Futebol feminino

Sobrou tensão, faltou futebol e ficou o alívio: Seleção avança com brilho de Bárbara

Foi muito mais sofrido do que se esperava, o futebol esperado não apareceu, mas o Brasil avançou às semifinais do futebol feminino nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A vitória sobre a Austrália só veio nos pênaltis, e com muito drama. A goleira Bárbara foi a grande personagem da classificação, com a defesa de dois pênaltis que deixaram a torcida com o coração na mão. Mas antes disso, a história do jogo, um empate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, foi sofrida.

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O desenho era claro: o Brasil era quem tomava a iniciativa do jogo, a Austrália, bem posicionada atrás, se defendia. Esperaria por bolas longas para ameaçar, especialmente em contra-ataques. No primeiro tempo, a estratégia causou uma grande chance, desperdiçada pelas australianas.

O Brasil viu duas grandes chances reais de abrir o placar. Uma delas com Debinha, em um bom chute de fora da área. A outra com Beatriz, dentro da área, que finalizou com liberdade, mas mandou por cima do gol.

Em um jogo truncado, o Brasil sentia dificuldade em criar jogadas. O time não conseguia achar espaços para jogar e se via sem uma boa opção para jogar dentro da área, já que Cristiane ficou fora da partida, machucada. A atacante Debinha, sua substituta, como o apelido sugere, não é uma jogadora de presença de área. É mais de velocidade, habilidade e chute de fora da área.

Marta ficou  mais perto do gol no primeiro tempo, mas no segundo, o que vimos foi a camisa 10 mais recuada. Ficou muito do lado direito e, mesmo assim, acabou sendo quem  mais ameaçou. Foi preciso muitas arrancadas e, no final do jogo, ela já estava cansada.

A prorrogação pareceu inevitável. O jogo, tenso, foi longo, longo até demais. Mesmo longe do gol, era Marta a principal ameaça ao placar em branco. Cansada, tendo que correr muito, passar por várias adversárias.

Mesmo assim, foi para a prorrogação carregando o time e, depois de quase dois tempos inteiros, ela quase decidiu. Arrancou pela direita e teve um raro espaço. Chutou, e a goleira defendeu. Mais uma vez. A disputa foi mesmo para os pênaltis.

O enredo ganhou todo ar de drama. Viriam pênaltis. O Brasil sem Cristiane. A Seleção, agora, a feminina, vivendo um drama no estádio que viu a seleção masculina sofrer e avançar, nos pênaltis contra o Chile, apenas para depois tomar o 7 a 1 que marcou a nossa história.

A primeira série foi cheia de boas cobranças. Andressa Alves, Andressinha, Beatriz e Rafaelle converteram para o Brasil. A Austrália marcou com Elise Kellond-Knight, Laura Alleway, Emily van Egmond e Clare Polkinghorne.

Na quinta cobrança brasileira, a ironia do futebol: Marta, melhor do Brasil, aquela que ficou mais perto de marcar o gol da classificação, cobrou e perdeu. Defesa da goleira Lydia Williams. O Brasil ficou a uma cobrança de ser eliminado. Mas Katrina Gorry bateu e a goleira Bárbara defendeu, mantendo o time na disputa.

Vieram mais duas cobranças de cada lado, dois acertos. Na sétima cobrança, Tamires bateu e marcou. A australiana Alanna Kennedy bateu e a goleira Bárbara, novamente, foi buscar. Defendeu a bola e classificou o Brasil às semifinais. A alegria explodiu no Mineirão.

O Brasil vai à semifinal, mas precisará jogar muito mais. A partida contra a Austrália teve muito pouco do bom futebol que a Seleção pode apresentar. Contra a Suécia, na semifinal, o duelo é conhecido. Na primeira fase, as brasileiras venceram por 5 a 1. Agora, porém, é outro jogo e vale muito mais. Então, também será preciso mostrar bem mais. Até para não ter que passar por tanto aperto.

O jogo contra a Suécia será no Maracanã, na próxima terça-feira, às 13h. O Canadá enfrenta a Alemanha às 16h do mesmo dia, no Mineirão, pela outra semifinal. A final será na sexta-feira, dia 19, às 17h30, no Maracanã.

Marta sorri com a bandeira do Brasil após a classificação no Mineirão (AP Photo/Eugenio Savio)
Marta sorri com a bandeira do Brasil após a classificação no Mineirão (AP Photo/Eugenio Savio)

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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