Vitória culposa mantém Corinthians vivo na Sul-Americana mesmo ‘sem querer’
Timão tem atuação pobre, mas mesmo sem fazer força vence pior time da competição continental e depende apenas de si para avançar aos playoffs
Por incrível que pareça, o Corinthians está vivo na Sul-Americana. Jogando em Montevidéu, nesta quinta-feira (15), o Timão até fez força para não bater o Racing do Uruguai, mas conquistou os três pontos contra o saco de pancadas do grupo C.
Foi uma vitória culposa, quando não há intenção de vencer, assim como toda a campanha corintiana na competição continental. Desde sempre, a Sul-Americana foi um prêmio de consolação para um Corinthians eliminado ainda na fase preliminar da Libertadores.
De ressaca após o título paulista, a derrota para o Huracán (ARG), em plena Neo Química Arena, na estreia foi o presságio de que a Sula estaria longe de ser a prioridade corintiana na temporada.
Ainda assim, o clube alvinegro chega à última rodada da fase de grupos do torneio internacional na segunda colocação da chave e dependendo apenas de si para avançar aos playoffs.
O Timão, inclusive, tem chances matemáticas, ainda que remotas, de alcançar a liderança e se classificar direto às oitavas de final. E a culpa disso é totalmente do Racing.
Se fosse um pouco melhor, os uruguaios fatalmente impediriam as únicas vitórias do Corinthians na Sul-Americana. Ambas pelo placar mínimo, em atuações preguiçosas e pouco inspiradoras. Mas não há muito o que esperar de uma equipe que perdeu as cinco partidas que disputou.
Já em relação ao Timão é possível se ter expectativas. O que não ocorre desde o título paulista é a equipe atingi-las. E, assim, o clube alvinegro liga o “modo Chaves” e, tal qual o bordão do personagem mexicano, leva a Sul-Americana meio “sem querer, querendo”. Até mesmo o único gol corintiano no Uruguai teve essa tônica.
André Carrillo levou pela direita, adiantou demais a bola, que pipocou até a área do Racing (URU). O zagueiro da equipe uruguaia afastou mais e a bola se ofereceu a Matheus Bidu. O lateral do Timão finalizou, a bola desviou no meio do caminho e morreu mansinha no fundo do gol.
Parte física em frangalhos compromete escalação do Corinthians
Desde a estreia no Corinthians, o técnico Dorival Júnior deixou claro que rodaria o elenco corintiano. Para o treinador, sempre foi impossível lidar com três competições simultâneas usando as mesmas escalações. E, ainda que o treinador não admita, a Sul-Americana é a menor das prioridades corintianas no momento.
Portanto, com exceção do goleiro Hugo Souza, a formação do Corinthians contra o Racing (URU) foi completamente reserva.
Sem Raniele, Rodrigo Garro e Memphis Depay, titulares entregues ao departamento médico, atletas como Matheuzinho, Angileri, Carrillo, Bidon e Yuri Alberto foram preservados e iniciaram a partida entre os reservas. Parte deles (André Carrillo e Yuri Alberto), entraram no decorrer do jogo.
A estratégia é bastante compreensível, frente a um clássico que o Timão tem pela frente no fim de semana, contra o Santos, pelo Brasileirão. Mas deixa muito claro que a Sula seguirá para o Corinthians meio “sem querer, querendo”.
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Dorival não pode morrer com um esquema tático na mão
Assim como Ramón Díaz fez em diversos momentos durante a passagem pelo Corinthians, Dorival Júnior dá sinais de limitação em relação a variação tática da equipe alvinegra.
Assim como havia feito na derrota para o Mirassol, no último fim de semana, pelo Campeonato Brasileiro, o treinador escalou a equipe no 4-1-4-1.
Contra um time infinitamente pior em termos técnicos, a presença de três volantes impediu que o Timão empilhasse a criação de chances claras de gol. No primeiro tempo foi apenas uma, com Ángel Romero obrigando grande defesa de Amadé.
Dorival Júnior entendeu a importância de ter atletas mais criativos e logo na volta do intervalo promoveu as entradas de André Carrillo, Igor Coronado e Yuri Alberto.

No entanto, o treinador não modificou a formação, o que impediu que mais chances fossem criadas. Coronado jogou longe dos atacantes e o time abusava de chutões e ligações diretas.
Como de costume, Carrillo, pela direita, foi quem mais buscou criar jogadas. E, inclusive, o gol “meio Chaves” do Corinthians iniciou quando peruano progredia ao ataque pelo lado direito.
Carrillo perdeu a bola, que foi rebatida para a entrada da área, na esquerda, e terminou em uma finalização de Matheus Bidu que, desviada, matou o goleiro do Racing (URU).
Como fica a situação do Corinthians na Sul-Americana?
Vice-líder do grupo C, com oito pontos, o Timão depende apenas de si para manter a segunda colocação e, consequentemente, ir aos playoffs da Sul-Americana – onde enfrentará um dos terceiros colocados na Libertadores por uma vaga nas oitavas de final da Sula.
Na última rodada da chave, o clube alvinegro encara o Huracán (ARG), fora de casa.
Até mesmo a chance matemática do Corinthians ultrapassar os argentinos e encerrar a fase na primeira colocação. Mas, para isso, será necessário tirar a diferença de sete gols de saldo.
Em caso de empate, o Timão precisará torcer para o América de Cali (COL) não vença o Racing (URU), na Colômbia. Uma igualdade entre colombianos e uruguaios já seria o suficiente para o clube alvinegro neste cenário.
Já em caso de derrota corintiana em Buenos Aires, a única chance do Corinthians seguir vivo na Sul-Americana será com um triunfo do Racing (URU), que perdeu as cinco partidas que disputou, sobre o América de Cali (COL), em pleno estádio Pascual Guerrero.



