Azarões Eternos

O caso dos “cachirules” e a geração (quase) perdida do México para a Copa de 90

Participando ininterruptamente das Copas do Mundo desde 1994, o México esteve ausente do Mundial de 1990, na Itália, não exatamente por ter perdido a vaga em campo: o escândalo dos “cachirules”, atletas com idade adulterada pela federação nacional para disputarem torneios de base pela seleção, rendeu a El Tri uma suspensão de dois anos por parte da Fifa. Além de representar um anticlímax após a grande campanha dos astecas como anfitriões em 1986, a punição acabou retardando ou mesmo impedindo que uma safra local considerada promissora se exibisse na principal competição de seleções.

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O escândalo dos ‘cachirules’

A Copa do Mundo de 1986 deixou boas recordações aos torcedores mexicanos. Sua seleção, anfitriã do torneio pela segunda vez, cumpriu sua melhor campanha na história da competição, alcançando as quartas de final – o que só havia feito na outra vez em que sediou, em 1970, mas agora disputando cinco jogos em vez de quatro. Saiu ainda invicta, derrotada somente nos pênaltis pela Alemanha Ocidental. E houve ainda o golaço do meia Manuel Negrete contra a Bulgária, o voleio de sem-pulo aclamado como um dos mais bonitos de todos os Mundiais.

O bom desempenho também trouxe de volta o orgulho da seleção, que vinha em baixa nos anos anteriores: nas últimas três Copas, o México só havia jogado a de 1978, na qual ficou na lanterna, perdendo os três jogos e sendo goleado pelos mesmos alemães ocidentais por 6 a 0. Em 1982, mesmo com duas vagas em disputa nas Eliminatórias para o Mundial da Espanha, a seleção asteca deu vexame ao terminar atrás de Honduras e El Salvador. De quebra, também estivera ausente dos torneios olímpicos de futebol de Moscou 1980 e Los Angeles 1984.

Outro reflexo positivo da boa campanha na Copa de 1986 – e do sucesso do principal jogador do país, Hugo Sánchez, no futebol espanhol (onde era destaque do Real Madrid) – foi o começo de um até então praticamente inédito êxodo em massa de jogadores mexicanos para a Europa, em especial para a liga espanhola. Embora, em geral, as passagens não tenham sido bem-sucedidas, a experiência valeu a pena ainda mais quando se observava a falta de intercâmbio com centros mais desenvolvidos da qual sofria o futebol asteca de então.

O caminho para reerguer a seleção mexicana parecia sem volta. Em 14 de fevereiro de 1988, com a vitória por 3 a 0 sobre a Guatemala fora de casa pela última rodada do torneio pré-olímpico, a equipe confirmou sua classificação para os Jogos de Seul. Dois meses depois, em 24 de abril, a vitória por 2 a 1 sobre os Estados Unidos carimbava o passaporte da equipe sub-20 para o Mundial da categoria a ser realizado em 1989 na Arábia Saudita. Faltava apenas garantir presença na Copa do Mundo da Itália, cujas Eliminatórias começariam no segundo semestre.

Antonio Moreno, jovem jornalista esportivo de 27 anos da emissora de TV Imevisión, trabalhava na cobertura do torneio classificatório para o Mundial de Juniores, quando, ao folhear um anuário recém-publicado pela própria federação mexicana, percebeu que as datas de nascimento de pelo menos quatro atletas convocados não batiam com as que constavam na relação oficial entregue pela FMF à Concacaf. Publicou então, sem assinar, uma nota no jornal Ovaciones (onde escrevia) do dia 12 de abril de 1988, apontando as incongruências nas duas listagens.

Oito dias depois, levando a apuração adiante, Moreno assinou um artigo no mesmo periódico no qual alertava para o risco representado pelo gesto de tentar levar vantagem sobre os adversários escalando atletas acima da idade permitida. Especialmente visto que, em 3 de janeiro daquele ano, a Fifa havia publicado num editorial em seu boletim “Fifa News” uma sonora advertência às federações (em especial as africanas) para que não tentassem burlar as regras de idade nas competições de seleções juvenis, sob pena de suspensão por dois anos.

