Olimpíadas

Canadá faz história: nos pênaltis vence a Suécia e conquista a medalha de ouro

Em um jogo dramático, Suécia e Canadá empataram por 1 a 1, em uma partida que as canadenses cresceram e ficam com uma medalha de ouro inédita na história

Uma das maiores lendas do futebol feminino na história agora tem uma medalha de ouro para o seu legado. Christine Sinclair é a capitã da seleção canadense feminina e conseguiu um título de grande competição antes do fim da sua gloriosa carreira, aos 38 anos. Na decisão da medalha de ouro da Olimpíada de Tóquio 2020, o Canadá venceu a Suécia nos pênaltis por 3 a 2, após empate por 1 a 1 no tempo normal. As suecas, que fizeram um grande torneio, choraram a segunda derrota seguida em uma final olímpica.

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A decisão da medalha de ouro foi um jogo bastante equilibrado. A Suécia foi um time mais consistente ao longo da Olimpíada até aqui, mas o Canadá mostrou que não foi por acaso que chegou à final. Fez um ótimo jogo, especialmente no segundo tempo da partida, mesmo depois de ter saído atrás no placar.

O primeiro gol do jogo veio aos 34 minutos do primeiro tempo. A Suécia roubou a bola no campo de ataque e acionou rapidamente Kosovare Asllani, que rolou para o meio. A centroavante Stina Blackstenius, sempre muito bem posicionada, completou de primeira para o gol, vencendo a goleira Stephanie Labbé: 1 a 0 para a Suécia.

O empate veio no segundo tempo. Em um pênalti, Jessi Fleming cobrou e marcou: 1 a 1. Foi ela que cobrou também no jogo contra os Estados Unidos, o que acabou sendo decisivo naquela partida. O gol foi só um dos lances. O Canadá melhorou e poderia ter ido além. Pressionou muito depois de sair atrás no placar e poderia ter vencido nos 90 minutos. As suecas tiveram dificuldades, mas sobreviveram.

Na prorrogação, a Suécia cresceu, mostrou um bom preparo físico e ameaçou fazer o gol, mas o Canadá defendeu bem. O filme do que aconteceu na Rio 2016 certamente passou pela cabeça das suecas. A derrota para a Alemanha, no Rio, foi para um time melhor. Na Tóquio 2020, porém, a Suécia saiu do papel de azarão para ser favorita, desde o primeiro jogo. Só que não conseguiu ser melhor na decisão, nem naqueles minutos finais da prorrogação. O jogo teria que ser decidido nos pênaltis.

Disputa de pênaltis com reviravoltas

Foi uma disputa emocionante também nos pênaltis. As suecas já começaram perdendo, o Canadá saiu em vantagem, mas logo as coisas se inverteram com dois erros consecutivos do time da América do Norte. As coisas foram se alternando, as duas goleiras tiveram bons papéis, mas no fim, foi o Canadá quem comemorou mais. Medalha de ouro para o Canadá, medalha de prata para a Suécia.

Veja como foi a disputa de pênalti, cobrança a cobrança:

Suécia perde o primeiro. Aslani cobrou a primeira penalidade e acertou a trave. Perdeu. Suécia 0x0 Canadá.

Canadá marca. Fleming, a cobradora de pênalti do time, bateu o primeiro e marcou. Suécia 0x1 Canadá.

Suécia converte! A zagueira Nathalie Born fez a segunda cobrança e marcou mais um. Suécia 1×1 Canadá.

Canadá erra! Lawrence foi a responsável pela cobrança seguinte. A camisa 10 bateu cruzado e a goleira Hedvig Lindahl defendeu. Suécia 1×1 Canadá.

Suécia faz o gol! Olivia Schough foi a cobradora seguinte para a Suécia e tirou até a goleira Stephanie Labbé da foto. Suécia 2×1 Canadá.

