo, a Trivela lista as principais resoluções necessárias:
O esquema
Abel testou o time no 3-5-2 campeão brasileiro, em 2023, contra o Novorizontino (1 a 1). E também colocou para jogo o seu 4-3-3 clássico, mais usado por ele ao longo de sua passagem pela equipe, contra a Inter de Limeira (3 a 2).
Decidir como o time vai a campo vai ajudá-lo em algumas escolhas de titulares. Mas pode também acontecer o contrário, e Abel adotar o esquema que melhor se encaixe nas peças que estiverem em melhor forma.
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A lateral-direita
No ano passado, o titular foi Mayke. O camisa 12 se aproveitou de uma lesão muscular, que tirou Rocha do time por dois meses, no 1º semestre, tomou a posição e não devolveu mais.
Mas Rocha está inteiro, enquanto Mayke sentiu dores musculares e nem encarou a Inter, na última quarta (24). Abel sempre dá um jeito de contar com Rocha. Em um esquema com três zagueiros, ambos poderiam jogar. Mas se o técnico optar pelo 4-3-3, alguém, em tese, vai sobrar.
O miolo da zaga
Dos três zagueiros usualmente mais escalados, Gustavo Gómez é o que está pior nesse início de ano. O capitão do time foi responsável direto por dois dos três gols sofridos pela equipe e parece ainda pesado.
É difícil pensar em um time do Palmeiras sem Gómez. Mas com Rocha jogando, o paraguaio tem que atuar como zagueiro centralizado, posição em que rende menos defendendo e atacando.
Tanto Luan quanto Murilo mostraram mais desenvoltura que Gómez nesta temporada.
A “volância”

Aníbal Moreno, ao menos para a torcida, não sai mais do time. O palmeirense se apaixonou pelo argentino após a partida de gala contra a Inter de Limeira.
E também não dá para pensar em um Palmeiras sem Zé Rafael. Em tese, se tiver visto o mesmo jogo que o torcedor, o português já tem um veredicto. Mas Abel não pensa assim, de modo tão simplista.
Pelo método Abel, conforme ele mesmo explicou, há ainda o fator comportamental, além do técnico e do estratégico, fazendo parte desta conta.
Assim, Ríos ainda não está descartado como opção para começar o jogo. E conhecendo o respeito do técnico pela questão hierárquica, não será total surpresa se o colombiano estiver em campo no apito inicial.
O ataque
Aqui, o que o treinador tem é um quebra cabeça de mil peças. Na verdade, são só cinco, mas a dificuldade de encaixá-las engrandece o desafio.
Dentre Rony, Flaco López, Breno Lopes, Caio Paulista e Luis Guilherme, tem que sair a formação ofensiva do time – Estevão corre por fora nessa disputa.
Pode ser um trio, o que pediria do técnico a escolha por dois pontas e um jogador mais centralizado. Ou pode ser um duo, como Breno e Endrick terminaram o ano fazendo.
O ponto é que, sem Endrick, é difícil montar qualquer dupla. Pois, para o esquema dar certo com as peças que o time tem nos outros setores, é preciso um atacante mais cerebral, que também recue e pense os lances.
Flaco é quem chega mais perto da desenvoltura tática necessária para o 3-5-2. Já Rony funciona melhor em outro tipo de proposta de jogo, com mais verticalidade e o ataque de espaços do 4-3-3.
Mas os pontas testados por Abel até o momento também ficaram devendo. Luis e Bruno Rodrigues, que é carta fora do baralho, mal pegaram na bola contra a Inter, na quarta, por exemplo. Breno Lopes começou o ano mal. E, desse modo, esse é o setor onde o técnico certamente tem menos certezas.
A boa notícia é que ainda há dois jogos para ele tomar uma decisão. A má notícia é que esses jogos são um clássico contra um Santos ferido pelo rebaixamento, que começa bem o ano, e um confronto com o forte Red Bull Bragantino.



