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Supra du Québec: Como Athletic Bilbao virou inspiração para novo time canadense

Cofundado por ex-jogador, equipe do Canadá quer promover mais orgulho local por meio do lema 'para pessoas daqui' e atrair talentos da região

O Canadá tem um novo time no cenário do futebol nacional. Chamado de Supra du Québec, o clube adota filosofia inspirada no Athletic Bilbao, de LaLiga, e só aceita jogadores e técnicos que tenham relação direta com a província canadense, bem como o time espanhol só admite atletas do País Basco.

O Supra, tal qual a região, é francófono e promove identidade focada no lema “un club d’ici, pour ici”. A expressão pode ser traduzida como “um clube daqui, para pessoas daqui”. O principal objetivo de Rocco Placentino, ex-jogador canadense que cofundou a instituição, é tornar a equipe um orgulho local em Quebec.

O clube foi criado oficialmente em setembro de 2025, mas foram necessários cerca de cinco anos de trabalho para lançar a equipe profissional, segundo Placentino, que também é presidente do time.

Apesar de novo, o nome e a identidade visual são motivados pelo Supra Montreal, antiga agremiação canadense que ficou em atividade entre 1988 e 1992. As cores são vermelho, azul e branco — como do modelo usado de inspiração — para evidenciar a ligação com a cultura da província.

Essa relação inflexível com Quebec também é para promover a pluralidade cultural característica da região e atrair talentos.

Placentino era atacante nos tempos em que jogava profissionalmente e só defendeu o Montreal no país natal. Percorreu a maior parte da trajetória nas quatro linhas na segunda ou terceira divisão do futebol italiano ao passar por clubes como Avellino, Teramo Calcio, Gubbio, Cavese e Perugia.

Ele observou que muitos atletas canadenses precisaram seguir a carreira em outras nações e mantém no radar do Supra cativar talentos que talvez tenham sido “negligenciados” no país.

— O objetivo é ter um programa de orgulho local na Canadian Premier League (campeonato nacional), um time que pode fornecer jogadores locais e multiculturais — declarou ele à “BBC Sport”.

Vejo países como Bélgica e Islândia. Se eles são capazes de formar jogadores e vencê-los pelo mundo, fazendo deles fenômenos do futebol, por que não podemos fazer o mesmo em Quebec? — complementou.

Isso propiciaria ao clube encontrar o “novo” Ismael Koné, meia marfinense do Sassuolo que se mudou para o Canadá ainda criança e optou por nacionalidade canadense, ou outro Moise Bombito, zagueiro natural de Quebec que defende o Nice.

“Muitos jogadores acabariam passando despercebidos aqui e perderiam a oportunidade de brilhar e serem reconhecidos no alto nível”, disse ele, que também destacou o desejo por promover mais identidade do futebol canadense. “Precisamos pegar esses jogadores e colocá-los em ambiente profissional, mas que também preserve o DNA de jogadores de rua”.

Presidente do Supra deve buscar mais referências no Athletic Bilbao

Neste contexto, o sistema mostrou ter prós e contras aos canadenses. Enquanto ajuda a lançar joias regionais como Alessandro Biello — meio-campista de 19 anos recém-contratado cujo o pai, Mauro Biello, é ex-jogador do antigo Montreal –, também esbarra em questões de competitividade e progresso.

Placentino afirmou à emissora que já foi preciso barrar mais de 150 atletas que se interessariam em defender o Supra por eles não terem nenhuma ligação com a província.

Isso ocorre em pleno momento em que jogadores e comissão técnica se preparam para disputar a Canadian Premier League pela primeira vez. O torneio começa em abril de 2026.

Alessandro Biello, contratado pelo Supra
Alessandro Biello, contratado pelo Supra (Foto: Reprodução/Divulgação FC Supra)

Por outro lado, o presidente enfatizou que atletas de Quebec que atuam em outros lugares do mundo demonstraram interesse em retornar ao local para defender o Supra.

— Há jogadores que atuam na Guatemala, na Finlândia, na Islândia, na Suécia, em Malta. São todos de Quebec que dizem: ‘Quero voltar para casa’. Eles mal podem esperar para voltar e, quando ouço isso, fico arrepiado — declarou.

Placentino disse ainda que pretende fazer uma visita ao Athletic Bilbao para entender melhor como se tornar sustentável e expandir por meio desta filosofia de contratar apenas jogadores de uma determinada região.

Enquanto isso, se cerca de conterrâneos para propiciar mais senso de pertencimento aos cidadãos. “É feito com orgulho local, jogadores locais, staff local, gestão local e parcerias locais”, destacou ele.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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