Alemanha

Como Kompany teve ‘aval de Guardiola’ para assumir comando do Bayern de Munique

Ex-zagueiro belga foi escolha ousada da diretoria do clube e tem rendido muitos frutos na atual temporada

O Bayern de Munique é uma das potências da temporada e o seu sucesso passa por Vincent Kompany. Mas antes dele assumir o clube, o comando dos Bávaros quase caiu nas mãos de outros treinadores.

De acordo com o jornal “Marca”, a busca por um sucessor para Thomas Tuchel tornou-se extremamente complicada. Foram considerados de Ralf Rangnick, Julian Nagelsmann e Oliver Glasner, mas nenhuma delas se concretizou, inclusive quem seria o “plano A” da equipe alemã, Xabi Alonso.

— A princípio, estávamos céticos. Ele era a quarta ou quinta pessoa com quem tínhamos conversado. Eu estava pensando em Nagelsmann, Rangnick, Glasner… — confessou Uli Hoeness, presidente do clube.

Na época, o treinador espanhol optou por seguir no Bayer Leverkusen, onde teria declarado que “ainda tinha trabalho a fazer”. Foi quando o nome de Kompany surgiu no horizonte.

— Pode-se dizer que foi uma aposta arriscada para todos no início. Em algum momento do verão passado, Max (Eberl) e Christoph (Dreesen) nos procuraram depois de algumas rejeições e nos disseram que tiveram boas conversas com Vincent. Eles estavam convencidos de que haviam encontrado o técnico certo — afirmou Karl-Heinz Rummenigge, um dos maiores jogadores da história dos Bávaros, que atua como membro do conselho de supervisão do clube.

Kompany ergue o troféu de campeão da Bundesliga
Kompany ergue o troféu de campeão da Bundesliga (Foto: Imago)

Aval de Kompany foi dado por Guardiola

Mas o aval para Vincent Kompany assumir a função foi dado a partir de uma ligação para Pep Guardiola. Rummenigge contou que Max Eberl, diretor esportivo do Bayern, teria pedido o conselho ao técnico do Manchester City, conhecedor das características de Vincent, de quem já foi técnico.

— Sou muito amigo do Pep, e o Eberl me pediu para falar com ele porque ele havia treinado o Kompany. Eu disse a ele que precisava de uma avaliação genuína e honesta. Conversamos ao telefone por quase duas horas, e ele me disse que estava 100% convencido de que Kompany era o técnico certo para o Bayern. Então pensei: se o Guardiola lhe concede tamanha honra, tudo ficará bem — afirmou o ex-atacante.

Aliás, a conexão de Guardiola com Kompany foi tanta que o treinador espanhol se tornou a maior inspiração do belga. O atual comandante do Bayern reconheceu que a sua “maior influência veio quando já tinha 30 anos, quando Guardiola explicou suas ideias e, uma semana depois, eu já sabia que me tornaria treinador”.

Pep Guardiola e Vincent Kompany, na época do Manchester City (Foto: IMAGO / foto2press)
Pep Guardiola e Vincent Kompany, na época do Manchester City (Foto: IMAGO / foto2press)

Apesar do conselho de Pep, Rummenigge lembra que, a princípio, parecia haver pouca garantia de que a ideia daria certo. O conselheiro relembrou que o presidente sofreu críticas e que “algumas coisas que foram escritas na mídia não tinha graça nenhuma”, mas que o cenário mudou e que se orgulha de ter feito a escolha pelo ex-zagueiro belga.

— Às vezes, o destino sorri para você. Vi grandes treinadores no Bayern, e Vinnie está se adaptando a esse nível. Estou gostando de ver o time novamente, algo que nem sempre acontecia nos últimos anos. O futebol está bom, os resultados estão vindo e a paz voltou ao clube — ressaltou Karl-Heinz Rummenigge.

A exaltação por parte do ídolo dos bávaros não é atoa, já que os números da equipe sob o comando de Kompany impressionam. A passagem conta com um título da Bundesliga, uma Supercopa, 75 vitórias em 99 jogos e, acima de tudo, o número de gols comprovam a afirmação.

Só nesta temporada, o Bayern alcançou a marca de 100 gols na Bundesliga, igualando o recorde estabelecido pelo próprio clube na temporada 2019/20, ano em que conquistou a tríplice coroa.

Para a lenda do futebol alemão, Lothar Matthäus, o atual elenco tem características que superam o plantel que foi comandado por Pep Guardiola no período de 2013 a 2015.

— Este Bayern é o mais forte que já vi. Melhor até do que o de Guardiola, porque eles também jogam para frente. Não ficam só fazendo passes laterais e para trás, eles realmente tentam atacar — declarou.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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