Alemanha

Alemanha coloca restrições a não-vacinados e limita capacidade de estádios para frear pandemia

Os estádios de futebol só poderão ter 50% de capacidade, limitado a 15 mil pessoa; alguns estados, como a Baviera, onde fica o Bayern fecharão completamente os estádios

A Alemanha vive um aumento de casos de COVID-19, em parte por causa da baixa adesão de vacinação de alguns estados. Sendo assim, três estados decidiram fechar ou reduzir o público nos estádios como uma das medidas para conter o aumento dos casos. As medidas restritivas da Alemanha visam especialmente as pessoas não vacinadas, que terão muito mais restrições de circulação em locais públicos, entre eles os estádios de futebol. Veremos restrições similares ao que tivemos em 2020 mais uma vez para conter os novos casos e internações, que aumentaram no país.

VEJA TAMBÉM:
Itália endurece contra não-vacinados e exigirá passaporte de vacina para entrar em locais públicos, como estádios
Gomez, Breitner, Lahm e até Merkel criticam Kimmich por não ter se vacinado contra Covid-19
Kimmich diz que não se vacinou e levanta desconfianças sem qualquer embasamento científico

Em decisão tomada pela Chanceler Angela Merkel, junto com o seu sucessor já eleito, Olaf Scholz, e os Primeiros-Ministros dos estados, decidiram tomar várias medidas para combater a pandemia da COVID-19 e isso incluir o fechamento parcial dos estádios. Em alguns estados, o fechamento será completo.

Os clubes poderão ter até 50% da capacidade dos estádios, mas limitados a um total de 15 mil torcedores. Além disso, a chamada regra 2G se aplica, ou seja, somente aqueles que tiverem sido vacinados ou tenham se recuperado da COVID-19 nos últimos meses. Em alguns casos, poderá ser aceito também a regra 2G Plus, que inclui também quem apresentar teste negativo. Será obrigatório o uso de máscara dentro do estádio.

A DFL (Deutsche Fussball Liga, que comanda as duas primeiras ligas da Alemanha) reagiu com compreensão à decisão do governo federal. “Nessa situação, é necessária uma estratégia de política diferenciada, compreensível, mas acima de tudo eficaz. Uma restrição temporária à admissão de torcedores nos estádios é, portanto, basicamente compreensível”, afirmou o diretor geral da entidade, Christian Seifert.

“A DFL espera que esta decisão pelos governos federais e estaduais estabeleçam bases para uma rápida melhora na situação da pandemia. A DFL e seus clubes irão, é claro, continuar a apoiar todos os esforços de vacinação”, disse ainda o diretor da DFL.

Com isso, o Borussia Dortmund já cancelou todas as vendas de ingressos para o jogo contra o Bayern de Munique no sábado (14h30, horário de Brasília, transmissão da OneFootball). Todos os ingressos já tinham sido vendidos para a partida e os torcedores receberão de volta seus ingressos. Os dirigentes do Dortmund esperam um público de 26 mil pessoas, mas poderão contar apenas com a limitação dos 15 mil, de acordo com a resolução federal.

Outros esportes também foram afetados, como basquete, handebol e hóquei no gelo. Nesses casos, em esportes de quadra, o limite de espectadores é de cinco mil pessoas.

Ministro da Saúde alerta não vacinados

“Nós deveríamos ter tido essa consistência no tratamento de pessoas não vacinadas muito antes”, afirmou o Ministro da Saúde, Jens Spahn. A Alemanha tem 4.793 pacientes em UTIs em números divulgados nesta sexta-feira pela manhã e o ministro acredita que o número estará “significativamente acima” da marca de cinco mil pessoas na UTI nas próximas semanas e meses. Segundo o Instituto Robert Koch (RKI), 390 pessoas morreram da doença na Alemanha nas últimas 24 horas. Há um índice de 442,1 casos por 100 mil habitantes no espaço de sete dias.

Segundo o Ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, o número de pessoas não vacinadas que estão com a versão grave da doença é muito mais alto do que na média geral da população. Segundo a agência Reuters, ele disse aos repórteres em Berlim que “Se todos os alemães adultos estivessem vacinados, não estaríamos nessa situação difícil”.

As novas medidas restritivas anunciadas nesta terça-feira têm como alvo principalmente os não vacinados, porque os impedem de entrar em lojas não essenciais, restaurantes e locais culturais ou esportivos. O governo alemão também considera enviar um projeto de vacinação obrigatória para o parlamento do país considerar. O Ministro da Saúde, que provavelmente deixará o cargo na próxima semana quando o novo governo alemão assumir, já disse ser contra a obrigatoriedade da vacina.

A Alemanha tem um índice de vacinação total de 68,7% da população, segundo o Our World In Data. O índice se mantém relativamente estável desde agosto. Algumas regiões têm tido mais resistência da população para tomar vacinas.

Baviera sem qualquer público

A Baviera, onde fica o Bayern de Munique, foi um dos locais que decidiu impor restrições ainda mais servas que a nacional. Os jogos serão sem público, de acordo com decisão do parlamento estadual nesta sexta-feira e que já vale para este sábado. Em outros estados, também haverá restrições, com máximo de 50% de capacidade nos estádios e limitado a 15 mil espectadores.

As novas resoluções afetam todas as ligas esportivas nacionais profissionais, segundo informou o Primeiro-Ministro Markus Söder em uma coletiva de imprensa, citada pela Kicker. Inicialmente, não foi informado até quando essa resolução permanecerá.

O Bayern tem mais três jogos a serem disputados em casa este ano. Joga contra o Barcelona, na última rodada da fase de grupos da Champions League, e pela Bundesliga contra Mainz e Wolfsburg. Outros clubes profissionais da região também são afetados pela decisão, como o Augsburg e o Greuther Fürth, da Bundesliga, e Nürnberg, Jahn Regensburg e Ingolstadt, da segunda divisão, assim como o Würzbuerger Kickers, 1860 Munique e Türkgücü Munique.

Outras regiões também impuseram restrições. A Saxônia, onde fica o RB Leipzig e o Dynamo Dresden, da segunda divisão, também terão que jogar sem público. Outra região, Baden-Württemberg, onde ficam Stuttgart e Hoffenheim, restringiu o público a 750 pessoas.

A Alemanha é um exemplo de como a vacinação é uma medida coletiva, não individual. Enquanto a imensa maioria não estiver completamente vacinados, todos estão em risco. O mundo está vendo isso também com a nova variante, Ômicron. Enquanto o mundo todo não tiver acesso às vacinas e as pessoas se vacinarem, o mundo continuará em estado de pandemia.

É sempre importante lembrar que a vacinação não impede que as pessoas contraiam a COVID-19, mas reduz significativamente a possibilidade de contágio e transmissão, além de hospitalização e morte da pessoa vacinada. Por isso, a Trivela te pede: se você pode se vacinar e ainda não o fez, se vacine. Mais do que proteger a si mesmo, você protegerá todos.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo