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Corintianos aproveitam Olimpíada para visitar seu próprio estádio pela primeira vez

A Arena Corinthians já teve 76 partidas do seu inquilino principal, sem contar seis jogos da Copa do Mundo de 2014 e outros sete da Olimpíada. Evidentemente, muitos dos 30 milhões de torcedores corintianos ainda não conseguiram conhecer o seu próprio estádio e estão aproveitando para fazer isso nas partidas realizadas em Itaquera pelos Jogos do Rio.

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A maioria das pessoas entrevistada pela reportagem da Trivela, antes do duelo entre Canadá e França, pelas quartas de final da Olimpíada, cita a “falta de oportunidade” como motivo para nunca ter visitado o Itaquerão, embora o Corinthians ofereça aproximadamente 30 oportunidades por ano. A questão, na verdade, é que os Jogos são uma “ocasião especial”, a segunda frase favorita dos entrevistados, e proporcionam aquela motivação extra para o torcedor que não é muito fanático.

O clima é mais ameno e convidativo para quem assiste às brigas de torcida pela televisão e teme acabar envolvido em uma delas. Isso é quase impossível de acontecer em um jogo olímpico. Na última sexta-feira, era fácil identificar palmeirenses, são-paulinos e corintianos na entrada da torcida ao Itaquerão, cada um usando camisas ou gorros dos seus respectivos times, em perfeita harmonia.

O preço também foi citado como motivo e é impossível ignorar esse aspecto. Houve ingresso a R$ 40 (R$ 20 a meia) para jogos de primeira fase do futebol feminino e R$ 50 (R$ 25 a meia) no masculino. O Corinthians pratica o mesmo preço do masculino para os setores Sul e Norte, mas são bilhetes concorridos e em muitas partidas acessíveis apenas a quem paga o plano de sócio-torcedor, o que implica mais um gasto de no mínimo R$ 16 por mês para ter a preferência. E ir a várias partidas para ter um bom ranking.

Wilton José Ferreira da Silva, aposentado de 67 anos, por exemplo, costumava ser assíduo no Pacaembu, mas foi apenas quatro vezes ao Itaquerão: Coreia do Sul x Bélgica, pela Copa do Mundo, o amistoso contra o Corinthians Casuals, que cobrou apenas uma doação de alimentos, uma rodada dupla do torneio feminino da Olimpíada e a quarta de final entre Canadá e França. “Eu acho um pouco caro”, contou, sobre os preços do Itaquerão. “Também tenho receio das brigas de torcida”.

O administrador de empresas Rafael Bossi (foto), 36 anos, tem o mesmo receio. Disse que o preço não influenciou na sua decisão de visitar o Itaquerão pela primeira vez durante os Jogos Olímpicos, mas achou que o clima era propício para levar sua filha de cinco anos ao estádio. “É mais complicado trazer minha filha em um jogo do Corinthians”, afirmou. Habitante de Louveiro, achou na “ocasião especial” o impulso para percorrer os 70 kms que separam a cidade próxima a Campinas da capital paulista.

A Olimpíada também motivou Alberto Cardoso a viajar. E ele veio de mais longe. Mudou-se para Minas Gerais, 25 anos atrás, e nunca tinha conseguido conhecer o estádio do seu clube de coração. “Antes de ir para Minas, eu ia bastante ao Pacaembu”, afirmou. Daiane Rocha Alves também preferia o Paulo Machado de Carvalho. Desempregada, achou os R$ 20 que pagou para ver o jogo da Olimpíada também “meio caro”, mas achava que o preço dos jogos do Corinthians no Pacaembu “era melhor” que em Itaquera.

Everaldo e Beth Rocha são um casal sexagenário que nem no Pacaembu costumavam visitar com frequência. Torcem para o Corinthians, mas não se consideram fanáticos. Aproveitaram a Olimpíada para conhecer o Itaquerão porque, afinal, trata-se, como você já deve saber, de uma “ocasião especial”.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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