‘É ele quem faz a federação ganhar muito dinheiro’: O alerta para Portugal pós-Cristiano Ronaldo
Atacante disputou muito provavelmente sua última Copa do Mundo com seleção lusa, que dará início a nova era dentro e fora de campo
Após seis edições, Cristiano Ronaldo parece ter disputado sua última Copa do Mundo por Portugal. O anúncio foi feito pelo próprio atacante depois da eliminação para a Espanha, nas oitavas de final. Enquanto Jorge Jesus será o responsável por comandar o novo ciclo da seleção lusa dentro de campo, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tem um trabalho a fazer nos bastidores: lidar com a ausência midiática do camisa 7.
Ao jornal “A Bola”, Daniel Sá, diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), antecipou a queda abrupta de visibilidade, e consequentemente de receitas, da seleção portuguesa quando Cristiano Ronaldo decidir se aposentar. Aos 41 anos, o craque tem contrato até junho de 2027 com o Al-Nassr, cuja continuidade para além dessa data é incerta.
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— Pode ser um pouco duro de dizer, mas, do ponto de vista de marca, Cristiano Ronaldo é incomparavelmente maior do que toda a seleção portuguesa e mais não sei quantas juntas — começou Sá.
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Mais do que sua importância como atleta, Cristiano Ronaldo acumula outras três variáveis que contribuem para sua visibilidade global: o lado influenciador, por ser a pessoa mais seguida nas redes sociais; o acúmulo de patrocinadores portugueses e internacionais; além de seu perfil investidor em múltiplas indústrias, tanto no futebol, quanto em outras áreas.
— É ele (CR7) quem lhes faz assinar vários contratos e ganhar muito dinheiro há mais de 20 anos. Obviamente, há mais do que Ronaldo no futebol português, mas a FPF deve explorar bem essa nova estratégia — alertou o CEO do IPAM.
A estratégia de Portugal para o futuro sem Cristiano Ronaldo
O caminho rumo ao Mundial de 2030 é ainda mais especial para Portugal, que será um dos países-sede do torneio ao lado de Espanha e Marrocos. Argentina, Uruguai e Paraguai receberão uma partida cada para celebrar o centenário da Copa. E para não diminuir o interesse local pelo futebol com a despedida de seu ícone, a federação já prepara uma estratégia para o período de transição.
João Medeiros Cardoso, diretor de marketing da FPF, concedeu uma entrevista ao portal “The Athletic” na última semana e argumentou que Cristiano Ronaldo “desempenhará um papel importante” nos próximos quatro anos, cuja imagem será explorada não só pela seleção, mas também pelo país no projeto “Lendas de Portugal”, que reúne rostos nacionais conhecidos mundialmente para promover o turismo local.
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— Talvez ele ainda abra oportunidades comerciais para a federação e para si mesmo depois de deixar os gramados. Quando ele tomar essa decisão, estaremos prontos para implementar os próximos passos da conexão entre a marca dele e a marca da FPF — explicou Cardoso.
O dirigente sugeriu até mesmo uma parceria com Lionel Messi, grande rival do centroavante por mais de uma década, para promover o futebol luso para a Copa do Mundo de 2030. Na seleção, a Federação Portuguesa evita detalhar seus planos para o fim da era Cristiano Ronaldo, como a possibilidade de aposentar a camisa 7 e evitar comparações com eventuais jovens promessas.
— Podemos incluir Lionel Messi nisso. Quando falamos de Messi e Cristiano, estamos falando provavelmente das pessoas mais influentes da história. Ronaldo é a pessoa mais seguida do planeta. Não podemos comparar isso com ninguém, então não teremos alguém para substituir o papel dele (CR7) nesse sentido — finalizou João Medeiros Cardoso.