Sul-Americana

Corinthians inicia semana que pode salvar temporada recebendo o Fortaleza na Sul-Americana

Com semifinais da Sul-Americana e clássico contra o São Paulo no Morumbi, Corinthians joga a temporada em oito dias

Não é exagero dizer que o Corinthians jogará a temporada nos próximos oito dias. O período, que pode consagrar o ano alvinegro ou deixá-lo mais frustrante do que já é, começa nesta terça-feira (25), data do jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Fortaleza, às 21h30 (horário de Brasília), na Neo Química Arena. Já no sábado (30), terá a oportunidade de vingar a eliminação na Copa do Brasil e carimbar a faixa do São Paulo em pleno Morumbi, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Para terminar, o confronto de volta com o Fortaleza na próxima terça (3), no Castelão.

A sequência é extremamente decisiva para o Timão. Por um lado, poderá garantir vaga na final de um torneio continental pela primeira vez em dez anos e ter a oportunidade de disputar um título inédito, além de complicar a situação do rival no Brasileirão. Já pelo outro, poderá ver a chance de título acabar com uma eliminação e ainda presenciar a festa são-paulina no Morumbi com o recente título da Copa do Brasil.

Por que a semana é decisiva para o clube

O ano do Corinthians até agora está sendo marcado por atuações ruins, resultados questionáveis, conturbada troca de técnicos e eliminações desagradáveis. Seja com Fernando Lázaro, Cuca ou Vanderlei Luxemburgo, o Alvinegro não conseguiu engatar uma sequência de atuações ou triunfos convincentes e muitas vezes consegue pontos importantes mais pela força da sua torcida e insistência do que pela qualidade apresentada.

Em março, foi eliminado nas quartas de final do Campeonato Paulista pelo Ituano nos pênaltis após um empate em 1 a 1, em plena Neo Química Arena. Em junho, caiu ainda na fase de grupos da Libertadores, ficando atrás de Argentinos Juniors e Independiente del Valle. Recentemente, em agosto, viu a vantagem adquirida em casa ser rapidamente pulverizada pelo São Paulo no jogo de volta e se despediu na semifinal da Copa do Brasil.

Os resultados ruins têm andado com os desempenhos abaixo do esperado. Mesmo na Copa do Brasil, em que ficou entre os quatro melhores times, o Corinthians sofreu derrotas para Remo, Atlético-MG e América-MG fora de casa e se salvou na Neo Química Arena, mas sempre nos pênaltis. Na Sul-Americana não tem sido diferente. Tirando a classificação nos playoffs contra o peruano Univesitario, que foi relativamente tranquila, o Timão precisou se segurar diante de Newell's Old Boys e Estudiantes, novamente avançando na disputa por penalidades nas quartas de final.

Uma classificação para final da Copa Sul-Americana e vitória sobre o São Paulo dariam, enfim, a sequência de resultados (e, quem sabe, de atuações) que a equipe ainda não teve em 2023. Além disso, facilitaria a briga por uma vaga na próxima Libertadores, já que no Campeonato Brasileiro o clube está em décimo lugar com 30 pontos, dez a menos que o sexto colocado Athletico-PR.

O período de oito dias também será decisivo para a diretoria, que não será cobrada pelos erros de planejamento ao longo do ano em caso de um desfecho positivo para o Corinthians. Inevitavelmente, a euforia por estar em uma final inédita e por vencer o rival fora de casa fariam com que a torcida esquecesse, ao menos por um tempo, as vendas precoces e baratas de crias do Terrão, escolhas questionáveis de treinadores e mais às vésperas da eleição presidencial do clube, que acontecerá em novembro.

Por que é decisiva para Luxemburgo

Mesmo não tendo feito um trabalho consolidado e relevante em algum tempo, Vanderlei Luxemburgo teve nova oportunidade de provar que continua sendo um técnico de ponta ao ser contratado pelo Corinthians. Até aqui, não conseguiu. Os desempenhos ruins de seu time junto com falas desconexas da realidade em coletivas não ajudam o treinador, que teve como maior mérito no atual trabalho a mudança anímica no elenco.

Luxemburgo tem contrato até o fim deste ano. Se tudo de certo nos próximos oito dias, as chances do comandante seguir para 2024 aumentam consideravelmente. Se tudo der errado, dificilmente continuará até o término do Brasileirão. Até o momento, sua terceira passagem pelo Corinthians é de 47,7% de aproveitamento, com 14 vitórias, 11 empates e 12 derrotas.

A semana decisiva ainda será mais uma oportunidade de Luxemburgo mostrar que é tão bom em 2023 como era na década de 90 e início dos anos 2000. Eliminar Juan Pablo Vojvoda e vencer o recém-campeão Dorival Júnior, dois dos treinadores mais em alta no futebol brasileiro no momento, certamente seria um excelente argumento para rebater algumas críticas.

A semifinal contra o Fortaleza e o clássico com o São Paulo poderão definir o futuro de Luxemburgo no Corinthians (Foto: Icon sport)

Por que é tão decisiva para o torcedor

A Fiel Torcida já viveu períodos melhores. Desde que o Corinthians conquistou seu último título, o Paulistão de 2019, a torcida alvinegra viu seu maior rival empilhar taças. Sob o comando de Abel Ferreira, o Palmeiras venceu duas Libertadores, uma Copa do Brasil, um Campeonato Brasileiro, uma Recopa Sul-Americana, uma Supercopa do Brasil e dois estaduais, além de ter vencido seis, empatado quatro e perdido apenas um dos Dérbis.

Para piorar, o outro rival da cidade encerrou seu jejum de grandes títulos ao vencer a Copa do Brasil pela primeira vez no domingo (24). Com a conquista do São Paulo, o clube que há mais tempo não fatura um troféu de tamanha relevância é justamente o Corinthians, campeão do Brasileirão em 2017.

A Sul-Americana é a última chance do torcedor ser premiado com um título ainda em 2023 depois de tanto cantar e incentivar na arquibancada. Avançar para decisão vencendo o rival que o eliminou da Copa do Brasil e está em clima de festa, então, pode ser o roteiro perfeito para a conquista inédita.

Além disso, o argumento agora utilizado por são-paulinos poderia virar dos alvinegros. Se vencer a Copa Sul-Americana, o Corinthians se tornará a primeira equipe a conquistar os maiores títulos que se pode ter na atualidade no futebol brasileiro (Libertadores, Sul-Americana, Recopa, Brasileirão, Copa do Brasil, Supercopa do Brasil e Mundial de Clubes).

Foto de Felipe Novis

Felipe Novis

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.
Botão Voltar ao topo