Alemanha

‘Se eu disser que ele é um dos melhores, vão perguntar quantas Champions ele ganhou’

Kompany reconhece nível de uma de suas principais armas ofensivas no Bayern, mas expõe lógica implacável que ainda condiciona reconhecimento no futebol europeu

Michael Olise ainda não levantou uma taça de Champions League, não decidiu uma final continental e tampouco carrega a aura de veterano que costuma cercar os maiores nomes do futebol europeu. Ainda assim, dentro do Bayern de Munique, a sensação é de que o francês já atua no patamar dos jogadores mais decisivos do continente.

A impressão foi reforçada por Vincent Kompany na véspera do duelo contra o Real Madrid, pela volta das quartas de final da Champions. Questionado sobre o crescimento do atacante, o treinador não economizou nos elogios e tratou o atual momento de Olise como algo raro.

— Nós o vemos todos os dias, jogando no mais alto nível na Champions League. Ele certamente será um dos melhores do mundo um dia; ele está no caminho certo. Tudo o que ele faz está certo.

A fala de Kompany ajuda a explicar por que Olise se tornou uma das figuras mais comentadas da temporada europeia. O atacante não é apenas um jogador de lampejos. No Bayern, ele reúne números expressivos, influência constante no jogo e uma capacidade incomum de decidir partidas importantes.

O técnico belga, porém, foi além do elogio convencional. Para Kompany, Olise já está no nível dos melhores jogadores da Europa. O problema é que, no futebol atual, o reconhecimento costuma vir acompanhado de troféus — especialmente da Champions League.

— O nível dele já está à altura dos melhores jogadores da Europa. Mas se eu disser que ele é um dos melhores agora, as pessoas vão começar a perguntar quantos títulos de Champions League ele ganhou.

Olise e o peso das expectativas no Bayern

Kompany orienta Olise durante jogo do Bayern
Kompany orienta Olise durante jogo do Bayern (Foto: Sven Simon / Imago)

A temporada do Bayern transformou a percepção em torno de Olise. Quando chegou ao clube, havia curiosidade sobre como o francês reagiria a um ambiente muito mais exigente do que aquele que encontrou na Inglaterra. Afinal, sair do Crystal Palace para vestir a camisa do Bayern significa trocar um time competitivo, mas de ambições limitadas, por uma equipe pressionada a vencer todas as competições.

Olise, no entanto, pareceu confortável desde os primeiros meses. Não demorou para se tornar peça central do sistema ofensivo de Kompany. Atuando pela direita, mas com liberdade para circular por dentro, o francês encontrou espaços para explorar sua principal virtude: a leitura do jogo.

Poucos jogadores da Europa conseguem combinar criatividade e eficiência como ele. Olise tem a capacidade de desacelerar a jogada quando necessário, esperar o momento exato e encontrar passes que desmontam linhas inteiras de marcação. Ao mesmo tempo, é perigoso no um contra um, tem ótima finalização de média distância e aparece com frequência na área.

Não por acaso, Kompany faz questão de ressaltar a consistência do atacante. Mais do que o talento, o treinador valoriza a evolução contínua do camisa 17 ao longo dos últimos meses na Alemanha.

— Ele tem que continuar! Assim como tem feito nos últimos 18 meses. Se ele continuar assim, você pode ver do que ele é capaz, considerando o quão longe ele já chegou — concluiu.

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O salto definitivo de Olise na carreira

Olise celebra gol pelo Bayern
Olise celebra gol pelo Bayern (Foto: Ulrich Gamel / kolbert-press / Imago)

A ascensão de Olise ganhou velocidade em 2024, quando ele deixou o Crystal Palace para assinar com o Bayern de Munique. A transferência foi vista como um movimento natural para um jogador que já havia se destacado na Premier League, mas ainda assim cercada de expectativa.

Meses antes, o atacante esteve muito perto de reforçar o Chelsea. O negócio parecia encaminhado, mas acabou não se concretizando. Olise optou por outro caminho — e, olhando em retrospecto, dificilmente poderia ter feito escolha melhor.

No Bayern, ele encontrou um cenário perfeito para crescer. A equipe de Kompany joga em ritmo alto, ocupa o campo ofensivo e cria constantemente situações de um contra um pelos lados. É exatamente o contexto ideal para potencializar as características do francês.

Nesta temporada, os números ajudam a dimensionar o impacto: são 17 gols e impressionantes 25 assistências em 42 partidas.

Em muitos jogos, Olise é o jogador que dita o ritmo, quebra defesas fechadas e encontra soluções quando o Bayern parece travado. Seu repertório é amplo: dribla com naturalidade, tem condução elegante e costuma tomar boas decisões mesmo sob pressão. Também chama atenção pela inteligência sem a bola: sabe atacar espaços, se aproxima dos companheiros para criar triangulações e raramente força jogadas sem necessidade.

Não à toa, o nome do francês já aparece entre os candidatos à Bola de Ouro. Em uma temporada na qual o Gigante da Baviera é apontado por muitos como o melhor time da Europa, Olise virou uma de suas maiores armas. Se o clube alemão transformar o desempenho coletivo em títulos, especialmente na Champions League, talvez a provocação feita por Kompany deixe de existir.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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