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Luxemburgo é só mais um na turma dos renegados da segunda divisão da China

A notícia mais surpreendente dos últimos dias não é a convocação de Ricardo Oliveira para a seleção brasileira, mas o anúncio de que ainda tem time interessado nos serviços do técnico Vanderlei Luxemburgo! Pelo menos não é nenhum clube do Brasil ou da Europa, mas do novo destino dos profissionais brasileiros: a China!

Evidentemente, Vanderlei Luxemburgo não tem mais envergadura para treinar um time da primeira divisão, condecoração feita somente àqueles técnicos que já levaram de 7 a 1 (Felipão treina o Guangzhou Evergrande) ou os que desistiram da carreira em prol de milhões de dólares (Cuca comanda o Shandong Luneng).

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Portanto, para não ficar à deriva, Luxemburgo viu no desconhecido Tianjin Songjiang, atual 11º colocado na segunda divisão chinesa, a possibilidade de esticar a carreira em um ano, prorrogável por mais duas temporadas. Só que ele deve começar a trabalhar somente em 2016, pois faltam apenas quatro rodadas para o fim da temporada e o time soma 31 pontos em 26 jogos, praticamente livre do rebaixamento – está 11 pontos acima da degola.

Até lá, Luxemburgo já pode ir observando de perto a estrutura do Tianjin Songjiang, que tem estádio próprio com 22.300 lugares, enquanto respira o 11º ar mais poluído da China (95,6 microgramas/m³), volume acima inclusive do da capital Pequim (90,1 microgramas/m³).

Dentro de campo, o técnico terá um compatriota: o meia Mário Lúcio, 25 anos, que começou no Guarani de Campinas em 2009 e foi emprestado ao Santa Cruz, mas acabou não dando certo – perambulou por Red Bull Brasil, CENE (Mato Grosso do Sul), CSE (Alagoas), Mogi Mirim e Sobradinho, até chegar ao Tianjin Songjiang.

Os 16 clubes da segunda divisão da China têm em seus elencos 54 estrangeiros de 21 países, como Taiwan (três), Gâmbia (um), Honduras (um), Inglaterra (um) e Espanha (dois), entre outros. Claro, a nação com mais representantes é o Brasil, com 14 atletas, nove a mais que a Colômbia, a segunda colocada no quesito. A maioria dos jogadores brasileiros é desconhecida, mas há alguns que já tiveram passagens por grandes clubes.

Léo Itaperuna, 26 anos. Revelado no Fluminense, o atacante foi alçado ao time principal por Renato Gaúcho em 2007 e começou com gol na estreia, mas nunca se firmou. Emprestado a outros clubes (America do Rio, Cabofriense, CRAC), o jovem jogador acabou negociado com o Arapongas (Paraná), no qual mudou o rumo da carreira. Os dez gols no estadual 2012 chamaram a atenção do Sion, e Léo Itaperuna foi ser companheiro de Gennaro Gattuso na Suiça. Está emprestado pelo Sion ao Jiangsu Liansheng, o lanterna da segunda divisão da China.

Bruno Meneghel, 28 anos. O atacante começou a carreira no Vasco da Gama, mas não agradou muito nos dois anos como profissional. No Resende, porém, ele marcou 11 gols no Campeonato Carioca 2009 e começou a ganhar chances em times maiores, como Goiás, Bahia e Criciúma, com desempenho regular. Seu último time no Brasil foi o América Mineiro, com passagem curta e boas lembranças dos torcedores, já que ele preferiu os milhares de dólares da elite chinesa. Hoje, Meneghel joga no Dalian Aerbin (tem 17 gols, o terceiro artilheiro geral), que veio da elite e está na briga para subir, no terceiro lugar e fora da zona de promoção pelo confronto direto.

Dori, 25 anos. A ex-promessa do Fluminense apareceu na Copa SP 2009, fez cinco gols, e o destaque o levou ao time principal. Porém, ele nunca teve muitas chances e acabou emprestado para vários times, dentre eles o Brasiliense. Dori teve sua primeira experiência na China em 2011 e desde então vem sendo emprestado para times de lá, com exceção do Náutico, no qual jogou em 2012, também sem se firmar. Está no Nei Mongol Zhongyou, time fundado há três anos e que veio da terceira divisão – é o sexto colocado, a sete pontos do acesso.

Rodrigo Paulista, 30 anos. Revelado no Inter de Porto Alegre em 2004, chegou a atuar em 40 partidas e até contribuiu para o rebaixamento do rival Grêmio na Série A daquele ano. Porém, perdeu espaço e, a partir de 2006, foi emprestado para outros clubes, como Figueirense e América de Natal. Voltou ao Inter em 2008, após pedido do dirigente Fernando Carvalho, mas também não rendeu. Rodrigo defende o Guizhou Zhicheng, 12º colocado, sete pontos acima da degola.

Demerson, 29 anos. O zagueiro começou no Atlético Mineiro, sendo sempre emprestado. Com o destaque no Itaúna (Minas Gerais) em 2007 e 2008, o Cruzeiro apostou no atleta, mas também não deu certo. Demerson só de seu bem com a camisa do Coritiba, pelo qual jogou 142 vezes entre 2009 e 2012. Está no time de Léo Itaperuna.

Reis, 27 anos. O atacante teve rápidos lampejos no início da carreira, mas nunca conseguiu manter o protagonismo. Reis começou no Tupi, passou pelo América Mineiro e se destacou na Ponte Preta, mas não muito. Perambulou por vários times e hoje atua no Qingdao Jonoon, sétimo colocado, quase sem chances de acesso.

Rafael Teixeira, 23 anos. O atacante surgiu como grande promessa no Bahia em 2011, quando defendeu a seleção brasileira sub-20. Mesmo se destacando, acabou emprestado para DC United (Estados Unidos) e Atlético Goianiense, sem protagonismo. Rafael “Gladiator”, apelido por causa de uma comemoração de Kléber Gladiador, defende o Xinjiang Leopard, oitavo colocado e sem chances de acesso.

Edu de Oliveira, 33 anos. O experiente atacante jogou nas bases de Guarani, Santos e São Paulo, mas profissionalizou-se no Náutico, em 2002. Sua carreira foi feita na Alemanha, com as camisas de Bochum, Mainz 05 e Schalke 04, mas, a partir de 2013, Edu enveredou pelo futebol asiático. Hoje, defende o Hebei Zhongji, vice-líder da segunda divisão da China.

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