Num primeiro momento, a reação da FMF foi minimizar o caso e tentar desacreditar Moreno e sua descoberta. Porém, aos poucos mais jornalistas foram levantando outros casos e comparando registros oficiais, atestando a fraude. O caso mais chocante era o do zagueiro Aurelio Rivera, o capitão da seleção sub-20, que na verdade era sete anos mais velho que a idade limite. Enquanto o escândalo explodia na imprensa e a federação se fechava em silêncio, as notícias chegavam à Guatemala, onde os jogadores disputavam o torneio classificatório.

Ao saber do caso, a federação guatemalteca imediatamente apresentou denúncia na Concacaf, em conjunto com as entidades de Estados Unidos e Canadá. A investigação, conduzida pelo salvadorenho José Ramón Flores, logo comprovou a fraude. As punições iniciais aplicadas pela Concacaf foram a exclusão da seleção sub-20 do Mundial da Arábia Saudita, a suspensão da equipe de juniores das competições oficiais por dois anos e o banimento de mais de uma dezena de integrantes do conselho da FMF, entre eles o presidente Rafael del Castillo.

O único integrante absolvido foi Francisco Avilán, ex-jogador e treinador do Monterrey, que na ocasião ocupava o posto de diretor técnico. Em sua defesa, Avilán disse ter alertado o presidente da FMF da irregularidade, mas o mandatário não lhe deu ouvidos. Del Castillo acreditava ter uma grande carta na manga: Guillermo Cañedo, poderoso empresário do ramo das telecomunicações, ex-presidente do América e da própria federação, e braço-direito de João Havelange na Fifa – e um dos grandes responsáveis por trazer a Copa de 1986 ao país.

Mas o esforço de apelar à Fifa para tentar reverter a punição fez água quando o secretário-geral da entidade máxima do futebol, Sepp Blatter, declarou em carta que a decisão da Concacaf era inapelável. Pior: além de reiterar a suspensão da equipe de base, a Fifa ainda estendeu a punição a todas as seleções mexicanas, de todas as categorias. A intenção da federação internacional ao anunciar a medida punitiva em 30 de junho de 1988 era a de aplicar um “castigo exemplar”, um gesto concreto para referendar o alerta feito em janeiro.

Com isso, o México ficava não apenas de fora do Mundial de Juniores – com a seleção dos Estados Unidos, terceira no torneio classificatório, herdando a vaga – como também do torneio olímpico de Seul (substituído pela Guatemala) e ainda excluído das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1990, com a Costa Rica – a quem enfrentaria em um mata-mata – avançando diretamente ao pentagonal decisivo. Os costarriquenhos acabariam levando uma das vagas e seriam dirigidos na Itália pelo mesmo Bora Milutinovic que comandara El Tri em 1986.

O episódio ainda rendeu a abertura de inquérito na Justiça Comum, com os quatro jogadores envolvidos – os defensores Aurelio Rivera e José de la Fuente e os atacantes Gerardo Jiménez e José Luis Mata – admitindo em juízo que haviam tido suas datas de nascimento adulteradas sob ordens de Rafael del Castillo. Em 2008, numa entrevista ao jornal El Universal, Rivera afirmou que não apenas aqueles quatro jogadores, mas praticamente todos os convocados – à exceção de dois nomes – haviam tido a idade reduzida para defender a seleção sub-20.

Nas décadas de 1950 e 1960, as primeiras da televisão no México, havia um personagem infantil chamado “Cachirulo” representado pelo ator (adulto) Enrique Alonso. O termo “cachirul” ou “cachirulo” também era conhecido desde o início do século XX para denominar um remendo de má qualidade feito em roupas. O futebol logo adaptou ambas as acepções para indicar jogadores de fora do elenco incluídos em equipes para completar o número mínimo de atletas. Por isso, o caso de 1988 ficaria conhecido no país como o escândalo dos “cachirules”.

Os nomes que poderiam ter estado na Itália

Deixando a justiça da punição à parte, a exclusão da seleção mexicana da Copa de 1990 frustraria uma geração inteira de jogadores. Alguns perderam a chance de disputar um segundo (e último) mundial. Outros, mais jovens, tiveram de protelar esse sonho em quatro anos. E houve ainda os que viviam naquele momento a grande fase da carreira e que acabariam nunca tendo outra chance de figurar na principal competição de seleções pela equipe asteca – ainda que viessem a participar mais tarde de torneios como a Copa Concacaf e a Copa América.

