Olimpíadas

Lloyd e Rapinoe brilham para dar bronze aos EUA em jogo cheio de gols contra a Austrália

Se foi o canto do cisne desta geração, as veteranas trataram de não deixar margem de dúvida que conquistariam a medalha em Tóquio 2020

Os Estados Unidos conquistaram a medalha de bronze na disputa com a Austrália, no futebol feminino na Olimpíada de Tóquio 2020,disputado no Estádio Kashima. Em um jogo cheio de gols, as americanas venceram por 4 a 3, após abrirem 4 a 1. Pareciam tranquilas e de repente as coisas se complicaram. As atacantes Carli Lloyd, 39 anos, e Megan Rapinoe, 36, foram os destaques, com dois gols cada.

Após uma derrota para o Canadá na semifinal que deixou marcas, os Estados Unidos se reagruparam para voltar à disputa e sair do Japão com o bronze. No Rio 2016, as americanas caíram ainda nas quartas de final e sequer puderam disputar uma medalha. As veteranas do time sabiam que esta pode ser a última grande competição que disputam. Rapinoe tem 36 anos, Lloyd tem 39, a capitã Becky Sauerbrunn também tem 36.

Era preciso aproveitar a chance e agarrar o bronze. Talvez com a ideia de que este seja o canto do cisne desta geração as motivou a entrar em campo para vencer. Algumas das jogadoras são medalha de ouro em 2008 e 2012 e campeãs do mundo em 2015 e 2019.

Gol olímpico

O time americano conseguiu o primeiro gol aos oito minutos. A lateral esquerda Crystal Dunn avançou e achou Christen Press. Ela chutou forte e obrigou a goleira australiana Teagan Micah a uma defesa difícil, mandando para escanteio. Mal sabia ela que Rapinoe cobraria fechado e direto e marcaria um gol olímpico em plena Olimpíada. Foi o seu segundo na carreira, aliás, porque ela fez outro desses em 2012, em Londres.

A Australia conseguiu o empate aos 17 minutos. Em uma saída de bola errada da defesa americana, Caitlin Foord recuperou a bola e tocou para Sam Kerr. Ela finalizou firme e a goleira Adrianna Franch não conseguiu defender: 1 a 1 no placar.

Falha bizarra, golaço e goleada

Pressionando muito no ataque, as americanas conseguiram o segundo gol. Aos 21 minutos, Kelley O ‘Hara chegou pela direita, fez o cruzamento e a defesa da Austrália afastou de forma ridícula. Alanna Kennedy foi tentar chutar para frente, pegou mal na bola e só levantou na área. Megan Rapinoe nem deixou a bola cair: pegou de primeira e acertou um chute no alto indefensável. Apesar de originado em uma falha terrível, um golaço da americana e 2 a 1 no placar.

Antes do intervalo, as americanas ainda ampliaram o placar. Desta vez, foi outra veterana que colocou seu nome no placar. Aos 46 minutos, Lindsey Horan acionou Carli Lloyd, no meio da área. A camisa 10 soltou uma pedrada de pé esquerdo que não deu a menor chance da goleira Micah defender. Os Estados Unidos saíram do primeiro tempo com uma vantagem de dois gols.

A vantagem se ampliaria logo nos primeiros minutos do segundo tempo. Mais uma vez, a defesa australiana resolveu presentear as americanas, que aceitaram de bom grado. Christen Press fez o lançamento pelo alto na direção de Lloyd, Alanna Kennedy parecia soberana no lance, mas aí cometeu um erro fatal. Tentou um recuo de cabeça que saiu curto e virou um passe para que Lloyd, uma finalizadora das melhores. De frente para a goleira adversária, ela tocou de pé direito, com categoria, por baixo, e colocou na rede: 4 a 1.

Austrália busca reação

Eram seis minutos do segundo tempo e a medalha de bronze já parecia decidida. A Austrália tratou de voltar rápido para o jogo. Dois minutos após levar o gol, as coisas voltaram a esquentar. Kyah Simon cruzou da direita para Caitlin Foord, livre no meio da área, cabecear como quis e colocar no canto: 4 a 2. As Matildas ainda acreditavam, buscaram a bola no fundo da rede e foram para cima como puderam.

O problema é que o time americano estava muito determinado a não deixar escapar a medalha. Quando as coisas poderiam se complicar, o time soube se manter firme, atacando e levando perigo. Embora as Matildas tivessem muita vontade, as americanas conseguiam controlas as ações e impedir que a pressão aumentasse. Mesmo assim, no final do jogo, Emily Gielnik avançou com a bola pelo meio e resolveu soltar a bomba. Acertou no canto e marcou: 4 a 3, mas eram já 46 minutos do segundo tempo. Não havia muito mais tempo para tentar o empate.

Despedida americana, futuro australiano

A vitória é importante para os Estados Unidos levarem a medalha de bronze para casa. Conseguiram, assim, mais um resultado importante de uma geração que talvez possa ser descrita como a melhor da história do futebol feminino. Conquistar o bronze seria importante para marcar a despedida de ao menos algumas dessas jogadoras. Até porque é muito provável que boa parte delas tenha disputado seu último grande torneio em Tóquio.

Para a Austrália, a esperança é que o time continue evoluindo, assim como o futebol local. Sede da próxima Copa do Mundo, em 2023, em conjunto com a Nova Zelândia, as Matildas têm um potencial enorme de serem uma potência. Mostraram isso algumas vezes nos últimos anos e parecem estar caminhando para se tornarem uma seleção constante entre as melhores. A sua craque, Sam Kerr, tem 27 anos e tudo indica que estará em plena forma para a Copa do Mundo em casa. Isso dá ainda mais esperança ao time e aos torcedores para daqui a dois anos.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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