A Premier League e a Major League Soccer (MLS) estão entre as principais ligas que pressionam a International Football Association Board (IFAB), órgão que regulamenta o futebol, para aprovar a implementação de substituições temporárias por concussão nos campeonatos profissionais.
A discussão ganhará contornos decisivos na próxima Assembleia Geral Anual da entidade, marcada para 28 de fevereiro, em Cardiff, no País de Gales.
Premier League entre ligas que pressionam por mudanças no futebol
A expectativa nos bastidores é de que a IFAB autorize ao menos um período de testes para a medida, conhecida como Substituições Temporárias por Concussão (STCs). O movimento ganhou força após uma carta conjunta assinada por mais de 25 ligas e sindicatos, enviada antes da última reunião de negócios da entidade, em janeiro, em Londres.
O documento teve o apoio, além da Premier League e da MLS, da Serie A, da Liga de futebol profissional francesa, que comanda a Ligue 1, da FIFPRO, a associação de atletas profissionais, da Associação de Ligas Europeias e da Associação Mundial de Ligas.

A elite do futebol inglês vê a questão como central para o bem-estar dos jogadores, especialmente em um contexto de calendário cada vez mais congestionado e maior conscientização sobre os efeitos de longo prazo de traumas cranianos.
A Premier League também formalizou seu pedido separadamente à IFAB, destacando o respaldo da English Football League (EFL) e da Professional Footballers’ Association (PFA).
O impasse na IFAB e a mudança de cenário
Apesar do otimismo das ligas, a ausência de qualquer menção às STCs no comunicado oficial da IFAB após a reunião de janeiro causou surpresa entre dirigentes da Premier League. Fontes ouvidas pelo “The Athletic” afirmaram que o tema foi debatido de forma aprofundada, ainda que não tenha avançado publicamente naquele momento.
Historicamente, a IFAB vinha resistindo à ideia sob o argumento de que já existia um teste em andamento de substituições permanentes adicionais para casos de concussão. Com esse experimento encerrado, ligas e sindicatos entendem que não há mais obstáculos técnicos ou regulatórios para avançar à próxima etapa.
O ponto central da defesa das STCs é simples: permitir que um jogador seja retirado temporariamente do campo para uma avaliação médica adequada, sem que o clube seja imediatamente penalizado com a perda definitiva de uma substituição. Na prática, isso reduziria a pressão sobre médicos e treinadores para manter atletas em campo em situações de dúvida clínica.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Substituição por concussão: Como funcionaria
Ciente do receio histórico de que mudanças nas regras possam gerar vantagem competitiva indevida, a Premier League já apresentou à IFAB uma estrutura regulatória detalhada para a fase de testes.
Football-specific on-pitch concussion assessment protocol – FOCUS@FIFAMedical in conjunction with 6 confederations and member association experts, have spent the last 12-months developing a standardised on-pitch concussion assessment protocol specifically tailored for football pic.twitter.com/is1DEsPtKr
— Dr Andy Massey (@andy_massey) January 24, 2026
Entre os principais pontos está a chamada compensação de trocas: sempre que uma equipe utilizar uma substituição temporária por concussão, o adversário teria direito automático a uma substituição adicional, preservando o equilíbrio competitivo.
Outro pilar do modelo é a criação de um grupo independente de supervisão, responsável por revisar imagens de vídeo de todos os incidentes que resultarem em STCs. O objetivo seria verificar se a avaliação médica foi legítima e evitar o uso estratégico da regra.
Caso a IFAB aprove o período de testes, a Premier League já sinalizou que irá compartilhar dados, protocolos e conclusões com a própria IFAB e com a Fifa, contribuindo para uma eventual adoção global da medida.
O debate, que já avançou em esportes como rúgbi e futebol americano, coloca o futebol diante de uma encruzilhada: equilibrar a tradição de suas regras com uma demanda cada vez mais clara por proteção à saúde dos atletas. Fevereiro pode marcar um passo decisivo nessa direção.



