Investimento, método e crise alheia: Como o Hearts quer encerrar duopólio histórico na Europa
Com investimento estrangeiro e reforço brasileiro, clube tenta derrubar supercampeões do país
O empate por 2 a 2 entre Hearts e Celtic, neste domingo (25), foi mais do que um tropeço isolado de um gigante escocês. Com um gol arrancado nos minutos finais, o líder do campeonato não apenas frustrou o rival direto, como reforçou um cenário que parecia improvável até pouco tempo atrás: a ameaça real ao domínio histórico de Celtic e Rangers no futebol escocês.
A seis pontos da liderança, o time alviverde viu o Hearts sustentar a ponta da tabela e aprofundar uma crise que já transborda o campo.
A hegemonia do futebol escocês é um dado quase imutável. Desde 1886, Celtic e Rangers venceram juntos 110 das 128 edições do Campeonato Escocês, uma concentração de títulos que atravessa gerações.
Nesta temporada, porém, o roteiro ganhou fissuras. Com 51 pontos, o Hearts lidera a competição, à frente do Rangers (47) e do próprio Celtic (45), reordenando uma hierarquia que parecia intocável há quase quatro décadas.
Hearts e seu projeto que desafia a lógica do duopólio escocês

A campanha do Hearts está longe de ser fruto do acaso. A equipe de Edimburgo recebeu um investimento estimado em 9,8 milhões de libras do empresário inglês Tony Bloom, dono do Brighton & Hove Albion, que adquiriu 29% das ações do clube e assumiu publicamente o objetivo de romper o padrão histórico imposto pelos gigantes de Glasgow.
O aporte financeiro veio acompanhado de método: o Hearts incorporou sistemas avançados de análise de desempenho já utilizados pelo Brighton e por outros clubes europeus, refinando processos de recrutamento e preparação.
O resultado foi um mercado cirúrgico, com 11 reforços pontuais, entre eles o brasileiro Eduardo Ageu, e um time competitivo sob o comando de Derek McInnes. Mais do que números, o Hearts passou a apresentar regularidade, maturidade competitiva e capacidade de reação — como mostrou diante do Celtic ao buscar o empate nos minutos finais e manter distância confortável na liderança.
E Celtic e Rangers?
Enquanto o projeto do Hearts avança, os gigantes atravessam um raro momento de instabilidade. O Celtic vive uma temporada abaixo do esperado dentro e fora de campo. A demissão do francês Wilfried Nancy, no início de janeiro, após apenas oito jogos — seis deles com derrota — escancarou o descompasso do time.
A aposta no retorno de Martin O’Neill, veterano e já presente no clube nesta temporada, até trouxe algum respiro, mas não foi suficiente para recolocar a equipe na disputa.
O Rangers, por sua vez, ainda não encanta, mas reagiu. Desde a derrota para o Hearts, em 21 de dezembro, o time engatou oito vitórias consecutivas, sequência que o recolocou na briga pelo título. Ainda assim, o crescimento recente convive com uma temporada marcada por oscilações.
As dificuldades simultâneas de Celtic e Rangers, inclusive com campanhas aquém do esperado também na Liga Europa, abriram uma brecha rara no futebol escocês. O Hearts não somente percebeu essa janela como soube ocupá-la.
🟢 Momento delicado do gigante escocês
— Trivela (@trivela) December 20, 2025
Por que o Celtic vive uma das piores temporadas da história do clube?
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Maiores campeões escoceses
1. Celtic e Rangers — 55 títulos
3. Aberdeen, Hearts e Hibernian — 4 títulos
6. Humbarton — 2 títulos
7. Dundee, Kilmarnock, Motherwell e Thirds — 1 título



