Sem categoria

Em jogo brigado até demais, solidez defensiva faz o Brasil avançar na Olimpíada

Com os jogadores que Rogério Micale tem em mãos, seria natural imaginar uma equipe que marca muitos gols. As maiores estrelas estão no setor ofensivo, lideradas por Neymar. A defesa conta com nomes mais humildes, mas é ela que está levando a seleção brasileira à frente nesta Olimpíada. Ainda sem sofrer gol após quatro partidas, o Brasil venceu a Colômbia, por 2 a 0, e está nas semifinais dos Jogos do Rio de Janeiro.

LEIA MAIS: Corintianos aproveitam Olimpíada para visitar seu próprio estádio pela primeira vez

O ataque segue devendo, principalmente diante do potencial de seus jogadores. Conseguiu golear a Dinamarca, mas passou em branco contra África do Sul e Iraque. Neste sábado, não produziu muito contra a Colômbia, e abriu o placar em uma cobrança de falta de Neymar, que marcou pela primeira vez no torneio olímpico. A barreira muito mal armada contribuiu bastante. Depois de setenta minutos de um jogo travado por muitas faltas, Luan bateu de fora da área, um belo chute com curva, e ampliou.

Individual e coletivamente, o sistema ofensivo não está fluindo como se imaginava. Gabriel Jesus, em especial, faz uma Olimpíada muito ruim. Neymar não está conseguindo fazer tanta diferença, dado seu status elevado em relação aos adversários, e Gabriel alterna bons lances com outros ruins. Luan, desde que entrou no time titular, tem cumprindo seu papel, tanto que foi mantido entre os onze iniciais para as quartas de final.

Mas, na partida disputada neste sábado em Itaquera, não é possível ignorar os efeitos da estratégia colombiana, que executou um escancarado rodízio de faltas, ignorado pelo árbitro turco Cakir Cuneyt. O auge foi o final do primeiro tempo, quando não houve nada além de entradas duras, algumas propositais, durante os últimos 10 ou 15 minutos. Neymar foi o principal alvo. Ficou de cabeça quente e revidou, depois que a Colômbia não quis devolver uma bola que foi colocada para fora por fair play, e levou cartão amarelo. A punição poderia ter sido ainda mais rigorosa e, embora seja compreensível a reação do atacante, como capitão e líder, Neymar precisa ter a maturidade de não entrar nesse tipo de provocação.

Nos poucos minutos em que a bola rolou sem ser interrompida por faltas – foram 22 da Colômbia e 17 do Brasil -, a defesa brasileira funcionou muito bem, e você pode escolher o melhor em campo entre Marquinhos e Rodrigo Caio, ambos muito seguros protegendo a meta de Weverton. Cederam apenas quatro chutes certos a gol. O próprio goleiro parece ter deixado o nervosismo para trás e também fez um jogo sólido, com exceção de uma saída em falso no primeiro tempo. Defendeu duas tentativas, de Borja e Pabón, no melhor momento colombiano, no começo da etapa final.

O Brasil soltou-se um pouco mais no segundo tempo. Teve uma chance com Neymar, de fora da área, outra de Walace, que carimbou a defesa com o gol vazio, e uma cabeçada perigosa de Rodrigo Caio. No geral, porém, foi o sistema defensivo que resolveu, e o mérito não fica apenas com os zagueiros e laterais, porque o time inteiro tem a missão de apertar e pressionar os adversários. Nem sempre consegue fazer perfeitamente, mas não sofrer gols tem funcionado melhor do que fazê-los para o time brasileiro nesta Olimpíada.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo