Olimpíadas

Gignac: “Digamos que eu não dei muita escolha ao Tigres a me liberar para a Olimpíada”

Aos 35 anos, Gignac quer um último ato com a seleção francesa com uma medalha olímpica em Tóquio e fala sobre o jogo de disputar as Olimpíadas

Uma das estrelas do futebol nas Olimpíadas será o atacante André-Pierre Gignac. O francês defenderá a seleção francesa, aos 35 anos. Ele estará ao lado do novo companheiro de clube, Florian Thauvin, de 28 anos. O jogador esteve na Euro 2016, mas desde aquele ano não voltou mais aos Bleus. Jogando no México desde 2015, Gignac se estabeleceu como um ídolo local e recentemente renovou seu contrato por mais três anos. Quando o nome de Gignac surgiu na lista inicial da França, chamou a atenção. Kylian Mbappé era um nome desejado, mas o técnico Sylvain Ripoll precisou lidar com vetos e, no fim, incluiu Gignac e Thauvin na lista.

O aviso sobre a convocação e a conversa com o Tigres

“Os contatos foram em janeiro ou fevereiro, o técnico me ligou e me disse no interesse em me colocar na lista estendida. Ele queria saber das minhas expectativas e do meu desejo, eu sabia que nós não íamos para a Olimpíada desde 1996 e eu não estou na seleção francesa por quatro anos, então estava muito empolgado e ansioso, esperando a lista final”, disse o jogador.

O Tigres liberou André-Pierre Gignac, algo que tem sido um problema em outros jogadores, especialmente as estrelas. Kylian Mbappé, por exemplo, não foi liberado pelo PSG, mantendo uma política que valia para outros países também. O Brasil queria convocar Neymar e Marquinhos, mas o clube não aceitou.

“Eu deixei claro para eles que era um sonho e um objetivo, eles entenderam isso bem. Eu dei muito para este clube e vamos dizer assim, eu não dei muita escolha a eles… Mas eles são compreensivos. Os clubes franceses não tomaram a mesma decisão, é assim que é, não há sentido em discutir. Para o Tigres, é interessante em termos de imagem, porque há uma nova contratação com Flo (Thauvin, também convocado), que acabou de chegar. Eu agradeço a eles porque o começo da temporada é importante no México”, contou Gignac.

“Eu acompanhei a distância, é uma pena que a lista foi tão difícil de ser construída, mas hoje nós temos um  bom grupo para criar com jovens talentos”.

As lembranças da Euro 2016

O atacante foi perguntado sobre o lance na final da Euro 2016, quando chutou uma bola na trave na final contra Portugal. “A imagem irá permanecer por toda minha vida, infelizmente. No último segundo de uma Euro em casa, ficamos a alguns centímetros de ganhar o troféu. Nós acabamos tomando um gol na prorrogação, é parte do futebol. Mas essa derrota também forjou a mentalidade deste grupo, que ganhou a Copa do Mundo”, analisou Gignac. “Pessoalmente, eu fui afetado por meses depois daquela bola na trave, mas quando você é um jogador de futebol, você tem que se recuperar rapidamente”.

O desejo de jogar a Olimpíada e ganhar uma medalha

“As Olimpíadas representam a minha infância, minha atração por outros esportes: basquete, handebol, atletismo, judô… Estar no meio de todos esses atletas é algo maluco! Além disso, a seleção francesa está há muito tempo sem ir para uma Olimpíada e queremos uma medalha”.

“A medalha, obviamente, é o objetivo. Eu não atravessei o planeta para brincar! E todo mundo no grupo está com a mesma mentalidade. Eu estou impressionado pela qualidade de alguns jovens jogadores, nós podemos ir muito alto. Nós somos competidores e queremos ir o mais longe possível. Eu acredito mais na força do grupo do que na qualidade individual. Antes, com os jovens talentos que se espera da França, nós estamos entre os favoritos. O mais importante é ir o mais longe possível com este grupo, que quer fazer boas coisas com o status de desafiante, isso se encaixa bem comigo”.

Experiência e preparação física

Gignac será o jogador mais velho do elenco que vai defender a França na Olimpíada de Tóquio 2020. Aos 35 anos, ele acredita que isso será positivo. “Eu tenho experiência e desejo para supervisionar todas essas belas pessoas. Você tem que ser um exemplo para os mais jovens que estão começando suas carreiras. Eu posso dar a eles pequenas dicas na mentalidade, eles verão no dia a dia. Eles já ouviram a minha voz algumas vezes e isso irá continuar. É um papel que é próximo do meu coração porque eu tenho um pouco disso no Tigres e eu quero ajudar meus companheiros de time tanto quanto é possível”, disse o veterano.

“Eu comecei a preparação três semanas atrás, então eu estou voando comparado aos outros. Mesmo aos 35 anos, sou cuidadoso, não perdi isso, tomo cuidados, tenho um treinamento duplo com um personal trainer. Então, eu tenho que gerenciar as primeiras sessões com um jet lag, mas eu me sinto bem”, continuou.

“A vida no México é incrível”

“Foi algo que mudou totalmente minha visão, eu quero me estabelecer lá. A vida é incrível, eu vivo uma experiência todos os dias que é sensacional. Como jogador, eu tenho a chance de marcar muitos gols, nunca menos de 20 por temporada, eu quero manter assim. Eu renovei meu contrato por três anos e não terminei. O clube percebeu isso, se não, não teriam me oferecido um contrato tão longo. Eu quero fazer a minha vida lá. Meus filhos falam três línguas, francês, inglês e espanhol. É mágico, é um passaporte para a vida. Eu quero terminar a minha carreira o mais tarde possível, quando minhas pernas e minha cabeça não possam mais acompanhar. Eu ainda estou com fome de gols, recordes e títulos, continuo a aventura”.

México como primeiro adversário

“Conheço o México de cor, eu enfrento esses jogadores diariamente. Eles foram campeões olímpicos em 2012 e eles mandaram os melhores jogadores, não houve hesitações na lista. É o país que eu adotei, meus filhos são mexicanos. Eu estou muito feliz, eu vivo algo sensacional e, como homem, eu gosto enormemente, quero fazer a minha vida lá”.

Planos para ser técnico no futuro

Gignac também foi perguntado se pretende ser treinador um dia. “Eu vou começar a tirar meus diplomas no ano que vem no México e eu verei na França o que fazer em Clairefontaine (centro de treinamentos da Federação Francesa de Futebol). Eu gosto disso e eu penso que tenho isso no meu sangue, eu serei um técnico muito exigente. Eu quero jogar por 10 anos no Tigres, parar aos 39 anos e, se possível, continuar no clube”, disse.

Os jogos da França na Olimpíada

A França estreia no dia 22 de julho contra o México, no Tokyo Stadium. Depois, faz o segundo jogo contra a África do Sul, no Estádio Saitama. Fecha a primeira fase contra os anfitriões, o Japão, no dia 28. Depois, as quartas de final acontecem no dia 31 de julho, as semifinais são no dia 3 de agosto e, por fim, a final é no dia 7 de agosto.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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