Libertadores

Só a vitória sobre o Cobresal serve para salvar Thiago Carpini no São Paulo

Técnico chega muito pressionado e joga a vida na partida desta quarta-feira, no MorumBIS, pela Libertadores

Assim que pisar a beira do gramado do MorumBIS nesta quarta-feira (10), Thiago Carpini sabe que estará diante de 90 minutos de futebol que definirão o seu futuro em 2024. A partir das 21h30 (horário de Brasília), o São Paulo enfrenta o Cobresal (veja onde assistir), em partida válida pela segunda rodada do Grupo B da Libertadores. Ao treinador, apenas uma vitória serve para salvá-lo de uma demissão. Qualquer resultado diferente disso deve resultar em sua saída precoce do cargo que assumiu quatro meses atrás.

O técnico chega mais pressionado do que nunca a este jogo, que não deveria ser (mas é) decisivo. E muito por conta do que a equipe apresentou uma semana atrás, na derrota por 2 a 1 para o Talleres na estreia na competição continental. O resultado e o desempenho na partida foram tão decepcionantes que fizeram as críticas e a desconfiança que antes eram apenas externas minarem o ambiente interno e os bastidores do São Paulo.

Foi a primeira vez que o trabalho de Carpini gerou insatisfação interna. Depois de 17 dias sem jogos, se esperava que o Tricolor mostrasse evolução em campo na partida em Córdoba. A avaliação foi de que a equipe deveria jogar mais, mesmo com as três lesões — Rafinha, Lucas Moura e Wellington Rato — no primeiro tempo.

Carpini tem respaldo, mas é vencer ou vencer

Mas do CT da Barra Funda para dentro, o clima ainda é de foco total na partida que vale a permanência do treinador. Mesmo com toda a turbulência atual, o técnico segue respaldado pela diretoria de futebol. Agora, precisa corresponder ao voto de confiança com uma vitória para poder desenvolver seu trabalho de olho nas principais disputas da temporada — a Libertadores, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. A avaliação interna é de que a equipe mostrou pontos positivos e que os desfalques atrapalharam bastante o rendimento e a adaptação às ideias e estilo de jogo de Carpini neste início de temporada.

Isso não mudou com a eliminação precoce no Paulista, nem agora. O elenco também está fechado com o técnico. Mas o técnico sabe que precisa dar uma resposta imediata para começar a aplacar as críticas, para colocar a equipe no caminho da classificação na Libertadores… E para ganhar sobrevida no cargo.

— Acho que qualquer coisa que eu fale em saldo positivo e negativo há controvérsias e opiniões. Tenho as minhas convicções e tenho o respaldo dos atletas e do grupo. Hoje foi o início de temporada, a competição mais importante. Não começamos do jeito que queríamos. Não foi saldo positivo pelo resultado, mas pelo comportamento, a busca pelo empate até o fim. É seguir trabalhando. Coisas boas, fizemos. Alguns erros precisamos seguir ajustando. E quarta-feira é MorumBIS. Voltar a viver clima de Libertadores. Futebol e vida são feitos desses momentos. Altos e baixos. As coisas daqui a pouco voltam a acontecer — disse o treinador após a derrota em Córdoba.

Adversário, ao menos, “ajuda” (ou não)

O momento atual do adversário desta quarta-feira coloca o técnico Thiago Carpini em uma situação que pode ser vista sob duas óticas antagônicas. Pois o Cobresal que foi o vice-campeão chileno em 2023 hoje vive uma crise severa. Do segundo lugar em no ano passado à lanterna nesta temporada, a equipe ainda não venceu uma partida sequer em 2024.

Os mineros somam apenas dois pontos na tabela após sete jogos, com cinco derrotas e dois empates. São 14 gols sofridos e sete marcados. Na Libertadores, a estreia até que não foi lá tão ruim: empate por 1 a 1 em casa contra o Barcelona, do Equador. Mas no último sábado, veio mais um tropeço no Campeonato Chileno: 2 a 0 para a Universidad Católica, equipe comandada por Tiago Nunes, no San Carlos de Apoquindo, em Santiago.

Ou seja: Carpini tem pela frente o adversário mais fraco do Grupo B da Libertadores. Um rival “perfeito” para se reabilitar… E isso aumenta — se é que isso é possível — a obrigatoriedade de conquistar uma vitória à noite no MorumBIS. Do contrário, é muito difícil que o treinador resista no cargo.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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