No primeiro grupo estava boa parte dos jogadores que entraram em campo nas cinco partidas do México no Mundial de 1986. Nomes como o goleiro Pablo Larios, que quatro anos mais tarde vivia novamente boa fase como dono da camisa 1 do Puebla, que vencera a dobradinha nacional na temporada 1989/90. Entre seus companheiros de defesa na seleção, o zagueiro Felix Cruz e o lateral-esquerdo Raúl Servín eram outros que poderiam ter retornado em gramados italianos, caso El Tri confirmasse a classificação nas Eliminatórias da Concacaf.

Entre os meio-campistas, praticamente todos os titulares de 1986 continuaram atuando com regularidade pela seleção após o torneio, com exceção do veterano armador Tomás Boy. Nomes como o volante Carlos Muñoz, os meias Miguel España e Javier Aguirre, além do ponta-de-lança Manuel Negrete também tinham grandes chances de disputar mais uma Copa. Já no ataque, além da óbvia presença de Hugo Sánchez, havia uma boa safra de jovens vinda de 1986 em Luis “Lucho” Flores, Francisco Javier “Abuelo” Cruz e Carlos Hermosillo.

Entre os dois ciclos, muitos desses nomes tiveram sua experiência de futebol europeu, em meio ao êxodo já mencionado. O primeiro a sair foi Negrete, em alta após as grandes atuações na Copa, mas com passagens curtas e sem brilho pelos Sporting’s de Lisboa e Gijón. Também logo após o Mundial, Javier Aguirre foi vestir a camisa do Osasuna por uma temporada, assim como Lucho Flores, que seria companheiro de Negrete em Gijón e mais tarde defenderia o Valencia. Já Abuelo Cruz marcaria apenas um gol em 23 jogos pelo Logroñés em 1988/89.

No início de 1990, seria a vez de Hermosillo desbravar por cerca de seis meses uma liga quase inédita aos jogadores mexicanos: a belga, ao defender o Standard Liége. Entretanto, o nome mais representativo do futebol mexicano na Europa naquele momento era mesmo Hugo Sánchez, que atravessava fase espetacular no Real Madrid. Naquela temporada 1989/90, além de conquistar o Campeonato Espanhol pela quinta vez consecutiva, seus 38 gols em 35 partidas lhe dariam não apenas o “Pichichi” como também a Chuteira de Ouro europeia.

O artilheiro, no entanto, provavelmente teria de superar o mesmo entrave de quatro anos antes: a adaptação aos companheiros e ao estilo de jogo da seleção. O fato de ter se estabelecido na Espanha fez com que Hugo Sánchez passasse grande parte de sua carreira afastado de El Tri. Entre 1982 e 1992, o atacante só fez sete jogos pelo México – sendo quatro deles na Copa de 1986. A intensa temporada dos merengues dificultava a liberação do jogador para a seleção. Caso o México fosse à Itália, Hugo certamente chegaria em cima da hora.

A experiência europeia de alguns jogadores, ainda que quase incipiente na maioria dos casos, ajudava a amenizar uma carência grave da seleção mexicana: a falta de intercâmbio com equipes de nível semelhante ou superior, especialmente do Velho Continente. Para se ter uma dimensão do problema, basta dizer que entre setembro de 1984 e julho de 1992 (um período de quase oito anos) os astecas fizeram apenas uma partida na Europa – derrota para a Bélgica por 3 a 0 em Heysel num amistoso em junho de 1990, às vésperas da Copa da Itália.

A geração (quase) perdida

Mas nem só de remanescentes de 1986 vivia a seleção mexicana naquele momento. Em agosto de 1989, a revista espanhola Don Balón publicou uma reportagem intitulada “A geração perdida”, na qual lamentava que a punição da Fifa viria a impedir uma nova safra de atletas de se tornarem conhecidos internacionalmente na próxima Copa do Mundo, mas tratava de apresentar aqueles os quais apontava como “os exportáveis”: oito jogadores em alta, com idades entre 21 e 28 anos, e que tinham condições de brilhar em breve nos gramados espanhóis.