Canadá chuta no travessão! A zagueira Vanessa Gilles cobrou com capricho, mas a bola explodiu no travessão. Desperdiça o Canadá, que segue atrás. Suécia 2×1 Canadá.

Defende a goleira! Anna Anvergard cobrou cruzado e a goleira Labbé foi buscar. Defendeu e impediu o gol sueco. Suécia 2×1 Canadá.

Canadá perde mais um! A atacante Adriana León teve a chance de empatar, mas cobrou mal e a goleia Lindahl foi lá buscar. Nada de gol canadense. Suécia 2×1 Canadá.

Perde a Suécia! A capitã Caroline Seger teve a chance de dar a medalha de ouro para a Suécia. Era só marcar e sair para o abraço. Mas ela perdeu: chutou por cima e manteve o Canadá vivo. Suécia 2×1 Canadá.

Gol do Canadá! Deanne Rose precisava marcar para impedir que a Suécia levasse o título. E ela bateu com categoria e precisão: no ângulo, golaço. Tudo igual. Suécia 2×2 Canadá.

Defendeu Labbé! Joanna Andersson cobrou com claro nervosismo e perdeu. A goleira Labbé defendeu.

CANADÁ CAMPEÃO! Julia Grosso foi quem teve a responsabilidade. Na sexta cobrança, era preciso marcar e conquistar o título. Ela bateu, a goleia Lindahl ainda tocou na bola, mas não impediu o gol: Suécia 2×3 Canadá. O Canadá é medalha de ouro na Olimpíada Tóquio 2020!

E agora, Suécia?

Uma tristeza que as escandinavas terão que lidar para se reorganizar. A Copa do Mundo Feminina será daqui dois anos, em 2023, na Nova Zelândia e Austrália. A Suécia mostrou um trabalho bastante forte na categoria. É um time melhor do que era em 2016, quando jogava mais na defesa e aproveitou contra-ataques ou bolas paradas para eliminar favoritos como Estados Unidos e Brasil.

Desta vez, a Suécia foi mais consistente jogando mais, dominando as adversárias, ao mesmo tempo que mantiveram uma defesa forte e pouco vulnerável. O time chegou melhor que o Canadá à final, mas teve dificuldades em colocar o seu jogo em prática diante de uma equipe que fez algo parecido com o que as próprias suecas conseguiram há quatro anos: uma defesa forte e capacidade de decidir no ataque.

A Suécia é um país que tem muitas jogadoras atuando, uma liga forte, categorias de base que tem recebido mais investimentos. A derrota é dolorida, mas a Suécia é uma potência nesse esporte. É preciso que as suecas continuem trabalhando se quiserem chegar a 2023 com o mesmo status.

Canadá consegue mudança de status

O Canadá já era uma seleção forte no futebol feminino há anos, mas estar na sombra dos Estados Unidos era um problema. Em Copas do Mundo, o Canadá chegou às semifinais em 2003, mas não conseguiu ir além disso. Nas Olimpíadas, conseguiu a classificação pela primeira vez em 2008 e é uma frequentadora constante do pódio.

Em 2008, o time ficou em 8º lugar. Nas edições seguintes, sempre ficou com uma medalha. Em 2012 e em 2016, chegou às semifinais, perdeu nos pênaltis e venceu a disputa pelo bronze. Desta vez, o Canadá queria mais. E conseguiu: foi à final e venceu, conquistando seu primeiro ouro no futebol feminino na história.

A seleção é muito forte e se coloca em um outro patamar a partir deste título. Certamente o time do Canadá será visto de outra forma a partir de agora, com um título desta magnitude. É um país que tem investimento no futebol feminino há muito tempo, em um modelo que segue o padrão americano. Há como seguir melhorando e o time, mesmo sem Sinclair, que em algum momento deve se aposentar. Há um bom caminho e a técnica, Beverly Priestman consegue um resultado histórico e mantém uma sucessão de títulos de técnicas mulheres, algo que se repete desde 2008.


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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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