Ásia/Oceania

Al-Ittihad poupou seus craques, foi preguiçoso e mesmo assim venceu (e se classificou) na Champions Asiática

Nem Benzema e nem Romarinho estiveram em campo e, mesmo com a cabeça no Saudita e no Mundial, Al-Ittihad está classificado às oitavas de final da Champions Asiática

Era esperado e foi concretizado: sob o comando de Marcelo Gallardo e com as ausências de Karem Benzema e Romarinho, o Al-Ittihad, jogando em seus domínios na Arábia Saudita, despachou o Sepahan, do Irã, e está classificado para a segunda fase da Champions League Asiática. A vitória por 2 a 1 foi construída com gols de Saleh Al-Amri e Jota, para os donos da casa, enquanto Ramin Rezaeian descontou para os iranianos.

Al-Ittihad jogou com regulamento embaixo do braço

Não foi exatamente o jogo da vida para o Al-Ittihad e o técnico Marcelo Gallardo deixou isso claro desde a escalação que colocou à campo para enfrentar o Sepahan. Marcelo Grohe, Kanté, Romarinho e Benzema, talvez os quatro principais nomes do time atualmente, não estiveram em campo — e tudo bem.

Kanté segue fora para tratamento de lesão, tendo feito seu último jogo em um já longínquo 10 de novembro, quando o Al-Ittihad venceu por 4 a 2 o Abha, pelo Campeonato Saudita. Mas no caso dos outros três, foram ausências escolhidas a dedo pelo treinador — ou quase isso. Já que na última partida do Al-Ittihad, a vitória por 4 a 2 diante do Al-Khaleej, também pelo Sauditão, Benzema sentiu fortes dores na lombar, o que fez com que o técnico optasse pela prevenção.

Afinal, o regulamento da Champions Asiática e a campanha do time de Gallardo até então permitiam isso. Para perder a primeira colocação, precisava ter perdido em casa, o que era tido como muito difícil, dada a disparidade dos times. E mesmo se perdesse, a competição prevê que os dez líderes de chave passam automaticamente e, somados a eles, estarão os três melhores segundos colocados do lado leste e os três melhores segundos do lado oeste. Era quase impossível o Al-Ittihad ficar de fora.

Agora, sim, o jogo e a vitória do Al-Ittihad

O Al-Ittihad, mesmo sem a maioria de seus melhores jogadores, impôs ritmo frenético logo no começo do jogo — e não muito depois. Foi o suficiente para, após jogada individual, Saleh Al-Amri abrir o placar. A liderança no marcador deu ainda mais segurança (e preguiça) aos donos da casa, que deram a posse de bola ao adversário, que por sua vez se mostrou nada perigoso.

O primeiro tempo ainda foi marcado por um momento no qual o Al-Ittihad quase teve a chance de ampliar o placar: Abderrazak Hamdallah, principal nome do time em campo hoje, escapou dos marcadores e foi derrubado na área. Ou quase isso. Já que após o árbitro ser chamado ao VAR, ficou atestada a simulação e, ao invés de ter a chance de converter a penalidade, o atacante saudita acabou sendo amarelado.

No segundo tempo, o dinheiro resolveu para o Al-Ittihad

Ainda preguiçoso por conta do gol de vantagem e da vantagem de ter entrado em campo basicamente classificado, o Al-Ittihad tomou um susto logo aos três minutos após o retorno do vestiário. Ramin Rezaeian recebeu de Mohammad Daneshgar e estufou as redes dos donos da casa. Susto, sim, mas nada muito grave para quem tem o poderio em campo cedido pelos muito petrodólares investidos.

Hamdallah, desta vez sem fingir nada, fez boa jogada e, aos 24 do segundo tempo, achou o português Jota, até então meio apagado — lembrando que ele pode ser o primeiro da “leva de ouro” a deixar o time. Ele não teve dificuldades para fazer o gol e mostrar que, sim, muitas vezes no futebol quem tem dinheiro tem tudo. Os iranianos até tentaram resistir, mas sem o poderio do adversário, pouco puderam fazer. Melhor para Marcelo Gallardo, que aos poucos vai mostrando que está dando jeito e sua cara ao Al-Ittihad.

Classificado, o Al-Ittihad agora espera sorteio para ver quem pega nas oitavas de final. E se prepara para na quinta-feira (7) voltar a campo para o último duelo antes do Mundial de Clubes, desta vez pelo Saudita, contra o Damac.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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