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Quais os méritos de Bale para quebrar o recorde do mercado?

Gareth Bale entrou para a história do futebol. Ainda resta a dúvida de qual o preço real do galês, já que Real Madrid e Tottenham não devem revelar o valor do negócio. Enquanto os ingleses, a maior parte dos europeus e um bom número de espanhóis cravam a venda em € 100 milhões, os jornais madrilenhos apontam para € 91 milhões – sob suspeitas de um acordo tácito com os merengues, para não dizer que a quantia ultrapassou Cristiano Ronaldo e atrapalhar a hierarquia no Bernabéu. Recorde de maior transferência ou não, o fato é que o Real investiu uma bolada em Bale. E a pergunta mais constante neste momento é clara: o camisa 11 vale tudo isso?

Avaliar o preço de uma transferência passa por diversas variáveis. A inflação no mercado de compra e venda de jogadores de futebol é uma das principais. Afinal, quatro das dez maiores contratações da história foram feitas nesta temporada – além do galês, Cavani, Falcao García e Neymar também entram para a lista. O fato de o Real Madrid querer por querer o meia, em um misto de reforço do elenco com vaidade do clube, também ajudou a elevar os milhões. Assim como a insistência do Tottenham em segurá-lo. E, é lógico, o potencial do craque conta bastante, considerando a diferença que ele pode fazer em campo e tudo o que pode conquistar na carreira – no sonho galáctico, a décima Liga dos Campeões.

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Para ter uma noção melhor da magnitude do investimento do Real Madrid, seguimos a corrente que afirma que Gareth Bale custou € 100 milhões – ou seja, a maior parte da imprensa mundial – e comparamos seus feitos com os nove recordistas anteriores de maior transferência da história. Uma lista seleta, que inclui cinco ex-melhores do mundo, e cujos últimos cinco nomes foram levados pelo Real Madrid. O fato é que o galês está abaixo de seus antecessores na honraria, considerando títulos e premiações individuais conquistadas até a transferência.

Um currículo de menor destaque
tabela recordes
Os dez últimos a quebrar o recorde de maior transferência

A idade de Bale se inclui dentro de um padrão. Sete dos últimos dez recordistas tinham entre 24 e 27 anos, vivendo exatamente o auge da forma física. As exceções foram Zidane, aos 29, dono de dois prêmios de melhor do mundo e destaque da Copa do Mundo; além de Ronaldo e Denílson, que surgiam como promessas e se aproveitavam do excelente momento vivido pela seleção brasileira após a Copa de 1994.

Ao contrário de todos os outros nove recordistas, Bale não possui um título sequer. Uma lacuna explicada pela competição acirrada na Inglaterra, mesmo com o meia carregando nas costas o Tottenham. Enquanto isso, três já tinham conquistado um Mundial, oito tinham uma taça continental com o clube ou com a seleção e oito levantaram ligas nacionais antes de abalarem o mercado.

A maior justificativa no currículo do galês, no entanto, parte justamente para a individualidade na qual ele se destaca, eleito em duas temporadas como o melhor da Premier League. É o maior predicado do camisa 11, mas ainda assim fica abaixo dos outros. Os três últimos a quebrar a marca já haviam faturado a Bola de Ouro, algo que Bale não passou perto. E nem deve fazer no ano do recorde, como Figo e Ronaldo, embalados pelo ótimo primeiro semestre e também pela repercussão que atingiram no mercado.

A progressão do recorde de transferência mais cara da história

Caso os € 100 milhões sejam confirmados, Gareth Bale será o 42º jogador da história a quebrar o recorde de transferência mais cara do mundo. Uma história que começou em 1893, depois que o Aston Villa pagou ao West Bromwich por Willie Groves, na primeira contratação de um jogador acima de 100 libras. E que ganhou proporções astronômicas ao longo das décadas, incluindo craques da estirpe de Maradona, Cruyff, Roberto Baggio e Schiaffino.

A diferença entre Bale e seu antecessor no trono, Cristiano Ronaldo, não é tão significativa assim. Considerando a libra como padrão, o galês custou 5,3 milhões a mais que o português, em um aumento percentual de 6,6%. A diferença é a terceira menor da história. A marca de Andy McCombie, 600% mais caro que Willie Groves, é imbatível. Depois que o recorde ultrapassou a casa do milhar, a maior inflação veio com Bernabé Ferreyra, 111,2% em 1932. Já na casa dos milhões, o dono da honraria é Diego Maradona, 71,4% mais caro que Paolo Rossi.

Já equiparando os valores através do cálculo da inflação, Bale não é o jogador mais caro da história. Fazendo a correção monetária em relação a 2009, o investimento do Real Madrid em Cristiano Ronaldo teria ultrapassado os 90 milhões de libras. O decréscimo no valor real não é tão comum, mas ocorreu recentemente quando Kaká quebrou o recorde absoluto de Zidane. Números que podem até diminuir a grandiosidade do gasto com Bale, mas que não diminuem a impressão de que a fortuna desembolsada pelo Real Madrid beira o absurdo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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