Do inferno ao céu: A volta por cima de Kompany é um exemplo no Bayern
Quase dois anos após queda na Inglaterra, ex-zagueiro comanda vitória imponente do Bayern no Santiago Bernabéu
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11 de maio de 2024. Após perder para o Tottenham por 2 a 1 em Londres, o Burnley teve seu rebaixamento da Premier League confirmado. 8 de abril de 2026. O Bayern vence o Real Madrid por 2 a 1 na Espanha para abrir vantagem nas quartas de final da Champions League.
O que existe de semelhança entre os dois jogos? O comandante do time visitante. Vincent Kompany.
E o que existe de diferença? Bom, muita coisa.
É verdade que após o sucesso na Bélgica com o Anderlecht, Kompany tentou trazer uma ideia de futebol “mais bonito” para o Burnley. Deu certo na Championship, mas tentar o mesmo na Premier League com a diferença de talento e investimento é muito mais complicado.
Fatalmente seria um técnico demitido no Brasileirão por não tentar alterar seu estilo de jogo para tentar se salvar, mesmo com o crédito por ter colocar o time novamente na primeira divisão.
Ascensão de Kompany no Bayern não veio sem desafios
O Bayern tentou vários técnicos mais experientes, como Ralf Rangnick e até um retorno curioso de Julian Nagelsmann, mas após negativas e um voto de confiança de Pep Guardiola, escolheu o ex-zagueiro belga para comandar o clube.
Logicamente existiu uma desconfiança por parte de torcedores e da cúpula do clube, ainda mais que o início mostrou alguns problemas, principalmente com uma defesa muito exposta aos contra-ataques.
A temporada na Alemanha terminou com mais um título da Bundesliga, mas a atuação na Europa não foi tão boa, caindo nas oitavas de final para a Internazionale.
A derrota em casa veio com os problemas defensivos de antes, com dois gols em que a Inter aproveitou uma defesa não tão bem postada. Já na volta, dois tentos em bola parada para sacramentar a eliminação.
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2025/26 apresenta um cenário bem diferente
A temporada anterior pode ter sido boa para o clube de Munique, mas 2025/26 é sem comparação.
Na Bundesliga, o Bayern terminou o turno tendo perdido apenas quatro pontos. A primeira derrota (e única até o momento) veio em 24 de janeiro, 2 a 1 em favor do Augsburg na Allianz Arena.
Faltando seis jogos para terminar o campeonato, o Bayern já tem 100 gols e está a um tento de igualar a maior marca da história da Bundesliga, do próprio clube em 1971/72.
A grande diferença veio na Champions League. Sete vitórias e uma derrota na fase de liga (para o Arsenal em Londres), terminando em segundo lugar, e 10 a 2 no agregado contra a Atalanta nas oitavas de final.
O que explica tudo isso? A qualidade dos jogadores é primeiro ponto, mas o compromisso de Kompany em atacar não importa quem enfrente – aquela mesma que foi vista no rebaixamento do Burnley – e a liberdade dada aos jogadores mais criativos são essenciais.
O próprio jogo contra o Real Madrid pela Champions mostra muito disso.
Em alguns momentos do jogo, o Bayern chegou a ter sete jogadores da meia-lua da grande área para frente.
O jovem meio-campista Aleksandar Pavlovic se juntava aos zagueiros e dava a liberdade para que os laterais – Josip Stanisic na direita e Konrad Laimer na esquerda – subissem bastante.
Na maioria das vezes, eles subiam pelo meio ao invés de ultrapassar, deixando o corredor mais livre para Michael Olise e Luis Díaz, enquanto Serge Gnabry e Harry Kane ficavam mais pelo meio, com Joshua Kimmich na entrada da área.
O número de jogadores subindo e as possibilidades de rápidas combinações dificultaram bastante o trabalho da defesa do Real em acompanhar a jogada. E foi justamente assim que saiu o primeiro gol.
Gnabry tabelou com Kane e achou Diaz, desta vez pelo meio contra um Trent Alexander-Arnold perdido. O colombiano teve tranquilidade para escolher onde iria bater.
Segundo gol contra o Real mostra evolução entre temporadas
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O gol do Bayern que abriu o segundo tempo em Madri evidencia como a pressão e a fase sem a bola da equipe de Kompany melhorou bastante desde a última temporada.
Cinco jogadores apareceram para pressionar Álvaro Carreras depois de passe na fogueira dado por Vinicius Júnior e aí foi fácil recuperar a bola, que entrou na rede dez segundos após o toque do lateral esquerdo madrilenho.
Pavlovic, que deu o bote em Carreras, deixou com Olise, que cortou para dentro e viu a movimentação de três companheiros chamar a defesa adversária e deixar Harry Kane livre na meia-lua. Chute forte e 2 a 0 para os bávaros.
Demorou pouco para que Kompany e sua comissão corrigissem o principal problema da temporada anterior e transformá-lo em uma ferramenta que gerou um gol que pode ser extremamente importante para colocar a equipe em mais uma semifinal de Champions.
Sim, é fácil para que o Bayern acredite em um técnico e dê tempo. Mas em um clube deste tamanho também é fundamental que o comandante resolva problemas de forma rápida.
E foi justamente o que o belga fez, afastando toda aquela desconfiança que existiu no momento de sua contratação.