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Canadá vence EUA pela primeira vez em 20 anos, Suécia bate Austrália e as duas farão a final olímpica

Com dois jogos tecnicamente fracos e placares apertados, Canadá e Suécia avançam para decidir a medalha de ouro

Em duas semifinais muito travadas e tecnicamente fracas, o Canadá venceu os Estados Unidos e a Suécia bateu a Austrália e, assim, realizarão a final olímpica do futebol feminino em Tóquio 2020. Foram dois jogos que ficaram bem abaixo do que as seleções já apresentaram até aqui e nos dois casos, as vitórias foram pelo placar mínimo de 1 a 0. Os dois jogos decepcionaram, mas também deixaram histórias que veremos nos dois jogos finais, seja na disputa do bronze, seja na disputa do ouro.

O jogo entre Canadá e Estados Unidos abriu o dia nas semifinais, às 5h desta segunda-feira. As americanas fizeram uma primeira fase turbulenta, sem jogar bem — exceto o jogo contra a fraca Nova Zelândia —, mas conseguiu uma classificação difícil contra uma das equipes que vinha melhor no torneio, a Holanda. Depois de um empate por 2 a 2, venceu nos pênaltis e deu a impressão que o time achou seu caminho.

Só que nesta segunda-feira, as americanas fizeram uma partida muito fraca diante da rival local, Canadá. A derrota por 1 a 0, com um gol de pênalti marcado aos 30 minutos do segundo tempo. A falta foi cometida por Tierna Davidson. Jessie Fleming cobrou com perfeição e marcou 1 a 0, que acabou sendo o placar final.

A estratégia do Canadá para a partida era clara: se fechar defensivamente e apostar em um jogo bastante físico contra as americanas. Sim, é uma aposta ousada, porque as americanas são conhecidas por um ótimo jogo físico, mas há um aspecto importante: a seleção americana feminina é composta por muitas veteranas. Em um torneio curto como é na Olimpíada, isso pode pesar.

No geral, o que vimos foi um time que tentou mais, os Estados Unidos, que chutaram 13 vezes a gol e acertou cinco. O Canadá chutou só quatro, duas delas no gol, sendo que uma foi o pênalti. As americanas tiveram um pouco mais de posse de bola, 56% contra 44%. Com um time muito disciplinado, com uma defesa forte, fisicamente bem preparado e sabendo que precisariam aproveitar as poucas chances que teriam, as canadenses tiveram sucesso. Conseguiram, assim, a sua primeira vitória sobre as americanas em 20 anos e brigarão pelo ouro olímpico, inédito para o país.

O fim de uma geração de ouro americana?

Depois do jogo, Megan Rapinoe, uma das veteranas, com 36 anos, afirmou que a goleira Alyssa Naeher era a única que poderia sair do torneio satisfeita com suas atuações. A goleira, de 33 anos, foi decisiva na partida contra a Holanda, que classificou o time à semifinal. A goleira deixou o gramado machucada, ainda no primeiro tempo do jogo contra o Canadá. Foi Adrianna Franch que estava no gol no pênalti cobrado por Fleming.

O nível do time americano foi tão alto por tanto tempo que era natural que se esperasse que elas entregassem de novo tanto o futebol quanto os resultados que nos acostumamos a ver. Só que o time parece em uma transição de gerações. As veteranas não estão mais no seu auge e a base do time é formada por elas. Neste torneio, as americanas não conseguiram realmente jogar bem e nem convencer. “Eu não acho que com o calibre das jogadoras, nós jogamos qualquer coisa perto do que somos capazes”, afirmou Carli Lloyd, depois do jogo. “Sabe, tivemos momentos”.

É possível que o Canadá tenha imposto uma das mais doloridas derrotas para esta geração de americanas, porque elas queriam um último sucesso. Muitas delas não estarão no próximo grande torneio, a Copa do Mundo de 2023, que será na Austrália e Nova Zelândia. Será preciso um trabalho de renovação grande e deixar de contar com figuras tão marcantes como Carli Lloyd e Megan Rapinoe será difícil. Há, porém, jogadoras capazes de assumirem o posto de protagonistas, como Rose Valelle, 26 anos, titular já há alguns anos e capaz de ser a estrela que comanda o time.

O Canadá, por sua vez, é um time pronto para a disputa pesada que terá com a Suécia. Um time que também tem uma defesa forte, é fisicamente muito bem preparada e vem em um melhor momento. Mas para quem chega na final, tudo é possível. E seria uma coroação para uma jogadora como Christine Sinclair, com seus de 38 anos, maior artilheira de uma seleção. Ela ainda tem a chance de ter uma medalha de ouro antes de encerrar a sua carreira na seleção canadense, o que é sem dúvida algo enorme.

Suécia suou, mas venceu a Austrália

Fridolina Rolfö (18) comemora o gol da Suécia com as companheiras da seleção sueca (Imago / OneFootball)

A Austrália realizou uma partida equilibrada, mas não conseguiu impedir a vitória da Suécia na semifinal do torneio olímpico feminino de Tóquio 2020. As suecas venceram por 1 a 0, com um gol marcado logo no começo do segundo tempo, e confirmaram o favoritismo que lhes era atribuído antes do jogo. Contudo, foi um jogo bem mais complicado do que se esperava.

O primeiro tempo não teve gols, com os dois times tendo dificuldades em criarem chances. As australianas tiveram mais a bola, mas também não conseguiam aproveitar a sua excelente atacante Sam Kerr. A Suécia, por sua vez, tinha Stina Blackstenius, mas também não conseguiu utilizar bem a sua centroavante.

A Austrália foi melhor no geral, criou mais chances, mas não foi uma superioridade tão avassaladora. A Suécia teve muito mais dificuldade neste jogo do que aconteceu em jogos anteriores. Teve uma competência, porém, que definiu o jogo. Logo no começo da segunda etapa, teve uma oportunidade, depois de um rebote da goleira Teagan Micah. Fridolina Rolfö aproveitou a sobra e marcou, com menos de um minuto do segundo tempo no relógio.

As australianas tentaram apertar, foram para cima, mas tiveram muitas dificuldades. Acabaram não conseguindo o empate e terão que disputar a medalha de bronze, na próxima quinta-feira, 5 de agosto. A final será na sexta, 6. Para as australianas, seria a chance de um bronze importante, mas terá o time americano pela frente.

Para a Suécia, o time chega à sua segunda final olímpica seguida. Perdeu para a Alemanha na Rio 2016. Desta vez, tentará ficar com a medalha de ouro. Seria o maior resultado da história da seleção sueca, que conquistou a primeira edição da Eurocopa Feminina, em 1984, mas não conseguiu ir além disso. Em Copas do Mundo, conseguiu chegar à final em 2003, mas perdeu da Alemanha, carrascas da história sueca. Desta vez, a adversária na disputa do título será o Canadá. De qualquer forma, será um ouro inédito no futebol feminino.

Disputa do bronze

Estados Unidos x Austrália
Quinta-feira, 5 de agosto, 5h (horário de Brasília)
Kashima Stadium, em Kashima

Disputa do ouro

Canadá x Suécia
Sexta-feira, 6 de agosto, 23h (horário de Brasília)
Estádio Nacional, em Tóquio

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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