Os oito da lista eram os armadores Benjamín Galindo (Chivas) e Alberto García-Aspe (UNAM), os ponteiros Javier “Chicharo” Hernández (Tecos UAG) e Paúl Moreno (Puebla), os atacantes Luis Roberto Alves, o Zague (América) e Mario Ordiales (Atlante) e, por fim, os centroavantes Eduardo de la Torre (Chivas) e Carlos Hermosillo (América). Para cada um havia um pequeno perfil onde se destacava o estilo de jogo, as principais qualidades, além de eventuais clubes europeus que já tivessem manifestado interesse em trazê-los para o Velho Continente.

Galindo, o condutor do meio-campo no título nacional do Chivas em 1987, era apresentado como um armador menos dinâmico que os demais da lista, mas com grande qualidade técnica e precisão nos passes, lançamentos em profundidade e nas jogadas de bola parada. Já De La Torre, seu companheiro de clube, tivera passagem pouco empolgante pelo Xerez, na segunda divisão espanhola, mas ao voltar a seu país recuperara suas qualidades que faziam dele um centroavante rápido, inteligente e bom no jogo aéreo, ainda que sofresse com lesões.

Filho do ex-atacante corintiano Zague, que lhe emprestava o apelido, o atacante Luis Roberto Alves tinha sua origem brasileira destacada no perfil e associada ao seu estilo de jogo, veloz nas arrancadas e com ótimo controle de bola no pé esquerdo, além de sua habilidade tanto nas finalizações quanto nas assistências. Segundo a publicação, o jogador já havia recebido propostas do PSV Eindhoven e do Zaragoza. O clube aragonês também tentara contratar seu parceiro de ataque no América, o centroavante Carlos Hermosillo.

Paul Moreno pela seleção

Um dos poucos na lista a estarem no Mundial de 1986, Hermosillo parecia à primeira vista um atacante pesadão e lento, mas era só impressão: camisa 9 de boa mobilidade, aproveitava sua estatura no jogo aéreo e chutava bem com ambas as pernas. Vivendo um período consistente com o Puebla, o ponta-direita Paúl Moreno também era destacado na lista. Jogador arisco, de drible curto, atuava quase colado à linha lateral e era o responsável por puxar os contra-ataques. Ainda em 1989 ele seguiria para Guadalajara, onde defenderia o Chivas.

Outro ponteiro direito citado era Javier “Chicharo” Hernández (sim, o pai de Chicharito Hernández), que figurara no elenco de Bora Milutinovic para a Copa de 1986, mas não chegara a entrar em campo. Sobre ele, o texto da Don Balón dizia se tratar de um jogador muito veloz, inteligente, que gostava de chutar em gol sempre que entrava na área, não costumava ter problemas de lesões e, além de tudo, era muito regular em suas atuações. A revista ainda destacava que, apesar de ter um bom drible, Chicharo não abusava dele e se adaptava melhor ao jogo coletivo que outros pontas.

Outro jogador considerado um grande talento era Alberto García-Aspe, um dos mais jovens da lista, com apenas 22 anos. Armador canhoto que organizava o setor e se juntava ao ataque, tinha um chute forte de perna esquerda que o tornava perigoso em cobranças de falta. Por fim, havia o mais jovem de todos, Mario Ordiales, 21 anos e revelação da temporada 1988/89. Atacante habilidoso e oportunista, estava na mira do Zaragoza. Curiosamente, ainda não havia defendido a seleção – algo que não chegaria a fazer, numa carreira minada por lesões.

Ordiales, pelo Atlante

Dos oito citados na matéria da Don Balón, quatro – Galindo, García Aspe, Hermosillo e Zague –acabariam disputando o Mundial dos Estados Unidos em 1994. Além deles, outros nomes que já poderiam ter estado na Copa de 1990 eram o goleiro Adrián Chávez, o volante Marcelino Bernal, o meia Missael Espinoza e o atacante Luis Antonio Valdéz. Houve ainda o caso do atacante Ricardo Peláez, desde 1989 no radar de El Tri, mas que só participaria de uma Copa nove anos depois, convocado por Manuel Lapuente para o Mundial da França.

Porém, outros da mesma safra jogariam apenas a Copa América, nas duas primeiras edições com presença mexicana (1993 e 1995), como os defensores Juan Hernández e Guillermo “El Turbo” Muñoz, o meia Gerardo Esquivel e o atacante Daniel Guzmán. E outros ainda tiveram sua única participação em torneios de seleções na Copa Concacaf em 1991 e 1993. Eram os casos do zagueiro Efraín Herrera, dos meias Jorge Dávalos e José Manuel “Chepo” de la Torre (outro com passagem pelo futebol europeu, no Oviedo) e do atacante Octavio Mora.

Por fim, houve um nome de presença constante em El Tri no período, mas que nunca chegaria a figurar em um torneio de seleções: o armador Gonzalo Farfán, um dos jogadores mais importantes da história do América nos anos 1980 e 1990, que atuou 27 vezes e marcou cinco gols pela seleção asteca entre outubro de 1984 e setembro de 1993. Foi um dos que mais se ressentiram da falta de exposição internacional por não ter tido a chance de participar de uma Copa do Mundo na carreira, permanecendo como um atleta consagrado só no cenário nacional.

O México na Itália: terreno fértil para especulações

Projetar algo que não ocorreu, como o caso da participação mexicana no Mundial da Itália, é sempre um exercício de conjecturas. Mas até certo ponto é possível especular como teria sido o caminho dos astecas rumo à Copa. Por ironia, El Tri teria como primeiro oponente nas Eliminatórias, no mata-mata da segunda fase, exatamente a Costa Rica, que se classificaria para seu primeiro Mundial ao terminar como líder do pentagonal decisivo no qual os Estados Unidos também carimbaram o passaporte, com Trinidad & Tobago, Guatemala e El Salvador ficando pelo caminho.

Nesse cenário, passando pelos costarriquenhos e enfrentando esses adversários na fase final, é perfeitamente crível que os mexicanos teriam se classificado até com certa facilidade. Já na Copa, numa simples troca da Costa Rica pelo México, as possibilidades se multiplicam, dado o cenário do Grupo C, no qual os Ticos acabaram incluídos ao lado de Brasil, Suécia e Escócia. Há motivos para acreditar que os astecas teriam ao menos repetido a grande campanha costarriquenha, com a classificação como segundo da chave. Mas também há para duvidar.

Uma grande incógnita seria o desempenho de Hugo Sánchez. Em 1986, mesmo com a grande campanha dos anfitriões com um time montado – em tese – ao seu redor, o atacante não foi bem visto pelo elenco e fez uma Copa abaixo das expectativas dos torcedores. Chegou a perder um pênalti, defendido por “Gato” Fernández, no empate em 1 a 1 com o Paraguai, na segunda rodada da fase de grupos. Quatro anos depois, atravessava o melhor momento da carreira. Mas só se juntaria a El Tri às vésperas da Copa, sem muito tempo para adaptação.

A seleção mexicana em 1990

Além disso, o México ainda teria de enfrentar um obstáculo histórico: a Europa. Além do dado já citado de que entre 1984 e 1992, num espaço de quase oito anos, a seleção asteca faria apenas uma partida no Velho Continente, o retrospecto de El Tri por lá em termos de Mundiais estava longe de impressionar: havia disputado apenas três das sete Copas do Mundo realizadas em solo europeu antes de 1990 (com a última tendo sido a de 1966, na Inglaterra), sem ter vencido nenhuma partida, com três empates e cinco derrotas em oito jogos.

Por outro lado, o México contava inegavelmente com um grupo de jogadores de maior qualidade técnica do que a Costa Rica (que tinha, no entanto, a coesão e a aplicação como grandes trunfos). E num Grupo C no qual o Brasil não chegou a brilhar, a Suécia decepcionou totalmente e a Escócia apresentava uma seleção que não impunha tanto respeito quanto as de outros Mundiais, seria perfeitamente cabível acreditar que os mexicanos poderiam buscar a vaga nas oitavas, mesmo que fosse pela repescagem, como um dos melhores terceiros colocados.

Por ironia, no ciclo seguinte o México seria a primeira seleção a se classificar para o Mundial dos Estados Unidos via Eliminatórias, vencendo o quadrangular final da Concacaf em 9 de maio de 1993. Na Copa do Mundo, estrearia com derrota para a Noruega (1 a 0), mas se reabilitaria ao vencer a Irlanda (2 a 1) e empatar com a Itália (1 a 1), avançando na primeira colocação do Grupo E. Mas sua trajetória terminaria diante da Bulgária nos pênaltis, nas oitavas de final. Mesma etapa na qual, desde então, vem caindo sistematicamente na competição.

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui. Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.

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Emmanuel do Valle

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas.

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